<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427</id><updated>2011-12-14T02:00:16.672-02:00</updated><title type='text'>Lei Seca</title><subtitle type='html'>Um espaço para discutir as grandes questões.
 Editor-chefe: Luiz Augusto</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>269</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-6849164286971973672</id><published>2010-09-18T17:52:00.001-03:00</published><updated>2010-09-18T17:53:39.502-03:00</updated><title type='text'>O momento é sério!</title><content type='html'>Parem tudo!&lt;br /&gt;O momento nacional é tão grave que todos os candidatos precisam parar por uns dias de beijar criancinhas e comer pastel com os populares. Propina era paga dentro do Palácio do Planalto!!!Não dá mais para dona Dilma continuar a fazer campanha fingindo que não sabia de nada ou que nada está acontecendo.&lt;br /&gt;E o Serra, esse precisa que baixe nele o espírito de um Cícero ou de um Carlos Lacerda e elevar em muitas oitavas a indignação dele com o estado de coisas. Não dá para comentar o assunto como se ele falasse do salário mínimo de R$ 600 ou de ampliar o bolsa-família, com a frieza típica dele. O momento é grave e pede um estadista! Primeira coisa é parar de dar bola para marqueteiro…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-6849164286971973672?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/6849164286971973672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=6849164286971973672&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6849164286971973672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6849164286971973672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/09/o-momento-e-serio.html' title='O momento é sério!'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3860968748334983418</id><published>2010-07-03T20:04:00.002-03:00</published><updated>2010-07-03T20:07:10.379-03:00</updated><title type='text'>O escorpião e o sapo</title><content type='html'>"O Brasil depende de mim. Não posso falhar".&lt;br /&gt;Um passe para o gol.&lt;br /&gt;"Mas todos me cobram. Eu sou o pior. Eu sou o Dunga hoje. Não há como escapar. Eu sou o que sou."&lt;br /&gt;Um gol contra. Uma expulsão. Brasil fora da copa.&lt;br /&gt;Isso é Felipe Melo, em seu labirinto.&lt;br /&gt;De onde não se espera nada, aí que não sai nada mesmo.&lt;br /&gt;Tomara que o pessoal vá aprendendo, cada vez mais, a perder, a ter frustrações. A não por sua felicidade na mão de outros. Só assim ficaremos adultos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3860968748334983418?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3860968748334983418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3860968748334983418&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3860968748334983418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3860968748334983418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/07/o-escorpiao-e-o-sapo.html' title='O escorpião e o sapo'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3451046793409687899</id><published>2010-06-27T19:08:00.002-03:00</published><updated>2010-06-27T19:16:33.822-03:00</updated><title type='text'>Ecoterroristas trapalhões</title><content type='html'>Dia desses integrantes uma auto-intitulada Frente de Libertação da Terra atirou um coquetel Molotov numa concessionária de veículos em São Paulo. Oito veículos foram destruídos, num prejuízo milionário. Os alegados ambientalistas enxergariam na marca atacada, Land Rover, uma agressão ao meio ambiente. Deve ter também aversão ao capitalismo nessa história toda.&lt;br /&gt;Tudo isso não serviu para nada...&lt;br /&gt;Os veículos provavelmente eram segurados. A seguradora pagou o prejuízo e gastou dinheiro. A apólice de seguro por si só movimenta a economia.&lt;br /&gt;Outros veículos serão fabricados para repor os que se perderam. A roda do capitalismo gira ainda mais.&lt;br /&gt;O aparato policial será movimentado para prender os meliantes, o que também movimenta a economia.&lt;br /&gt;Estou para ver tiro no pé maior.&lt;br /&gt;Por outro ângulo: O incêndio dos carros, em si mesmo, jogou quantas toneladas de CO2 no ar?&lt;br /&gt;Bem ecológicos os ecoterroristas, não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3451046793409687899?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3451046793409687899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3451046793409687899&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3451046793409687899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3451046793409687899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/06/ecoterroristas-trapalhoes.html' title='Ecoterroristas trapalhões'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-314170656558733464</id><published>2010-06-24T09:16:00.003-03:00</published><updated>2010-06-24T09:25:13.447-03:00</updated><title type='text'>Ele é só um homem</title><content type='html'>Por que esse medo de Lula?&lt;br /&gt;Por que o candidato Serra, até pouco tempo atrás líder nas pesquisas, vai perdendo a dianteira para aquela invenção de Lula?&lt;br /&gt;A última vez que Lula visitou uma platéia que não estava cabrestada por bolsas-famílias ou convocada a comparecer num comício embalada por tubaína e sanduíche de mortadela foi no Maracanã, em 2007. Lá ele tomou uma senhora vaia.&lt;br /&gt;Essa é a verdadeira voz das ruas.&lt;br /&gt;A voz das ruas não é a das estatísticas espancadas, onde a soma dos regulares e bons resultam numa aprovação de 80%.&lt;br /&gt;Não é aquela onde se mede a aprovação ao mandatário pela quantidade de gente que se põe na rua. Quem, se não os paulinhos da força e professoras bebéis da vida, consegue colocar mil pessoas na Avenida Paulista, encher o saco de todos, sair no Jornal Nacional, e declarar vitória? Como se a classe média que trabalha ou o trabalhador (verdadeiro) que gasta 4 horas no trânsito pudesse se dar ao luxo de defender seus benefícios no meio da tarde. Só sindicatos de barnabés conseguem isso hoje em dia.&lt;br /&gt;Por que ter medo desse sujeito que foi espancado eleitoralmente duas vezes por FHC, e no primeiro turno? Por que temer quem só ganhou suas eleições no segundo turno?&lt;br /&gt;Ele não é invencível.&lt;br /&gt;Serra tem que cumprir sua ameaça até o fim e dizer umas verdades mesmo sobre eles.&lt;br /&gt;Como os antigos já diziam, ele é só um homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-314170656558733464?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/314170656558733464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=314170656558733464&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/314170656558733464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/314170656558733464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/06/ele-e-so-um-homem.html' title='Ele é só um homem'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4576477637421209277</id><published>2010-06-21T14:11:00.002-03:00</published><updated>2010-06-21T14:19:23.835-03:00</updated><title type='text'>Um argumento velho...</title><content type='html'>Dia desses Marina Silva disse, parafraseando, que o Brasil deveria eleger uma "mulher negra". Dilma bate na tecla da novidade, pois para ela deveria ser eleita "uma mulher".&lt;br /&gt;Lula era uma novidade, um operário sem diploma na Presidência. Era também, convenhamos, o primeiro analfabeto funcional Presidente (será que o TSE alguma vez pediu para ele escrever qualquer coisa para comprovar que ele era alfabetizado, ou isso só serve para vereador de Xiririca do Sul?).&lt;br /&gt;Não me consta que o fato de Lula ser o "primeiro qualquer coisa" tenha feito seu governo melhor ou pior.&lt;br /&gt;O ineditismo pode ir longe. Poderíamos eleger Presidente o primeiro cadeirante, o primeiro descendente de nipônicos, o primeiro índio, etc.&lt;br /&gt;Novidade mesmo para esse ano seria um Presidente decente, honesto e competente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4576477637421209277?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4576477637421209277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4576477637421209277&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4576477637421209277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4576477637421209277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/06/um-argumento-velho.html' title='Um argumento velho...'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4806626893964946436</id><published>2010-05-17T18:49:00.002-03:00</published><updated>2010-05-17T18:55:03.538-03:00</updated><title type='text'>Chico psicografa Dilma</title><content type='html'>"Cês vejam uma coisa, e isso é muito importante, nós agora que vamos transformar o país de quinta numa quinta potência, e isso é importante, por meio de creches, carinho e amor, porque cês vejam, não adianta só autoridade, é preciso dar apoio, e isso é importante. O Presidente Lula, ele disse de São Paulo, cês sabem, né? Onde o crime entra, cês não entra. Cineclubes, cultura, muito importante, né, para, cês sabem, tirar o jovem do craque. Do craque, sim! Porque quando um craque como o Ganso, o craque, não o patê, não são lhes dadas condições, ele cai no tráfego"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Espírito Dilma, psicografado por Chico&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4806626893964946436?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4806626893964946436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4806626893964946436&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4806626893964946436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4806626893964946436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/05/chico-psicografa-dilma.html' title='Chico psicografa Dilma'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-284003820288583738</id><published>2010-04-21T15:37:00.000-03:00</published><updated>2010-04-21T15:40:15.061-03:00</updated><title type='text'>Santos entre nuvens</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/S89GaF9CD6I/AAAAAAAAAVc/VFKndONjBQo/s1600/P3140031.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462662287112408994" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/S89GaF9CD6I/AAAAAAAAAVc/VFKndONjBQo/s320/P3140031.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-284003820288583738?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/284003820288583738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=284003820288583738&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/284003820288583738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/284003820288583738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/04/santos-entre-nuvens.html' title='Santos entre nuvens'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/S89GaF9CD6I/AAAAAAAAAVc/VFKndONjBQo/s72-c/P3140031.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3573949595412446796</id><published>2010-04-21T15:33:00.001-03:00</published><updated>2010-04-21T15:35:32.974-03:00</updated><title type='text'>Sapatos</title><content type='html'>O Celso Lafer pode até ter tirado os sapatos para entrar nos EUA, mas jamais pôs a boina do Hugo Chávez, como alguns chanceleres fazem por aí...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3573949595412446796?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3573949595412446796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3573949595412446796&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3573949595412446796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3573949595412446796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/04/sapatos.html' title='Sapatos'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-9210123130522736994</id><published>2010-03-27T22:23:00.004-03:00</published><updated>2010-03-27T22:29:43.679-03:00</updated><title type='text'>Notas politicamente incorretas</title><content type='html'>1-) Que espécie de professores queima livros´, espanca policiais, fecha a Paulista e é contra o mérito? Só uma espécie, o professor paulista sindicalizado vinculado à Cut...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2-) Hora do planeta. Vamos apagar as luzes por uma hora? Falsos ecologistas eco-chatos onguistas, quando vocês voltarem para as cavernas por favor (não) avisem... A OCP (Omni Produtos de Consumo), empresa que domina nosso mercado de sabão em pó e amaciante, publicou várias capas promocionais sobre isso nos jornais de hoje. Ó, quantas árvores pereceram para isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3-) Um hurrah para os irmãos Wright, que inventaram o avião (valeu Narloch!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-9210123130522736994?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/9210123130522736994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=9210123130522736994&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9210123130522736994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9210123130522736994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/03/notas-politicamente-incorretas.html' title='Notas politicamente incorretas'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-2817524579792683292</id><published>2010-02-21T22:01:00.002-03:00</published><updated>2010-02-21T22:13:02.820-03:00</updated><title type='text'>Pesos e medidas</title><content type='html'>Um juiz federal do Mato Grosso do Sul, ameaçado de morte por ter condenado e apreendido bens de inúmeros traficantes,  não pode se aposentar. Assim que isso acontecer, sem ter direito do Estado a que serve a proteção de espécie alguma, ficará sujeito a retaliações. Quiçá será morto no primeiro dia como civil.&lt;br /&gt; Inúmeras testemunhas do caso Celso Daniel foram assassinadas. Sem direito a proteção nenhuma.&lt;br /&gt; Enquanto isso, um facínora "de menor", que arrastou um menino por quilômetros pelas ruas do Rio de Janeiro, é escondido, sob proteção estatal (dizem que na Suiça), por meras ameaças que sofreu enquanto estava preso (até seus colegas de cela se revoltaram).&lt;br /&gt; Esse país perde rapidamente a referência do que é certo e do que é errado. Anda o mundo consertado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-2817524579792683292?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/2817524579792683292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=2817524579792683292&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2817524579792683292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2817524579792683292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/02/pesos-e-medidas.html' title='Pesos e medidas'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4255742291636414293</id><published>2010-02-06T21:29:00.003-02:00</published><updated>2010-02-06T21:34:22.714-02:00</updated><title type='text'>Direito à Alimentação</title><content type='html'>Leiam abaixo, já volto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/emc%2064-2009?OpenDocument"&gt;EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 64, DE 4 DE FEVEREIRO DE 2010&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Altera o art. 6º da Constituição Federal, para introduzir a alimentação como direito social.&lt;br /&gt;As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:&lt;br /&gt;&lt;a name="art1"&gt;&lt;/a&gt;Art. 1º O &lt;a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm#art6."&gt;art. 6º da Constituição Federal&lt;/a&gt; passa a vigorar com a seguinte redação:&lt;br /&gt;"Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a &lt;strong&gt;alimentação&lt;/strong&gt;, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição." (NR)&lt;br /&gt;Art. 2º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.&lt;br /&gt;Brasília, em 4 de fevereiro de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VOLTEI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah bom, ufa, alimentação é direito social, agora está tudo resolvido no Brasil.&lt;br /&gt;Isso dá direito à meia pensão? Pensão completa? Ou é só café-da-manhã. Acho que a norma ficou vaga.&lt;br /&gt;Só falta agora o saneamento básico ser incluido, e, pronto, estamos no primeiro mundo.&lt;br /&gt;Que mania do legislador brasileiro redigir as leis neste estilo pomposo à la "Declaração Universal de Direitos Humanos" da ONU! Ótimo jeito de (não) resolver as coisas. Por que eles gastam tempo desse jeito?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4255742291636414293?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4255742291636414293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4255742291636414293&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4255742291636414293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4255742291636414293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/02/direito-alimentacao.html' title='Direito à Alimentação'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-8342173549130006920</id><published>2010-02-04T19:35:00.003-02:00</published><updated>2010-02-04T19:42:58.185-02:00</updated><title type='text'>Dica para Dilma do Lula</title><content type='html'>Eles não precisam de dica, já que parecem entender de campanha, mas eu dou pitaco mesmo assim.&lt;br /&gt; Dona Dilma do Lula. Maneire um pouco na sua frequência a palanques, inaugurações, convescotes, canecadas, barriladas e chopadas. Vão perceber que a senhora é um produto, um sabonete, um George Foreman Grill da Polishop. Ningúem vai acreditar que vocês foram tão fantásticos assim com o Lula.&lt;br /&gt; Excesso de propaganda mata. Eu não consigo nem olhar para as propagandas da Polishop, de tão demoradas e fantásticas (aqui no sentido de fantasiosas: como é possível uma grelha assar, torrar, tostar, frigir ovos e bater claras em neve, etc., tudo sem gordura e num só aparelho, acompanhado de um brinde para os cem primeiros que ligarem?).&lt;br /&gt;A senhora fala muito e fala mal, noto (obrigado Augusto Nunes) que a senhora não fala coisa com coisa. Que diabos é essa coisa de Brasil quinta economia, ou potência de quinta? Para quando é isso? É para vossa gestão? Para a próxima? Ou é, segundo a piada, para a próxima gestão do Criador?&lt;br /&gt;Eu já enjoei da senhora com um ano de campanha. Imagino mais quatro anos de discurso e palanque em vossa futura gestão. A série de nonsense (somada à Era Lula) somaria 12 anos. Morrerei de tédio bem antes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-8342173549130006920?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/8342173549130006920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=8342173549130006920&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8342173549130006920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8342173549130006920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/02/dica-para-dilma-do-lula.html' title='Dica para Dilma do Lula'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-9179578529924653874</id><published>2010-01-25T19:22:00.003-02:00</published><updated>2010-01-26T10:46:41.056-02:00</updated><title type='text'>Back in black</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/S14MIDoop6I/AAAAAAAAAVU/YK9RPmN7nDE/s1600-h/P1070214.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430791533209626530" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/S14MIDoop6I/AAAAAAAAAVU/YK9RPmN7nDE/s320/P1070214.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; Caríssimos,&lt;br /&gt;Estou de volta ao Brasil, após sobreviver à minha 19th gastroenterite, desta feita adquirida na Espanha (Estou como os irmãos Villas-Boas, que de tanto ir à selva pegaram malária umas 156 vezes. Não tomo mais água da bica.).&lt;br /&gt;Passei pelo Marrocos também, e, justiça seja feita, tudo foi tranquilo por lá, vejam a foto do WC acima.&lt;br /&gt;Mudando de pato para ganso, fiquei triste em saber que a cidade de São Luiz do Paraitinga, agradável reduto do patrimônio histórico nacional, foi engolida pelas águas no Reveillon e virou nossa Nova Orleans. Torço para que São Luiz se reerga (embora pense que vai faltar dólar para isso).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-9179578529924653874?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/9179578529924653874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=9179578529924653874&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9179578529924653874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9179578529924653874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/01/carissimos-estou-de-volta-ao-brasil.html' title='Back in black'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/S14MIDoop6I/AAAAAAAAAVU/YK9RPmN7nDE/s72-c/P1070214.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1165308281080284772</id><published>2010-01-01T12:17:00.002-02:00</published><updated>2010-01-01T12:20:03.505-02:00</updated><title type='text'>2010</title><content type='html'>Amigos, amigas e leitores,&lt;br /&gt; Eu e todo o staff do Lei Seca (bom, sou só eu mesmo...) desejamos a todos um 2010 próspero e feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1165308281080284772?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1165308281080284772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1165308281080284772&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1165308281080284772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1165308281080284772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2010/01/2010.html' title='2010'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1228881050745378340</id><published>2009-12-30T20:03:00.007-02:00</published><updated>2009-12-30T20:31:32.166-02:00</updated><title type='text'>Miss Gibraltar</title><content type='html'>Conversava com um amigo que não via há um tempo. Lá pelas tantas ele me diz:&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Você viu a última Miss Mundo? É uma morena que foi Miss Gibraltar, muito gata.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não vi. Que diferente, ganhar uma mulher de um lugar tão pequeno...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Gibraltar é um território britânico situado na costa da Espanha, paragem conhecida como "Rochedo", por sua geografia peculiar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O interessante é que você precisa ver as mulheres que concorreram com ela para Miss Gibraltar. Horríveis. Se você as visse na rua passaria reto.&lt;br /&gt;Fiz o tira-teima. Achei as fotos delas num site (a vencedora é a do meio).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421154783695025106" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/SzvPjaKNM9I/AAAAAAAAAVE/YB7zWwnJfIc/s320/as+concorrentes.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;Achei a vencedora, Kaiane Aldorino, bonita mesmo. Uma delas era horrível (a de branco), e as outras tem sua graça, meu amigo havia sido um tanto injusto. Mas para um concurso de Miss elas estavam um pouco aquém mesmo.&lt;br /&gt;Para não ser enganado pela única foto da moça menos dotada de beleza, procurei outra foto daquela ovelha negra em concurso de miss. Não tinha jeito, era feia mesmo. Seu nome é Kaylee Edwards.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; DISPLAY: block; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421155690874263842" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/SzvQYNql2SI/AAAAAAAAAVM/o8txRUrSTfs/s320/09-Gibraltar-07-sm-Candidate.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei encucado. Tá certo que Gibraltar deve ser um ovo de tão pequeno, e as britânicas, com honrosas exceções, não primam pela beleza. Mas aquela concorrente era terrível. Ela só pode ser mulher do governador de Gibraltar. Ou prima do organizador do concurso, vai saber. Só não deixaram ela ganhar porque aí seria esculhambação.&lt;br /&gt;Mas e se ela tivesse ganho o Miss Gibraltar? Ela teria concorrido ao Miss Mundo. Poderia até ter ganho o prêmio de mulher mais bela do planeta. E se o critério de desempate fosse o talento, e a moça cantasse igual à Susan Boyle (para falar de outra feinha com dotes artísticos)?&lt;br /&gt;Acho que o tédio de Gibraltar e a pequenez do seu território leva seu povo a querer mais do que tem e sonhar alto.&lt;br /&gt;Uma das histórias da integração da União Européia tem a ver com uma cidadã justamente de Gibraltar, Denise Mathews, que foi impedida de votar numa eleição para o Parlamento Europeu (A Grã-Bretanha excluia os cidadãos de seus terrritórios das eleições). Ela levou o caso à Corte Européia de Direitos Humanos e ganhou. Os cidadãos de Gibraltar, graças à Sra. Mathews, são plenamente europeus. Eles queriam a Europa e conseguiram.&lt;br /&gt;Depois de Mathews, o mundo seria o limite para Gibraltar. Estava na hora daquela gente pálida mostrar seu valor.&lt;br /&gt;Quem sabe Kaylee Edwards só queria quebrar o estereótipo de que as britânicas são feias? Quem sabe uma moça de Gibraltar poderia ser Miss Mundo. Poderia, mas não foi ela, foi outra, Kaiane Aldorino.&lt;br /&gt;Kaylee sonhou com o mundo. Não deu para ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1228881050745378340?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1228881050745378340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1228881050745378340&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1228881050745378340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1228881050745378340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/12/miss-gibraltar.html' title='Miss Gibraltar'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/SzvPjaKNM9I/AAAAAAAAAVE/YB7zWwnJfIc/s72-c/as+concorrentes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5424496254945558219</id><published>2009-12-22T14:01:00.001-02:00</published><updated>2009-12-22T14:01:37.135-02:00</updated><title type='text'>Pára, João Pedro!</title><content type='html'>O título acima, com acento diferencial e tudo (protesto contra a reforma ortográfica), será provavelmente o grito mais ouvido em jardins de infância e parques daqui a alguns anos, causando muita confusão. As mães e tias (as professoras) vão ter que chamar os Joões Pedros por números a fim de distinguir uns dos outros.&lt;br /&gt;Vai aqui o alerta. A população de Joões Pedros (ou Joãos? Escolham...) não pára de subir no Brasil. Em breve haverão mais Jotapês (será esse o apelido deles?) no mundo que Maomés (Mohameds), nome bastante comum planeta afora.&lt;br /&gt;Por quê esse fenômeno me chamou a atenção? Eu ando por aí, meus amigos. Toda vez que alguma conhecida está grávida, pergunto o nome do rebento. Pergunto por desencargo de consciência. Já sei o que a moça vai dizer:&lt;br /&gt;- É João Pedro.&lt;br /&gt;Se elas tivessem me dado só uma chance de adivinhar eu teria acertado. Foi assim das últimas cinco vezes que perguntei. E será das próximas vinte, trinta vezes. É o nome da moda. É bíblico. É um evangelista e o primeiro papa. É irresistível, pegou de vez.&lt;br /&gt;Por que as jovens mamães brasileiras adotaram entusiasticamente essa combinação de nomes? Algumas deixam só Pedro (em grande número também), há João isolado, mas o João Pedro é insuperável.&lt;br /&gt;Como tantos Jotapês se diferenciarão uns dos outros no futuro? As mamães estão pensando nisso? Creio que não. Cada mãe imagina seu filho como único, futuro ganhador do Nobel ou Presidente da República. Por isso os Jotapês serão forçados a ter uma agenda de adultos, com escola de manhã e as tardes tomadas de Kumon, natação, karatê, inglês e malabares. Fora o catecismo no domingo. Epa, até saí do assunto da crônica.&lt;br /&gt;Jovens mãezinhas, vocês são mulheres esclarecidas. São modernas, conciliam maternidade, carreira, casamento, atenção à família, lêem os livros apoiados pela crítica. Custa um pouco mais de imaginação para escolher o nome daquele que será seu herdeiro, sangue do seu sangue, carne da tua carne? Vocês iam gostar que sua mãe tivesse escolhido vossos nomes só porque todas as outras mães achavam bonito? Por quê era modinha?&lt;br /&gt;Há tantas figuras históricas que dariam bons nomes. Façam a lição de casa, o nome é para sempre. Pesquisem a enciclopédia, fucem os bons sebos. Assurbanipal, Nabucodonosor, Akénaton, fica a dica.&lt;br /&gt;Vocês gostam dos apóstolos, mas ignoram o próprio Jesus. Por quê? Só por causa do triste fim dele? Não esqueçam que João Batista (não o evangelista) teve a cabeça servida numa bandeja para seus inimigos e que Pedro morreu crucificado de ponta-cabeça.&lt;br /&gt;Está cheio de Júlio César por aí e ninguém faz ressalva de que ele morreu esfaqueado. Marco Antônio também não terminou muito bem. Nem o Luís XVI. E são nomes bem comuns.&lt;br /&gt;Só me resta avisar: pára, João Pedro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5424496254945558219?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5424496254945558219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5424496254945558219&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5424496254945558219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5424496254945558219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/12/para-joao-pedro.html' title='Pára, João Pedro!'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-6960338465538174434</id><published>2009-12-15T16:20:00.003-02:00</published><updated>2009-12-15T16:28:10.243-02:00</updated><title type='text'>Tiger Woods, a Geni</title><content type='html'>Foi só descobrirem que Tiger Woods, o bilionário e talentoso golfista, é humano (andou dando umas puladas de cerca), que os moralistas americanos passaram a, digamos, tratar ele como a Geni, da canção de Chico Buarque, era tratada. Justo ele, que é fã das Genis da vida.&lt;br /&gt; A Gatorade e a Gillete já cortaram seus patrocínios.&lt;br /&gt; Bem hipócritas essas empresas. Ganharam muito dinheiro com ele nos bons tempos e agora o abandonam. Tá certo que Tiger ganhou muito dinheiro com sua imagem e reputação de vencedor, reputação esta que ele deveria ter cuidado com mais zelo e preservado ilibada.&lt;br /&gt; Mas e o Ronaldo, pego com travestis? Mesmo depois daquele escândalo ele não deixou de ganhar muito dinheiro com publicidade.&lt;br /&gt; O caso da  Gillete é de lascar. Eles abandonam o Tiger Woods e ficam com o jogador Kaká, o crente que casou virgem e que fica dando dízimos milionários para a igreja Renascer, cujos dirigentes Kaká apoia, e que foram presos nos EUA, entrando com dinheiro até na Bíblia. Aqui eles estão respondendo por vários crimes.&lt;br /&gt;Esse moço Kaká, segundo a Gillete, é ilibado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-6960338465538174434?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/6960338465538174434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=6960338465538174434&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6960338465538174434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6960338465538174434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/12/tiger-woods-geni.html' title='Tiger Woods, a Geni'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4559765740866972331</id><published>2009-10-17T21:05:00.000-03:00</published><updated>2009-10-17T21:06:02.774-03:00</updated><title type='text'>As princesas falidas</title><content type='html'>Já tinha visto castelos e palácios, mas nunca tinha visto a realeza em pessoa. Rei ou rainha, em minha vida, só nos naipes do carteado.&lt;br /&gt;Eis que, no lugar mais inesperado, uma praça de alimentação de shopping, aparecem duas princesas.&lt;br /&gt;Mas não falo aqui de moças bonitas, estonteantes, que façam os homens virar a cabeça e suspirar “que princesas”.&lt;br /&gt;Não, eram princesas mesmo.&lt;br /&gt;Mas algo faltava. Elas pegaram elas próprias sua mesa, perto da minha. Não tinham séquito, seguranças, pajens ou damas de honra. Vestiam vestidos de tecidos baratos, uma de azul, a outra de amarelo. A maquiagem era exagerada. Tiaras de bijuteria adornavam seus cabelos. As duas jovens e louras. Não eram bonitas. Uma tinha aparelho nos dentes.&lt;br /&gt;Era como se Cinderela estivesse nos primeiros minutos da meia-noite, na reversão do feitiço da fada-madrinha, com a abóbora encolhendo, o condutor do coche voltando a ser um rato e suas roupas se tranformando em andrajos.&lt;br /&gt;Provavelmente trabalhavam para alguma loja do shopping, em alguma promoção, ou eram animadoras infantis.&lt;br /&gt;Quem passava não deixava de olhar com curiosidade. As crianças sorriam e paravam para provocá-las.&lt;br /&gt;A de amarelo levantou e foi buscar os lanches. A outra, a de azul, esperava, cotovelos na mesa, ar de enfado, o vestido amassado e arrastando no chão, a tiara folgada mal equilibrando-se na cabeça.&lt;br /&gt;Quantas coisas não imaginei. E se fossem princesas mesmo? Talvez fossem descendentes da própria Anastácia Romanov, escapadas dos bolcheviques e aqui refugiadas. Ou herdeiras dos Orleans e Bragança, e que apenas ficaram com fome , como qualquer um.&lt;br /&gt;Tinham sangue azul, dezoito sobrenomes, mas gostavam de um bom hamburguer. Quem sabe o cardápio do castelo as entediava? Faisão assado todo dia cansa. Elas fugiram para ver o mundo, como o príncipe Sidarta.&lt;br /&gt;Acertei nos gostos culinários delas. A princesa amarela volta, com uma bandeja do McDonald´s. Um ar fake, de princesa da Disney, dos filmes da Sissi. Será que as princesas reais usariam aquelas roupas? Para dormir deve ser um problema. Uma herdeira dos Habsburgo não comeria Big Mac.&lt;br /&gt;Elas comem, quietas, já meio sem graça com o assédio das crianças que puxam seus vestidos. Uma mãe ralha o filho:&lt;br /&gt;- Para menino, não encosta aí.&lt;br /&gt;O menino é arrastado para longe, erguido pelas orelhas, e protestando:&lt;br /&gt;- Mãe, deixa eu ver a princesa...&lt;br /&gt;As princesas ignoram a cena, sugando seus canudinhos de refrigerante.&lt;br /&gt;Então, para terminar de quebrar o pouco encanto da cena, surge o príncipe encantado, mais sapo que príncipe. Um sujeito de calça jeans, moletom e boné, provavelmente colega delas, senta com as princesas, e, gigolô como só, passa a filar batatas fritas das princesas.&lt;br /&gt;Uma delas protesta por seus direitos:&lt;br /&gt;- Ô meu manera nas fritas aí?&lt;br /&gt;Ah, eu ainda tinha ilusão que pelo menos o papo delas fosse nobre. Elas conversam com o sujeito. Falam de baladas, bebedeiras, internet e chefes chatos. Muita gíria, alguns palavrões, vindos da princesa azul, a mais desbocada.&lt;br /&gt;Princesas fajutas. Parecia um daqueles filmes em que um malandro se disfarça de padre (ou uma vigarista de freira) para escapar da polícia. A minha imaginação fervia. Elas eram estelionatárias procuradas que se travestem de princesas para um último golpe.&lt;br /&gt;Ou seriam elas Graces Kellys sem Rainiers e sem Mônaco? Habsburgas em perdição. Romanovs sem trono. Descendentes de um reino que não mais existia. Vivendo das memórias de quando as coisas eram boas e a vida leve.&lt;br /&gt;As princesas falidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4559765740866972331?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4559765740866972331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4559765740866972331&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4559765740866972331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4559765740866972331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/10/as-princesas-falidas.html' title='As princesas falidas'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-6584107457827146026</id><published>2009-10-11T10:22:00.003-03:00</published><updated>2009-10-12T13:10:41.574-03:00</updated><title type='text'>Bastardo Inglório</title><content type='html'>Ontem fui no cinema assistir Bastardos Inglórios, do Tarantino.&lt;br /&gt;Falava de um ficcional esquadrão anti-nazista que planeja matar Hitler durante a Segunda Guerra.&lt;br /&gt;Por uma ou duas vezes o nome de Leni Riefenstahl, a cineasta do ditador austríaco, é mencionado.&lt;br /&gt;Por coincidência, antes do filme passa um trailer de "Lula, o filho do Brasil", longa-metragem que vai estrear ano que vêm&lt;br /&gt;Sempre achei brega aquele pessoal de antigamente que aplaudia os filmes no cinema, como se o diretor estivesse lá para receber as glórias.&lt;br /&gt;Mas não é que ontem não me contive e vaiei o trailer do filme do Lula? Devem ter achado que eu estava louco.&lt;br /&gt;O filme é um culto à personalidade descarado.&lt;br /&gt;Saio do cinema e a Istoé da semana justamente chamava o filme de "Cinema Eleitoral (Nada) Gratuito.&lt;br /&gt;Gratuito nada. Será que não rolou uma lei Rouanet para bancá-lo? Dinheiro nosso para falar bem do Lula?&lt;br /&gt;Prefiro não saber.&lt;br /&gt;Nunca antes na história desse país um governante em pleno mandato é objeto de um filme para glorificá-lo.&lt;br /&gt;Acho que só o Getúlio ousou um negócio desse, tão personalista.&lt;br /&gt;Hitler e Mussolini ousaram.&lt;br /&gt;Getúlio se matou. Hitler terminou se suicidando cercado num bunker. Mussolini acabou seus dias pendurado num gancho de açougueiro.&lt;br /&gt;"Lula, o filho do Brasil", então, seria o nosso "O Triunfo da Vontade". O produtor de cinema Barretão seria nossa Leni Riefenstahl. Quem é o Goebbels de Lula?&lt;br /&gt;Acho que um nome melhor para o filme do Lula seria "Bastardo Inglório".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-6584107457827146026?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/6584107457827146026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=6584107457827146026&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6584107457827146026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6584107457827146026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/10/bastardo-inglorio.html' title='Bastardo Inglório'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-7453345616573591145</id><published>2009-09-21T13:19:00.003-03:00</published><updated>2009-09-21T13:29:43.791-03:00</updated><title type='text'>Novidade no blog: Seguidores</title><content type='html'>Meus amigos e amigas,&lt;br /&gt;Surgiu uma novidade no blog, a possibilidade de que os leitores virem Seguidores.&lt;br /&gt;Quem quiser se cadastra no Blogger com uma conta do Google ou do Yahoo e pode virar um Seguidor desse blog, recebendo em primeira mão as novas postagens.&lt;br /&gt;Sejam, então, meus Seguidores. Sejam milhões, e sigam minha liderança inconteste e minhas ordens (desculpem pelo rompante autoritário, já passou...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-7453345616573591145?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/7453345616573591145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=7453345616573591145&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7453345616573591145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7453345616573591145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/09/novidade-no-blog-seguidores.html' title='Novidade no blog: Seguidores'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-6346703190023716929</id><published>2009-07-21T15:04:00.001-03:00</published><updated>2009-09-07T14:46:21.213-03:00</updated><title type='text'>Água da torneira</title><content type='html'>Sempre parece que a nossa época é menos interessantes que as outras. As gerações que me antecederam viram eventos fantásticos na vida deste país e do mundo. Fico às vezes com a sensação de que não verei ou sequer vi coisa igual.&lt;br /&gt;Meus avôs testemunharam a Segunda Guerra Mundial e a morte do Getúlio. Meus pais viram a morte do Kennedy, o Vietnã, o homem chegando na Lua, o tricampeonato na Copa de 1970.&lt;br /&gt;Injustiça comigo mesmo. Claro que viu muita coisa. É só deixar os olhos e ouvidos abertos, e lembrar.&lt;br /&gt;Bom, eu assisti a um videogame chamado Guerra do Golfo. Era apenas um monte de riscos brancos numa tela verde de visão noturna e barulho de bombas, distraindo-nos do tédio de uma noite chuvosa em Ubatuba. Não é muito material para reminiscências.&lt;br /&gt;Melhor tentar resgatar do fundo das memórias então uma daquelas perguntas clássicas. O que você estava fazendo no dia em que...?&lt;br /&gt;No 11 de Setembro? Bom, quando me contaram eu estava assistindo aula na faculdade. Depois eu fui cortar cabelo e assisti na TV do salão o que tinha acontecido. Muito banal, se eu insistir nisso a crônica acaba aqui e o leitor foge. Todos tem histórias mais legais sobre esse dia.&lt;br /&gt;Vamos mais para trás.&lt;br /&gt;E nas Diretas Já? Onde eu estava? Desculpem, não lembro de nada disso, era muito pequeno.&lt;br /&gt;E a morte do Tancredo Neves? Em abril de 1985.&lt;br /&gt;Bom, acho dá para tirar algo daí.&lt;br /&gt;Era um dos primeiros dias no meu primeiro ano no primeiro grau, o que chamam hoje de ensino fundamental. Saíra da pré-escola. Agora eu era um dos menores na escola inteira. Haviam dez turmas com alunos mais velhos que eu.&lt;br /&gt;Havia uma espécie de hierarquia falsa entre os mais velhos e os mais novos que o tempo se encarregaria de mostrar inexistente. Eles podiam apanhar e bater de forma igual, e os mais velhos podiam chorar também.&lt;br /&gt;Eu morava perto do Jardim, e agora eu tinha que ir de perua para a escola.&lt;br /&gt;Nos primeiros dias você tateia, você anda pelos cantos, buscando um canto seguro.&lt;br /&gt;Muitas novidades. A escola se reunia de tempos em tempos, todos os alunos perfilados, e cantava-se o Hino Nacional e o Hino da Escola. O Hino Nacional eu até entendia a razão pela qual o entoávamos, e gostava de alguns trechos. “Nem teme quem te adora a própria morte”, o “lábaro estrelado”, “clava forte da Justiça”, e tudo o mais.&lt;br /&gt;Mas o Hino da Escola não me descia. Esse eu só fingia que cantava.&lt;br /&gt;O uniforme era novo, de outra cor, diferente do uniforme do Jardim em que eu estudara. Tabuada era novidade também.&lt;br /&gt;Mas o que mais me havia me surpreendido era a torneira na qual bebíamos água no intervalo.&lt;br /&gt;No Jardim a água era limitada, servida em canecas, cada aluno tinha uma. Já na escola cada um se servia a vontade da água que quisesse. E bebíamos água à beça, já que Santos sempre foi muito quente.&lt;br /&gt;Eu reclinava a cabeça na torneira e bebia até que me sentisse empapuçar, o uniforme úmido dos respingos. O calor fazia com que suássemos aquela água toda.&lt;br /&gt;Fazíamos até concursos de quem conseguia beber mais água. Falava-se que um lendário aluno havia bebido um litro de uma só vez. Tentávamos superá-lo, mas isso só enchia nossas bexigas, que tinham que ser esvaziadas, o que nos levava a enfrentar o tenebroso banheiro, assombrado pela fantasmagórica Loira do Banheiro. Parece que os meninos contam até hoje essa história, em tudo quanto é colégio por aí.&lt;br /&gt;Em casa eu assistia à TV e escutava meio por alto que o Presidente Tancredo estava doente e internado num hospital.&lt;br /&gt;Até que logo depois veio a notícia, Tancredo havia morrido. Que comoção! Só se falava disso. Um muro amanheceu pichado em Santos, perto de casa: “A Chevrolet matou Tancredo”. Nunca entendi. Porque uma fabricante de carros mataria alguém. Ele nem tinha sido atropelado...&lt;br /&gt;Nos dias seguintes um ou outro falava do assunto, cochichando durante a aula, sem se dar conta da importância histórica daquilo. O Presidente estava morto. Mas chegavam os intervalos, e as filas para as torneiras estavam especialmente concorridas. Muito calor naqueles dias.&lt;br /&gt;Minha vez chegava e eu enfiava a cabeça embaixo da torneira, tentanto engolir o que eu pudesse. O uniforme encharcava. Tudo ficava menos quente.&lt;br /&gt;Logo esqueceríamos de Tancredo. Eu só mais tarde viria a entender o que era um Presidente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-6346703190023716929?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/6346703190023716929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=6346703190023716929&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6346703190023716929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6346703190023716929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/07/agua-da-torneira.html' title='Água da torneira'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5657380648227076192</id><published>2009-07-04T12:10:00.001-03:00</published><updated>2009-07-04T12:11:54.368-03:00</updated><title type='text'>O homem na frente do tanque</title><content type='html'>Correu mundo a imagem de um jovem chinês que, em meio aos protestos da praça da Paz Celestial, Pequim, ocorridos em 1989, desafiou a repressão comunista e bailou diante de uma coluna de tanques, detendo sua marcha.&lt;br /&gt;Entretanto, é pouco sabido dos brasileiros que na semana passada um compatriota nosso, um verdadeiro gigante, que igualmente bailou na frente dos tanques, deixou este nosso mundo.&lt;br /&gt;Goffredo da Silva Telles Jr., professor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, numa noite de 1977, em plena ditadura militar, leu no pátio da Faculdade um documento chamado Carta aos Brasileiros. Nele, Goffredo pedia a volta do Estado de Direito ao país.&lt;br /&gt;Com a leitura da Carta Goffredo ficou sujeito a ser sequestrado, torturado, a virar desaparecido. Ajudou a tirar a legitimidade da ditadura, apoiada por juristas de menor estirpe. Foi uma tremenda ousadia e ato de destemor físico. Comparável a bailar na frente de um tanque.&lt;br /&gt;Goffredo morreu sábado, dia 27 de junho de 2009.&lt;br /&gt;A notícia, dada a este povo sem memória, ficou ofuscada pelos desdobramentos de outra morte , a de um cantor e bailarino americano, muito mais famoso (ou infame). Que nunca bailou na frente de tanque nenhum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5657380648227076192?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5657380648227076192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5657380648227076192&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5657380648227076192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5657380648227076192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/07/o-homem-na-frente-do-tanque.html' title='O homem na frente do tanque'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-8165531022426233387</id><published>2009-04-10T00:51:00.002-03:00</published><updated>2009-04-10T17:20:48.913-03:00</updated><title type='text'>O Castelo do Drácula, São Paulo</title><content type='html'>O fim de semana acabara, e mais uma história de amor fracassada se encerrava. Tirei uma foto de Bia no aeroporto de Porto Alegre, mas não havia mais nada. Podia queimar aquele retrato depois que não fazia diferença. Ela nem se deu ao trabalho de sorrir para a câmera.&lt;br /&gt;Embarquei no meu vôo, um corujão que chegaria muito tarde em São Paulo, e tentei não pensar mais nos últimos três dias. Fui até Novo Hamburgo encontrar esse menina. Passeamos em Gramado, Canela, fizemos todo o circuito romântico das serras gaúchas, mas não adiantou. A coisa não tinha futuro, concluímos. Era longe, não valia a pena.&lt;br /&gt;Quando as rodas do avião tocaram o solo da pista de Guarulhos, eu já nem lembrava do Rio Grande do Sul. Eu tinha um problema mais imediato, e que demandava uma solução. Era bem tarde, e já não havia ônibus para minha cidade. Eu devia então optar entre pegar um táxi para lá direto (o que era mais caro) ou ficar num hotel em São Paulo e ir de ônibus no dia seguinte (mais econômico).&lt;br /&gt;Na hora a opção mais em conta parecia ser ficar em São Paulo. Tomei um táxi e pedi que ele me levasse para um hotel. Pensei no Formula 1 da Avenida Paulista, confiável e não muito caro.&lt;br /&gt;A Dutra e a Marginal estavam livres. Não disse nada o caminho todo. Por sorte não era um daqueles motoristas que ficavam puxando assunto.&lt;br /&gt;Após quarenta minutos desembarco no dito hotel e constato que ele estava lotado. Que fazer?&lt;br /&gt;Voltei até o táxi:&lt;br /&gt;- O senhor conhece algum outro hotel...&lt;br /&gt;Aí lancei a palavra fatídica:&lt;br /&gt;- ...barato?&lt;br /&gt;O chofer coçou a cabeça, disse conhecer um outro, no centro velho da cidade. Topei, sem imaginar o que me esperava.&lt;br /&gt;Após outro trajeto, paramos nas proximidades da Praça da República, na frente de um hotel com um certo movimento de outros táxis. Um prédio velho, mas não parecia ameaçador.&lt;br /&gt;Desço com minha mala e entro no saguão. Aí percebi no que estava me metendo. Era um treme-treme da pior qualidade. Aquele ar de espelunca. A luz vermelha. Baixo meretrício total.&lt;br /&gt;Dou um pique para fora e vejo que o meu taxista já havia ido embora, como se fosse o cocheiro que largasse apressado visitas noturnas incautas no castelo do Conde Drácula. Os outros taxistas também sumiram de uma hora para outra, como por encanto. Eu teria que ficar lá.&lt;br /&gt;Pedi um quarto, não tinha escolha. O recepcionista pegou uma muda de roupa de cama e pediu para que eu o seguisse por um corredor comprido, que continha diversas portas cerradas.&lt;br /&gt;As atrações dantescas do castelo de Drácula começaram a brotar diante dos meus olhos.&lt;br /&gt;A primeira era um quarto fechado com ripas de madeira, como se tivesse sido lacrado apressadamente pela Polícia. Seria uma cena de um crime?&lt;br /&gt;Em seguida, diversos quartos e janelas fechados, cuja principal atividade era mesmo o meretrício. Gemidos femininos e respiração cortada e resfolegante vinham de trás de algumas das portas.&lt;br /&gt;De uma das portas, súbito, surge um negro sem camisa segurando com uma das mãos as próprias calças e numa outra um telefone celular junto à orelha. Ele falava em inglês e parecia africano. Pelo que entendi de sua conversa telefônica, ele deveria no dia seguinte entregar um pacote a alguém. Seria ele um traficante nigeriano? Seria o pacote um quilo de cocaína ou uma arma de fogo?&lt;br /&gt;Da porta entreaberta do quarto do africano pude notar com o canto dos olhos que havia uma mulher estirada de bruços em sua cama. De lá vinha um cheiro forte de cigarro. Tapei a respiração para não sentir os outros odores que eu imaginava que emanariam do quarto deles.&lt;br /&gt;Mais alguns quartos fechados e cheguei no aposento que me era destinado.&lt;br /&gt;A cama era um farrapo imundo. Não duvidava que estivesse cheia de insetos. O recepcionista me deixou com meu lençol e fronha, que tinham aspecto sujo. Usei o enxoval para forrar a cama. Resolvi dormir de roupa mesmo, para ter o menor contato possível com aquela cama suja. Tranquei a porta e coloquei minha mala na frente dela, à guisa de barricada. Verifiquei a janela de vidro que dava para o corredor. Ela estava trancada, mas não agüentaria uma invasão violenta.&lt;br /&gt;Eu já estava com medo. E se uma daquelas meretrizes viesse de noite rasgar minha garganta? E se o africano resolvesse implicar comigo?&lt;br /&gt;Era uma da manhã. Resolvi que iria dormir somente até as seis. Eu tinha que sair dali o mais rápido possível.&lt;br /&gt;Mas quem disse que eu dormi? Vestido, naquela cama suja, eu passei a noite de olho na porta e na janela, vigilante. Só me faltava ter um mãos um crucifixo, pois eu esperava que próprio Nosferatu entraria pela porta em forma de lobo, ou pela janela, em forma de morcego. Eu sentia imaginárias baratas e percevejos escalando a cama e transitando sobre meu corpo.&lt;br /&gt;O inútil despertador do relógio de pulso tocou às seis. Como dito, eu nem havia piscado naquela noite. Salto da cama, lavo o rosto apressado. Atravesso o corredor ligeiro com meus pertences.&lt;br /&gt;O recepcionista ainda me oferece o café da manhã enquanto pago minha estada. Confiro o desjejum. Só havia pão com manteiga rançosa, leite azedo, e um suposto suco de laranja. Recuso a comida infernal.&lt;br /&gt;Ainda estava escuro. Algumas criaturas da noite, travestis e taxistas, ainda rondavam as ruas da Praça da República. Arrasto minha mala até o metrô, rumo à rodoviária. Só me sentiria seguro após embarcar no meu ônibus. Nele embarcado pude então cerrar um pouco meus olhos, enquanto me afastava da maligna Transilvânia.&lt;br /&gt;Antes de dormir, pensei nas palavras que me custaram tão caro naquela noite:&lt;br /&gt;- O senhor conhece algum outro hotel...barato?&lt;br /&gt;(Vincent Price termina essa narração com uma gargalhada diabólica: A ha ha ha ha ha ha ba ha ha ha...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-8165531022426233387?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/8165531022426233387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=8165531022426233387&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8165531022426233387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8165531022426233387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/04/o-castelo-do-dracula-sao-paulo.html' title='O Castelo do Drácula, São Paulo'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1392329105039636210</id><published>2009-04-09T22:59:00.003-03:00</published><updated>2009-04-09T23:03:44.198-03:00</updated><title type='text'>Ainda tenho blog?</title><content type='html'>Achava que minha senha nem entrava mais no blog.&lt;br /&gt;Bom, esse é o primeiro post do ano, com algum atraso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1392329105039636210?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1392329105039636210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1392329105039636210&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1392329105039636210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1392329105039636210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2009/04/aina-tenho-blog.html' title='Ainda tenho blog?'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-7716288485132829897</id><published>2008-12-31T22:02:00.002-02:00</published><updated>2008-12-31T22:02:59.323-02:00</updated><title type='text'>2009</title><content type='html'>O Lei Seca deseja aos seus leitores entradas bem gostosas em 2009. Quebra tudo!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-7716288485132829897?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/7716288485132829897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=7716288485132829897&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7716288485132829897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7716288485132829897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/12/2009.html' title='2009'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-9189419479945810351</id><published>2008-11-30T14:36:00.001-02:00</published><updated>2008-11-30T14:36:50.078-02:00</updated><title type='text'>A Arca do Centenário</title><content type='html'>Estudei Direito no Largo de São Francisco. Passei os dois primeiros anos na faculdade meio perdido. Não me destacava nos estudos. Entrei para o Centro Acadêmico e não me achei. Escrevi textos inflamados, com alguma repercussão, mas nada gloriosos. Gostava das festas e dos jogos jurídicos, e ia empurrando tudo com a barriga. Até que vi um anúncio num cartaz:&lt;br /&gt;- Entre para a B.A.I.S.F.!&lt;br /&gt;Era a Bateria de Agravo de Instrumento da São Francisco, responsável por fazer a trilha sonora da torcida nos jogos. Na época não vi muita graça no trocadilho com um dos recursos do nosso emaranhado processual civil.&lt;br /&gt;Procurei me informar sobre quem era da Bateria, e não vi muita abertura para que eu entrasse, era uma panelinha de quintanistas que não parecia amistosa. Só quando o ano acabou (e eles se formaram) que a formação da B.A.I.S.F. mudou. Entrou um colega de classe, o Reinaldo, que logo tomou conta e começou a agitar as coisas, com novos integrantes e instrumentos.&lt;br /&gt;Mas eu ainda não entraria na Bateria. Só nos Jogos Jurídicos seguintes eu iria me juntar à trupe. Vi Reinaldo e outros conhecidos de classe descendo do ônibus com os instrumentos, e precisando de ajuda para carregá-los até o estádio. Fui voluntário e peguei um dos bumbos mais pesados. Não havia ningúem para tocá-lo naquele dia.&lt;br /&gt;No estádio, “vesti” o bumbo, e Reinaldo me deu um curso rápido sobre a bateria:&lt;br /&gt;- Seu instrumento se chama surdo de segunda. Você vai alternar com o surdo de primeira, que é o do Lauro. A Vanessa vai ficar no surdo de terceira. Outros ficam nos repiques e atabaques. Acompanha eles e aprende.&lt;br /&gt;E lá fomos nós. Tocávamos mal à beça, mas a torcida gostava. Passamos aqueles jogos correndo de um estádio para outro, empolgando a massa franciscana.&lt;br /&gt;O time de futebol achava que nós éramos um estorvo, evitávamos seus jogo. Mas éramos queridos pelos Dinos, o nosso time de vôlei. Não perdemos nenhum jogo deles. Até porque tínhamos um bom amigo no escrete, o Tenório.&lt;br /&gt;Terminei aqueles Jogos com as mãos calejadas, quase em carne viva, e meio surdo, sem trocadilho, completamente rouco de tanto xingar as outras faculdades, especialmente a PUC.&lt;br /&gt;A B.A.I.S.F. fazia ensaios semanais, que comecei a frequentar. Alguns bons amigos se formaram naquele grupo. Passei a ser referência na faculdade sobre a Bateria. Gente nova queria entrar. Outros queriam saber quando ia ter ensaio, ou se podíamos tocar em alguma festa.&lt;br /&gt;Outros jogos vieram. Num deles estávamos na nossa, tocando e entoando gritos de guerra, num nervoso jogo de handebol, contra a nossa arquinimiga PUC. Ao fim do jogo, mesmo com a PUC ganhando, alguns pucanos sacaram ovos e começaram a atirá-los na nossa torcida. Muita gente estava se machucando. A arquibancada se manchava de amarelo, correria. Alguns esquentadinhos da nossa torcida partiram para a agressão contra a PUC, e a rixa estava formada.&lt;br /&gt;Os ovos continuavam a voar na nossa direção. Pucanos vinham para cima querendo nos bater. Reinaldo organizou a defesa:&lt;br /&gt;- Se alguém chegar perto dos instrumentos vai apanhar!&lt;br /&gt;Ergui o pesado surdo acima da cabeça como um escudo para me proteger dos ovos, e empunhei a baqueta para acertar qualquer um que se aproximasse. Algumas meninas da faculdade logo se abrigaram atrás de mim e do surdo. Isso fez com que eu me sentisse um dos 300 de Esparta, a última linha de defesa contra os bárbaros. Aquelas meninas, as mulheres de nossa tribo, estavam dependendo de mim. O surdo era pesado, mas eu não podia esmorecer. Os ovos se chocavam inúteis contra o couro e o metal do meu surdo.&lt;br /&gt;Fechamos posição como uma falange, nenhum inimigo ousou se aproximar.&lt;br /&gt;Ao fim de batalha nos reagrupamos, estávamos todos bem. Ninguém havia se machucado e nenhum instrumento se quebrou.&lt;br /&gt;No ano seguinte entra para a Bateria um mestre profissional de samba, Alexandre, que nos mostrou como tocávamos mal, e trouxe um necessário apuro técnico ao nosso som. Ele nos ensinou muita coisa, como sambas-enredo e outros ritmos.&lt;br /&gt;E entre um ônibus e outro, de um estádio para outro, muitos calos, curativos e cervejas depois, acabei a faculdade em 2001, e saí da B.A.I.S.F. Era o final de três anos loucos e inesquecíveis de excursões, apresentações, gritos, batalhas, derrotas e vitórias, tudo como titular do surdo de segunda&lt;br /&gt;Em 2.003 leio a notícia de que o Centro Acadêmico XI de Agosto estava fechando uma cápsula do tempo com vários souvenires dos últimos anos. Ela se chamaria Arca do Centenário, ficaria por um século enterrada na calçada do Largo de São Francisco, e seria aberta somente em 2.103. Pensei, despretensiosamente, que teria sido bom ter feito alguma coisa digna de constar na Arca.&lt;br /&gt;Logo depois da Arca ter sido lacrada e sepultada no Largo, encontro por acaso com Reinaldo, o líder da B.A.I.S.F. Ele me diz:&lt;br /&gt;- Luiz, você viu? Colocaram uma foto do pessoal da B.A.I.S.F. dentro da Arca.&lt;br /&gt;- Sério? E nos estamos nela?&lt;br /&gt;- Todo mundo está.&lt;br /&gt;Aí lembrei que tinha sido até ingrato com a Bateria, quando pensei que não havia feito nada digno de constar na Arca. Eu participei da honrosa Bateria de Agravo de Instrumento da São Francisco, em plena passagem do milênio. Eu sou eterno. Os homens do séc. XXII vão saber dos meus feitos.&lt;br /&gt;Então, crianças do futuro, vamos combinar assim. Quando vocês abrirem a Arca do Centenário, em 2.103, e virem uma foto bem desbotada de um jovem estudante de Direito, branquelo e alto, sorridente e empunhando um enorme surdo, ao lado de outros rapazes e garotas valorosos, saibam que sou eu.&lt;br /&gt;E, se tudo der certo, talvez vocês olhem para o lado e vejam no meio da multidão um velhinho já bem encarquilhado, de bengala ou cadeira de rodas, do alto de seus 124 anos, cercado de netos, sorrindo e achando aquilo tudo o máximo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-9189419479945810351?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/9189419479945810351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=9189419479945810351&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9189419479945810351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9189419479945810351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/11/arca-do-centenrio.html' title='A Arca do Centenário'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1841936713813357109</id><published>2008-10-27T22:33:00.001-02:00</published><updated>2008-10-27T22:34:59.736-02:00</updated><title type='text'>Tempo</title><content type='html'>Continuo sem tempo para atualizar o blog. Quem tiver paciência, a ciência da paz, aguardará a minha volta. Courage!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1841936713813357109?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1841936713813357109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1841936713813357109&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1841936713813357109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1841936713813357109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/10/tempo.html' title='Tempo'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4515092309701024395</id><published>2008-08-04T22:45:00.002-03:00</published><updated>2008-08-04T22:50:27.859-03:00</updated><title type='text'>Polícia Secreta</title><content type='html'>Já era meu quinto dia de férias em Berlim, Alemanha, e o que era anunciado aconteceu. Eu e minha querida chegamos num impasse. Nossos caminhos iriam se separar. Antes que o leitor pense que narrarei um caso de amor que chega ao fim, é bom que eu explique o que se passou. Eu queria um programa mais cultural, e ela queria fazer compras. Só.&lt;br /&gt;Então, nos separamos. Ela ficou numa avenida de grandes magazines e lojas. E eu estava livre para procurar um museu ou exposição interessante.&lt;br /&gt;Peguei o U-Bahn, o metrô deles, e decidi ver algo do lado oriental da cidade, talvez um ponto histórico relacionado ao período de trevas totalitário. O guia de viagem dizia que, numa daquelas estações, existia um museu sobre a Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental, terrível máquina de controle dos comunistas.&lt;br /&gt;Uma caminhada após o desembarque do trem me leva até um prédio de aparência absolutamente ordinária. Não parecia ser ali. A dona de um quiosque de salsichas confirma que é lá mesmo. Visto do lobby, o lugar ainda não parece um museu. Pago a entrada e recebo um folheto do caixa, um senhor que parece meio espantado com a presença de um visitante.&lt;br /&gt;Enquanto subo a escada ao andar seguinte, onde começava a exposição, tento absorver o máximo de informações do folheto. O prédio foi o quartel-general da Stasi, sigla do Ministério de Segurança chefiado por Erich Mielke, um militante comunista guindado ao poder pelos soviéticos após a Segunda Guerra Mundial. Esse departamento do poder da Alemanha Oriental era tão secreto que ninguém da população em geral sabia onde era sua sede, um centro nervoso do terror, de onde essa mesma população era controlada e vigiada. Para um transeunte, ali se tratava de um mero edifício residencial, marrom, opaco e imperceptível.&lt;br /&gt;Circulo pelas salas. Numa haviam diversos objetos cotidianos transformados em aparelhos de espionagem. O guarda-chuva microfone. O cinzeiro que captava conversas. O chapéu com máquina fotográfica. Tudo muito James Bond.&lt;br /&gt;Uma outra sala exibia típicas bandeiras socialistas, com martelo e foice, flâmulas e estátuas. Ao centro, o principal estandarte continha os rostos de três barbudos. Reconheci Marx e Lênin, os pais daquela desgraça toda.  Se o melhor que o comunismo podia fazer de propaganda estava naquele cômodo, é fácil entender porque acabou. É muito sem graça e limitado. O capitalismo é mais criativo e colorido. Nossos ídolos são mais legais, até mesmo a Paris Hilton vence essas múmias antiquadas.&lt;br /&gt;Passei em seguida para uma sala de reuniões preservada. Uma mesa como de jantar, comprida. Um busto de Lênin, sempre ele, num canto. E um painel com um mapa das então duas Alemanhas na parede, e que podia ser escondido com dois anteparos de madeira. Típica coisa de filme de espião dos anos 60. Só faltava um vilão (Erich Mielke?)  na cabeceira da mesa, dando uma gargalhada, apontando o mapa e dizendo que iria conquistar o mundo.&lt;br /&gt;A sala seguinte era a do próprio chefe da polícia secreta. Sua mesa com telefone. Um cofre permitia que ele escondesse seus segredos ali mesmo. Deu uma raiva daquele homem, que destruiu a vida de tanta gente, mas que teve poder e provavelmente uma vida bem confortável.&lt;br /&gt;Antes de ir embora, fico sabendo que após a queda do Muro de Berlim, a casa caiu para Mielke. O bom povo alemão não deixaria barato aquela repressão toda. Na impossibilidade julgá-lo por fatos ocorridos nos tempos de comunismo, a Justiça alemã buscou uma saída. A velhice de Erich foi importunada com um processo criminal pelo assassinato de dois policiais ocorridos na década de 20, e até então impunes. O déspota passou uns anos na cadeia e morreu sabendo que ele e seu regime estavam no lixo da História.&lt;br /&gt;Pego o metrô de volta. Planejo descer em outra estação e ver uma rua chamada Karl Marx Alle, anunciada pelo guia como um exemplar do estilo arquitetônico soviético. Fico curioso.&lt;br /&gt;Já dentro do trem, no meio da viagem, percebo uma movimentação estranha. Dois sujeitos que pareciam passageiros pediam licença em meio à multidão, pedindo os bilhetes de todos. São prontamente obedecidos. Sinto um calafrio e entrego o meu. Eles o examinam e me dizem em inglês que meu ticket não estava validado. Sou convidado a descer da composição.&lt;br /&gt;Na plataforma eles me interrogam. Um deles é magro e mais sério. Outro é um gordinho mais paciente e simpático. São da segurança do metrô. Eles me explicam que meu bilhete é de três dias, mas deveria ter sido validado na entrada da estação. Não existem catracas em nenhuma parada do metrô berlinense.&lt;br /&gt;Digo que havia comprado meu bilhete no hotel (o que era verdade) e que não sabia que ele deveria ter sido validado (em termos – eu queria que o bilhete durasse pelo menos o meu tempo de estada em Berlim). O gordinho pergunta de onde sou. Eu mostro o passaporte brasileiro. Pergunta se eu falo alemão. Digo em inglês que não. Ele explica que é normal não saber das regras, complicadas para quem é de fora. Mas o problema é que meu bilhete era de fevereiro, e estávamos em maio. Eu poderia estar usando ele desde o começo do ano. O agente magro, enquanto isso, ficava no telefone, e percebi que falava com seus superiores do meu caso. Isso me deixava nervoso, e eu tentei disfarçar.&lt;br /&gt;Como é que a segurança do metrô andava à paisana? Esperava gente uniformizada.&lt;br /&gt;Perguntei ao gordinho:&lt;br /&gt;- Vocês são da segurança do metrô?&lt;br /&gt;- Ah, claro, desculpe. – Ele exibiu uma credencial pendurada no cinto.&lt;br /&gt;O agente magro continuava às voltas com seus superiores. O gordinho aguardava instruções do colega, mas era simpático o suficiente para puxar assunto comigo, perguntando sobre o Brasil, talvez para quebrar o gelo. A situação era meio tensa.&lt;br /&gt;Antes que o agente magro desligasse, lembrei de algo que podia me salvar:&lt;br /&gt;- Eu não estou usando o bilhete desde fevereiro, é impossível. Cheguei aqui há quatro dias. Olhem meu passaporte.&lt;br /&gt;O gordinho verifica que de fato desci em Frankfurt na data alegada.  Conversa com o colega, que desliga o telefone. Eles concluem que estou de boa-fé, e o gordinho adverte:&lt;br /&gt;- Olha, deveríamos lhe dar uma multa. Mas vamos levar você até a entrada da estação, o senhor valida o bilhete e pode voltar ao trem. E você já sabe a regra agora. Dito e feito, após eles me levarem até a máquina de validar, eles partem, intrépidos, em busca de outras fraudes no metrô.&lt;br /&gt;Desço na estação da Karl Marx Alle já sem muita vontade de passear. Sento num café, ainda um pouco nervoso, e olho os prédios padronizados na mesma altura e estilo. Lembrava Brasília.&lt;br /&gt;Pensava naquela tarde. À primeira vista, parecia estranha aquela queda pelo segredo, com agentes do metrô dando “incertas” em busca de passageiros fantasmas. Depois pareceu lógico. É um sistema de confiança, sem catracas. Todos tinham bilhetes, e ai de quem não tivesse, paga multa. Se eles usassem uniformes, não pegariam ninguém. Eles devem ter aprendido isso com o pessoal do lado oriental.&lt;br /&gt;Não poderia imaginar, mas fui alvo de técnicas da finada Stasi.&lt;br /&gt; Mais tarde entendi tudo. Se eles não deixaram nem o velho Erich Mielke em paz, aborrecendo-o com um processo por um crime de 70 anos atrás, porque deixariam escapar quem quer andar de metrô de graça?&lt;br /&gt;Lembrar nessa hora de meu país, com sua Justiça lenta e incerta, com suas chacinas e latrocínios, seus traficantes e políticos, só me deixava pior. Que diferença desta Alemanha! Só torcia para que as compras de minha mulher tivessem sido boas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4515092309701024395?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4515092309701024395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4515092309701024395&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4515092309701024395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4515092309701024395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/08/polcia-secreta.html' title='Polícia Secreta'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4279043548367707051</id><published>2008-07-31T11:16:00.000-03:00</published><updated>2008-07-31T11:26:51.934-03:00</updated><title type='text'>Delenda Mendes! - Uma fábula</title><content type='html'>Samuel era um tranqüilo cidadão de Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal. Ele estava confuso.  Já não entendia mais nada, o mundo estava perdido. Um dia recebeu a notícia de que um banqueiro, um tal de Daniel Dantas era o novo inimigo público número um, preso que fora pela Polícia Federal. Um “grande esquema”, “verdadeira quadrilha”, gritavam as manchetes. “É isso aí, cadeia neles”, pensou.&lt;br /&gt;Depois, no dia seguinte, ficou sabendo que o tal banqueiro foi soltou por um habeas corpus concedido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, o STF, o Excelentíssimo Ministro Gilmar Mendes.&lt;br /&gt;No terceiro dia, o Daniel Dantas, já seu íntimo de noticiário, foi preso de novo.&lt;br /&gt;E no quarto dia, ao invés de todos descansarem, o Gilmar Mendes soltou de novo Daniel Dantas. Como assim?&lt;br /&gt;Samuel já não podia acreditar na Justiça. Todos esses bandidos soltos. Outro dia mataram um menino de 18 anos na sua rua, dívida de droga. Cadê a polícia? Cadê o Gilmar Mendes para prender aqueles pistoleiros?&lt;br /&gt;Tentou esquecer o assunto por uns dias, mas era difícil. A comida descia sem gosto. O pagode não dava liga. Aí lê na revista Época a notícia que lhe dá um alento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A Central Única dos Trabalhadores (CUT) protocolou nesta sexta-feira (18) na Mesa Diretora do Senado um pedido de impeachment contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. O secretário de comunicação da CUT, Cícero Rola, informou que o pedido foi feito porque Mendes teria cometido crime de responsabilidade ao conceder dois habeas corpus consecutivos ao banqueiro Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha da Polícia Federal.&lt;br /&gt;´Pedimos o impeachment dele porque, a partir de agora, toda e qualquer decisão do Supremo dará margem a dúvidas para a sociedade´, disse. Ele afirmou também que a decisão de Gilmar Mendes atrapalhou as investigações da PF.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É isso. Eu sou um homem cioso dos meus deveres. Farei história. Eu vou pedir o impeachment do Presidente do Supremo, que nem o Barbosa Lima Sobrinho fez com o Collor”.&lt;br /&gt;Com alguma dificuldade, tateando seu caminho na velha máquina de escrever, Samuel datilografou em duas horas e três páginas (com mais uma cópia de contra-fé) um pedido para que Gilmar Mendes perdesse seu cargo de Ministro, endereçado ao próprio Supremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte Samuel enfrenta uma viagem de condução cansativa até a Praça dos Três Poderes. Caminha pela Esplanada dos Ministérios e adentra aquela solidão, de onde saem as grandes decisões dos destinos do país.&lt;br /&gt;Ele ultrapassa a estátua da Justiça, dá uma olhada para o pequeno Plenário do Supremo com esperança e desce até o primeiro dos prédios anexos. Informa-se com um segurança e descobre onde fica o Protocolo.&lt;br /&gt;Chegando lá, encontra uma fila enorme. Ele espera meia hora, e apresenta seu pedido no guichê. A servidora, um tanto enfastiada, o avisa:&lt;br /&gt;- Olha, aqui é o Protocolo Geral. A fila para pedido de impeachment é outra, ali, ó... – Ela aponta o corredor certo.&lt;br /&gt;Samuel vai ao local indicado, e encontra uma fila ainda maior que a anterior. Nessa ele fica uma hora. Chega sua vez. Está inseguro, pede confirmação à moça desse balcão:&lt;br /&gt;- Pedido de impeachment é aqui?&lt;br /&gt;- É, sim. É contra o Presidente do Supremo?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Puxa, é de fase. No mês passado foi contra o Presidente da República. Um montão de pedido...&lt;br /&gt;A moça faz o protocolo. A contra-fé é devolvida com um número.&lt;br /&gt;- O senhor acompanha o pedido com esse número. Tem acesso à Internet?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Então o senhor tem que vir aqui pessoalmente, com esse número, no Setor de Acompanhamento Processual, primeiro subsolo, toda vez que quiser saber do pedido.&lt;br /&gt;- Volto semana que vêm?&lt;br /&gt;A moça dá uma risada:&lt;br /&gt;- Ah, não, não é tão rápido. Volte mês que vem. Fale com a Gorete, no setor que eu falei.&lt;br /&gt;Samuel voltou para casa contemplando a sua contra-fé devidamente protocolizada. Era ele contra Gilmar Mendes. Mal podia esperar. Esperou pela notícia de seu pedido sair nos jornais, mas esses nada disseram. Outras notícias mais importantes tinham espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito e feito, no mês seguinte Samuel estava de volta à Brasília. Já conhecendo os meandros do poder, foi direto ao Acompanhamento Processual do Supremo. Haviam três servidores concentrados em pilhas de papéis. Perguntou pelo seu contato lá:&lt;br /&gt;- A Gorete está?&lt;br /&gt;Uma japonesa gordinha o olhou de trás de uma das pilhas, e veio em sua direção:&lt;br /&gt;- Sou eu.&lt;br /&gt;- Boa tarde. Eu fiz um pedido mês passado, um impeachment.&lt;br /&gt;- Certo. O senhor tem o número?&lt;br /&gt;Samuel entregou o papel amarfanhado, tantas vezes examinado com orgulho por sua família e amigos. Gorete digitou algo no computador e disse:&lt;br /&gt;- Está no Setor de Pessoal, terceiro subsolo do prédio II. Procure a Do Carmo.&lt;br /&gt;Nossa, que pancada, pensou Samuel. Se o processo está no Setor de Pessoal é porque já devem até estar assinando a demissão do homem.&lt;br /&gt;Foi ao outro prédio com o coração aos pulos. Outro setor, outros três servidores com pilhas de papéis. Só havia uma mulher, uma senhora magrinha:&lt;br /&gt;- A senhora é a Do Carmo?&lt;br /&gt;- Sim...&lt;br /&gt;- Eu tenho um processo. O número é esse (ele já estava escolado).&lt;br /&gt;Do Carmo aperta os olhos para enxergar o número e informa:&lt;br /&gt;- Veja, eu recebi esse pedido semana passada. Eles estão em ordem, são muitos (aponta a pilha). Estou fazendo eles na seqüência, vai demorar um pouco.&lt;br /&gt;- Quando eu volto?&lt;br /&gt;- Hmmm. O senhor vai vindo de vez em quando, uma hora vai...&lt;br /&gt;- Certo, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Samuel voltou mais quatro vezes no Supremo ao longo de dez meses. Sempre falando com a Do Carmo, e nada, e nada. Na quinta vez ela deu a notícia:&lt;br /&gt;- O processo foi arquivado.&lt;br /&gt;- Mas como? Ele já estava até aqui no Setor de Pessoal.&lt;br /&gt;- Na verdade, estou me lembrando desse caso. Cuidei dele semana passada. Ele veio para cá por engano. Esses pedidos são todos arquivados logo no começo. Recebemos 70 pedidos de impeachment toda semana, nossa Constituição permite, né? Excepcionalmente, por um erro no sistema, seu processo acabou durando, mas não é normal. Sinto muito.&lt;br /&gt;Samuel tentou discutir o andamento de seu processo, mas era inútil, tinha acabado.&lt;br /&gt;Ele estava arrasado, de cabeça quente. Não faria história, continuaria anônimo. Gilmar Mendes continuaria Ministro do Supremo. Passou pela estátua da Justiça no caminho de volta. Ela parecia sorrir para ele com escárnio. Chutou a base com raiva. Um segurança o prendeu em flagrante por dano ao patrimônio público.&lt;br /&gt;Na delegacia, Samuel sentiu um arrepio ao ver seu nome no alto da página do auto de prisão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INDICIADO: Samuel Mendes, brasileiro, solteiro, residente e domiciliado em Taguatinga, DF...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samuel só conseguia imaginar se o Ministro Gilmar Mendes ajudaria um xará sem parentesco com um habeas corpus.&lt;br /&gt;O advogado de Samuel, eficaz como o de Daniel Dantas, protocolou sucessivos habeas corpus, em diversos Tribunais, até que o processo chegasse ao Supremo.&lt;br /&gt;O relator, o Ministro Gilmar Mendes, se deu por suspeito de julgar, por razões de foro íntimo, não tinha a isenção necessária. Havia um pedido de impeachment do réu contra ele protocolado e arquivado alguns meses antes. Era um dos milhares de pedidos banais que atulharam a Justiça ao longo do ano. O pedido foi julgado por outro Ministro, que não concedeu a ordem. Samuel continuaria preso um bom tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Moral da história: Não trate a Justiça com pouco caso. Ela pode fazer um grande caso de você.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4279043548367707051?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4279043548367707051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4279043548367707051&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4279043548367707051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4279043548367707051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/07/delenda-mendes-uma-fbula.html' title='Delenda Mendes! - Uma fábula'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-429841998285444486</id><published>2008-07-14T15:42:00.000-03:00</published><updated>2008-07-14T15:45:17.339-03:00</updated><title type='text'>O Grande Tédio e o caderno de Cultura</title><content type='html'>Domingo. Vou ao Parque Burle Marx, aqui em São Paulo. Refúgio de verde em meio ao concreto. Anseio pelo cheiro de terra molhada e mato. Antevejo os esquilos furtivos cruzando as trilhas entre um trecho de bosque e outro.&lt;br /&gt;Paro o carro junto ao meio-fio, perto do parque. Junto a um poste há uma mulher em seus trinta e poucos anos, segurando uma placa de um empreendimento imobiliário. É um dos trabalhos mais cruéis e inúteis já criados pelos homens de marketing da Paulistânia. Lembro de ter visto uma dessas moças, em Santos, tombar desmaiada após horas no sol forte. Cruel. E inútil. Será que alguém compra um imóvel por causa dessas placas?&lt;br /&gt;Bom, a nossa heroína, guardiã perpétua da placa (pelo menos enquanto pago lanche e condução), estava lá, ao lado do carro, com absoluta cara de enfado, segurando seu estandarte (promessa de um lar com churrasqueira na varanda).&lt;br /&gt;Oba, pensei. Ela parada ali espanta os bandidos, ficando involuntariamente de olho no carro. Troco-me. Roupas de frio, uma pasta e os jornais do dia ficam no banco de trás.&lt;br /&gt;Faço meu passeio. Caminho. Aproveito a hora e o sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao carro. A moça ainda estava lá de pé, aguardando. Abaixo a cabeça num aceno, sem graça, e abro a porta. Ela me diz:&lt;br /&gt;- Moço, você poderia me dar...&lt;br /&gt;Lá vem. Não existe almoço grátis. Ela vai querer um troco por ter olhado o carro. Achei que fosse passar sem essa. O fim de frase foi surpreendente:&lt;br /&gt;- ... o caderno de cultura?&lt;br /&gt;Eu fico estupefato olhando para ela e depois reparo no banco de trás do carro. Aberto, destacando-se em meio à bagunça, estava o Caderno 2 – CULTURA do Estadão. Pego de surpresa, eu consigo apenas balbuciar uma desculpa:&lt;br /&gt;- Puxa, é que eu não li nada...&lt;br /&gt;- Está certo, moço. É que eu fico o dia inteiro aqui, sem fazer nada.&lt;br /&gt;Um pensamento egoísta me ocorre. “Poxa, mas justo o de Cultura?”. Eu nem tinha tocado no jornal ainda. Tudo é tão interessante no jornal de domingo. Mas era preciso fazer algo. Posso ficar sem as novidades de Esportes. Ela aceitaria? Não custa perguntar:&lt;br /&gt;- Desculpa, é que eu nem olhei o jornal ainda. Você quer o de Esportes?&lt;br /&gt;- Não, obrigado, eu só queria o Cultura mesmo. – Na mesma hora eu lembro da música: “A gente não quer só comida...”&lt;br /&gt;- Moça, mal mesmo. Fica para a próxima.&lt;br /&gt;Dou a partida no carro e vou para casa. Ela ficaria lá o resto do dia, sem ler nada, até ser rendida por seu capataz. Ou seria feitor?&lt;br /&gt;Só mais tarde um grande arrependimento me atingiria. Por que eu não dei a porcaria do caderno de Cultura para a moça da placa? Eu leio aquilo todo domingo, não tinha muito a perder.&lt;br /&gt;Para ela faria diferença. Imaginem o aborrecimento de ficar o dia inteiro de pé, de olho numa placa inanimada. Não há nem o perigo de que ela escape ou seja furtada, para agitar um pouco as coisas.&lt;br /&gt;Como na prisão, qualquer coisa te distrai. As pessoas que passam. Os carros na pista.  As folhas das árvores ao vento. As sombras estranhas formadas no chão. Os bichos rastejando no solo. As aves no céu. Até o conteúdo de um banco de trás de um carro ao lado. E nesse banco, um caderno de Cultura novinho, falando de TV, livros, peças de teatro e filmes.&lt;br /&gt;Provavelmente a moça da placa não tem dinheiro para ir no cinema, e a resenha de um filme talvez seja o mais próximo que ela chegará de um pouco de cultura ao vivo.&lt;br /&gt;Pensar nisso me angustiava. O caderno de Cultura que eu folhearia sem interesse por quinze minutos seria um dia com um pouco mais de brilho para a moça da placa. Lembrei da Lista de Schindler, filme sobre o industrial que salvou milhares de judeus do nazismo. Lamentava ele, numa das cenas finais, ao fugir ainda com algumas posses: “Com esse carro eu poderia ter salvo mais dez pessoas. Com esse anel eu poderia ter salvo mais uma...”.&lt;br /&gt;Ao jogar fora o jornal, no fim do dia, lamentei:&lt;br /&gt;- Ah, esse caderno de Cultura poderia ter tirado aquela moça do tédio. Esse caderno de Economia serviria de assunto no ponto para aquele taxista sem clientes. A página de Esportes talvez evitasse a soneca daquele balconista da loja às moscas, e que lhe custou o emprego.&lt;br /&gt;Olhei para o lixo uma última vez, preocupado com o Grande Tédio do mundo. São as longas tardes de domingo. Escurecia. O sol descia tímido entre as casas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-429841998285444486?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/429841998285444486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=429841998285444486&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/429841998285444486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/429841998285444486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/07/o-grande-tdio-e-o-caderno-de-cultura.html' title='O Grande Tédio e o caderno de Cultura'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4724294035329065615</id><published>2008-06-24T09:03:00.002-03:00</published><updated>2008-06-24T09:05:40.401-03:00</updated><title type='text'>Blog abandonado</title><content type='html'>Boi só cresce com o olho do dono mesmo... Passei hoje no blog e só tinha um comentário, tudo estava empoeirado, as janelas quebradas. Tinha até um grupo com fogueira acesa e fazendo um sarau. Vou tentar voltar, leitores, aguardem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4724294035329065615?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4724294035329065615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4724294035329065615&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4724294035329065615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4724294035329065615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/06/blog-abandonado.html' title='Blog abandonado'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3962549102978489912</id><published>2008-05-29T22:55:00.002-03:00</published><updated>2008-05-29T23:00:43.072-03:00</updated><title type='text'>Brasil, grau de investimento</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/SD9etA6JhHI/AAAAAAAAANo/2GNkVeh7jCQ/s1600-h/Pedinte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205983821694600306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/SD9etA6JhHI/AAAAAAAAANo/2GNkVeh7jCQ/s320/Pedinte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  Andava hoje eu pela Liberdade e deparei com um menino largado na sarjeta, com a mão esticada, pedindo esmolas. Tirei uma foto, cuidando para não mostrar seu rosto e não infringir o ECA (não sei fazer aquelas tarjas pretas no olho, sorry). A minha foto não saiu boa, então tomei a imagem acima de outro blog, só para ter algo para a legenda acima. Brasil, grau de investimento.&lt;br /&gt; O que quero dizer é que, apesar do risco-Brasil ter caído, e do nosso país ter virado "Investment Grade", o verdadeiro grau de investimento das ruas é outro. Moço, me paga um lanche. Moço, arranja um trocado. Moço, investe em mim.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3962549102978489912?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3962549102978489912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3962549102978489912&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3962549102978489912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3962549102978489912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/05/brasil-grau-de-investimento.html' title='Brasil, grau de investimento'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/SD9etA6JhHI/AAAAAAAAANo/2GNkVeh7jCQ/s72-c/Pedinte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4056437659301004713</id><published>2008-04-29T14:47:00.001-03:00</published><updated>2008-04-29T14:49:45.427-03:00</updated><title type='text'>As palavras necessárias</title><content type='html'>Para Domingos Módolo&lt;br /&gt;* 17/10/1932&lt;br /&gt;+ 25/04/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma sexta-feira. Recebo de manhã cedo a notícia de que meu avô, Domingos Módolo, o Mingo, havia morrido. Eu já sabia antes do telefone tocar. Foram quatro meses de vigília e luta contra um câncer.&lt;br /&gt;Na hora eu não choro. Mas sabia que iria fazê-lo assim que chegasse no velório. Vamos até Cerquilho, interior de São Paulo, cidade onde ele passou sua vida inteira.&lt;br /&gt;Recebo as condolências de parentes e de amigos dele. Passado o estranhamento inicial, ante meu luto, todos comentam como eu havia crescido. Gente que me carregou no colo.&lt;br /&gt;Minha avó Meire está arrasada. Nada a consola. Ela chora, desesperada, ante a perda do homem, companheiro, amigo, com o qual ela passou 53 anos, quase três vezes a vida que ela passou sozinha antes de conhecê-lo.&lt;br /&gt;As pequenas coisas começam a aparecer aos poucos. Não iremos mais pescar juntos. Não comerei mais seus sanduíches de lingüiça frita. Não lhe darei mais discos de música sertaneja no seu aniversário.&lt;br /&gt;Vamos perdendo muita coisa nessa vida e ganhando muito pouco em troca. Eu perco um modelo de homem e uma voz ao pé da rede. Ganho apenas uma lápide para visitar no Finados.&lt;br /&gt;As pessoas da vida inteira de Mingo se dirigem ao cemitério. Seguro uma das alças do caixão até o lugar que será sua morada até que a luz do Sol englobe a Terra.&lt;br /&gt;Um pedreiro silencioso preenche de tijolo e cimento o jazigo. Todos aguardam. Penso em lhes dirigir algumas palavras. Na minha cabeça passa o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em nome da família, quero agradecer a presença de todos vocês. O Mingo amou todos, e tenho certeza de que vocês o amavam. Ele não era figurão ou autoridade importante. Mas quero que vocês se lembrem sempre dele como alguém que viveu sua vida inteira aqui em Cerquilho, e que adorava esta cidade. Ele não gostava de sair daqui, nem de deixar sua casa. Ele trabalhou muito, incontáveis madrugadas, para vocês. Primeiro, por trinta anos como inspetor de alunos do Colégio Bernardes. Ele ajudou a educar vocês e muitos de seus filhos e netos. Depois ele assumiu a cantina da escola e ajudou a matar a fome dos alunos, professores e funcionários do Bernardes. E, após se aposentar, ele passou muito tempo preparando salgados para suas festas e para o comércio daqui. Muitos de vocês cresceram com a comida do Mingo. Obrigado a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falei nada. Vi os olhos daquela gente e vi que eles sabiam daquilo tudo. Comento com minha família sobre o que eu queria ter dito. Minha mãe me chama de lado após sairmos de lá e diz que meu avô tinha muito orgulho de mim, e teria gostado se eu tivesse falado aquilo.&lt;br /&gt;Na mesma noite, descobri que as palavras finais de meu avô foram mais belas e melhores do que qualquer coisa dita naquela tarde.&lt;br /&gt;Naquele mesmo dia, minha avó acordou de madrugada. Mingo tinha febre e não dormia direito há muito tempo. Ele pediu água. Seu corpo fervia. O termômetro marcava 38,8°.&lt;br /&gt;Ele apanhou o copo de sua mulher e engasgou no último gole. Ela o olhava apreensiva, angustiada. Você está bem, Nê? Você está bem, Nê?&lt;br /&gt;Ele percebeu que ali era o fim  de sua história. Ele estava em sua cama, em sua casa, em sua Cerquilho, nos braços da mulher amada, onde ele sempre quisera estar e terminar. Quantos homens eram assim abençoados? Um lampejo de lucidez o atingiu. Paz. Ele olhou para a mulher que amou por mais de 53 anos e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou bem. Eu estou muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus braços tombaram. Suas mãos se abriram e ele fechou os olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4056437659301004713?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4056437659301004713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4056437659301004713&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4056437659301004713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4056437659301004713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/04/as-palavras-necessrias.html' title='As palavras necessárias'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-7567915317000669985</id><published>2008-04-19T18:48:00.000-03:00</published><updated>2008-04-19T18:49:12.465-03:00</updated><title type='text'>Pequeno tratado misógino</title><content type='html'>Vou desenvolver uma idéia roubada da blogosfera. Eu até sei a fonte, mas vou preservá-la (sempre quis fazer isso, soa tão Todos os Homens do Presidente! Ademais, as coisas sempre são mais legais quando há  rumores sobre a origem de algo, e o mistério envolve em brumas a fonte cristalina da verdade, yes, que bonito).&lt;br /&gt;Dada a quantidade escassa de leite que pode ser tirada desta pedra, e à obviedade ululante das conclusões alcançadas, o espaço de uma crônica vai bastar.&lt;br /&gt;Mulher detesta mulher. Ponto. Passo a expor meus argumentos, narrando caso pessoal recente.&lt;br /&gt;Um amigo reencontrou após quase ano, num evento do escritório, uma colega bem querida. Bateram um papo, atualizaram as novidades. Ele achou bom revê-la. Já em casa, ao narrar seu dia, comentou casualmente à sua mulher:&lt;br /&gt;- Ah, sabe quem estava lá hoje ? A Bianca (nome fictício, continuo preservando minhas fontes). Ela é muito gente boa.&lt;br /&gt;- Hmmm, legal.&lt;br /&gt;- Poxa, fazia tempo que não a via. Mesmo assim, retomamos a conversa do mesmo ponto...&lt;br /&gt;- Você está querendo comer ela?&lt;br /&gt;- O que é isso, bem? Ela é casada... Que ciúme.&lt;br /&gt;Ele teve que sair da cozinha antes que o rolo de macarrão acertasse sua cabeça.&lt;br /&gt;Não adianta, pode ser quem for. Elas não se bicam. Fale bem de uma mulher para a sua e seu fim está decretado. Você pode até parabenizar as habilidades gerenciais de uma ministra ou deputada, mas sua mulher vai achar que estás de olho nela.&lt;br /&gt;Algumas obviedades. Os homens heterossexuais gostam de mulher. As mulheres heterossexuais quer que os homens gostem de mulher, afinal, sobraram tão poucos. Mas se um deles declarar aos brados que gostaria de ser um garanhão, um comedor, que seu sonho é dormir com duas (ou três) mulheres ao mesmo tempo, quiçá um time de futebol feminino antes de virar para o lado e dormir, ou que ele gostaria de virar mórmon ou sultão, para poder dividir seu espaço com três ou quatro fêmeas, ele está acabado para qualquer mulher que o ouça.&lt;br /&gt;Nunca vi uma mulher elogiando outra mulher. Claro, já ouvi uma falando bem das unhas ou do cabelo de outra, esses detalhes, mas, para quem não sabe, é tudo fingimento, é tudo mentira. Se a outra ficou mais bonita, ela é um perigo, uma ameaça, vai roubar seu homem ou diminuir a oferta de solteiros na praça, sirigaita ordinária!&lt;br /&gt;Do contrário, os homens conseguem se elogiar. O comedor é o macho alfa, o garanhão, todo mundo gosta dele. Não vai roubar o espaço de ninguém, tem para todos (exceto na China, onde mulheres são minoria).&lt;br /&gt;Sobre os outros assuntos, um homem consegue admirar um outro homem com sinceridade. Quem nunca viu o Faustão dizer com veemência que algum artista é um monstro sagrado, muito talentoso? Na política temos os nossos ídolos, podemos elogiar um governador, um presidente.&lt;br /&gt;Agora, prestem atenção no que direi. Podem procurar todo o arquivo do New York Times. Leiam todos os compêndios históricos. Folheiem os tomos empoeirados da Barsa e da Britânica. E constatem: jamais uma mulher falou que iria votar numa candidata por admirar suas idéias ou sua competência. Seria demais admitir que outra mulher é melhor.&lt;br /&gt;E tenho dito. E se elas não gostarem, que se danem. Eu, Suzana Bandeira, assino embaixo e sustento o que digo. O que elas vão fazer? Acertar-me com unhadas ou puxar meu cabelo? Que venham, suas ordinárias, eu acabo com vocês...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-7567915317000669985?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/7567915317000669985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=7567915317000669985&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7567915317000669985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7567915317000669985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/04/pequeno-tratado-misgino.html' title='Pequeno tratado misógino'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-2822611703873569923</id><published>2008-03-01T17:46:00.000-03:00</published><updated>2008-03-01T17:48:43.518-03:00</updated><title type='text'>As intermitências do riso</title><content type='html'>- O senhor entra em três minutos, seu Paulo.&lt;br /&gt;- Certo. Temos casa cheia?&lt;br /&gt;- Lotada.&lt;br /&gt;Paulo Geraldo, ator consagrado nos teatros brasileiros, recebe os últimos retoques em sua maquiagem. Logo ele está sozinho no camarim de um luxuoso hotel paulistano, após o assistente e a maquiadora saírem. Gosta daquele minuto silencioso antes do espetáculo. Não há muito o que pensar, bastará apenas fazer o que sempre fez.&lt;br /&gt;Até esqueceu de quando as coisas não eram fáceis. O sucesso o acompanha sem reclamar ou pedir aumento há anos. As platéias do teatro brasileiro são fáceis de lidar. Riem de tudo, e sempre aplaudem de pé ao final. Até mesmo quando o texto é uma porcaria, como aquele que iria recitar. Só topou fazer a peça por causa do patrocínio gordo, de um laboratório qualquer. A fraqueza da autora não impediu uma temporada lotada.&lt;br /&gt;A peça é um monólogo onde ele vive um senhor de idade solitário que irá refletir durante uma hora sobre a vida e a morte. Reflexões muito chinfrins, aliás. A autora parece ter misturado um resumo de Nietzsche com momentos cômicos à la Moliére. Péssimo.&lt;br /&gt;A peça já começa com um termo calão. “Que merda”, diz seu personagem. Parece que não seria do agrado do público. Mas houve uma sessão em que a tal da merda fez um sujeito na primeira fila gargalhar, o que espalhou ondas de riso pela platéia inteira. Riram até o final e aplaudiram até as mãos cansarem. Brasileiro gosta de tudo. Gostaram até da Yoko Ono e de sua performance ridícula no Municipal.&lt;br /&gt;Hoje não vai ser diferente.&lt;br /&gt;É chegada a hora. Paulo Geraldo entra no palco. Aplausos. Ele senta na poltrona a ele destinada. Emposta a voz grave, fica sério para antecipar os risos que virão, e profere a frase:&lt;br /&gt;- Que merda.&lt;br /&gt;Mas, desta vez, ninguém ri. Um gaiato na última fila ainda puxa um pigarro do fundo da garganta, que ecoa no silêncio e na escuridão.&lt;br /&gt;Bom, diferente. Devem ter tido algum problema na entrada, vai ver a bilheteria fez confusão com os ingressos e lugares. A peça tem que seguir. Quero ver eles não rirem com a próxima:&lt;br /&gt;- Quando ela me deixou, não ficou nem o papagaio.&lt;br /&gt;Mais uma vez, ninguém riu. Paulo Geraldo segue com suas falas. Pouco tempo depois, consegue divisar no escuro do teatro que um moço dorme a sono alto na terceira fila. Na oitava, uma senhora parece mexer nos botões de seu celular, sem dar muita atenção aos impropérios de seu personagem.&lt;br /&gt;Falas e mais falas. O ator se esforça. Insere “cacos” cômicos no monólogo. Nada. A platéia não ri, não reage, água gelada corre nas suas veias indiferentes, parecem suíços. Há um velho de braços cruzados e olhando fixamente para ele da segunda fila, com ódio no rosto vincado de rugas. Um casal jovem cochicha, olhando de soslaio, e consegue dali entender da conversa deles que eles parecem repetir o início da peça, “que merda”, “que merda”, mas não porque estejam gostando.&lt;br /&gt;Outros cinco minutos passam. Um homem de meia-idade se levanta com estrépito e sai do teatro furibundo. Logo é seguido pelo casal que cochichava. Um outro homem magro sai também, esse em silêncio discreto.&lt;br /&gt;E o inimaginável acontece. Do fundo do teatro, protegido pelo escuro e em meio à distração causada pelos que preferiram sair, um projétil faz um trajetória em parábola e atinge Paulo Geraldo em cheio no peito. Sua camisa se empapa de vermelho.&lt;br /&gt;Ele não acredita que foi atingido. Apalpa o tórax e sente algo quente e mole escorrendo em direção ao abdômen. Não é seu sangue, e sim um tomate madurinho. Mas quem traria um tomate ao teatro? De onde ele teria saído?&lt;br /&gt;Deveria dar uma bronca na platéia e interromper tudo. Mas era melhor ser profissional. Usou as mãos para remover os pedaços do tomate e fingiu que nada tinha acontecido. Só esperava que a platéia fosse solidária com seu esforço e com o desrespeito que sofrera. Seguiu com a próxima fala:&lt;br /&gt;- Carnaval é coisa de gentinha.&lt;br /&gt;Mais gente se levantou e saiu. O pessoal do fundo começou a puxar uma vaia, que logo se espalhou pelo teatro como um tsunami.&lt;br /&gt;Mas isso não deve acontecer desde a semana de Arte Moderna, este ultraje, esta infâmia. Uma lata meio cheia de cerveja voa na direção de Paulo Geraldo, e não o atinge por pouco. O pano cai. Um assistente resgata o ator do palco. Outros objetos atingem a cortina pesada.&lt;br /&gt;Do camarim Paulo escuta urros indistintos da platéia e gritos de dor. Parece que a segurança do hotel está enfrentando os espectadores.&lt;br /&gt;Sua assistente se aproxima para limpar a camisa suja de tomate. Ele a afasta com um palavrão. Ele mesmo vai limpar isso. Ela sai do camarim.&lt;br /&gt;O que será que aconteceu? O ator se pergunta enquanto esfrega com um pano a camisa manchada. Teriam os brasileiros, afinal, de uma hora para outra, adquirido senso crítico? Não iriam mais eles aplaudir de pé qualquer porcaria? Não iriam dar mais seu dinheiro aos medalhões e monstros sagrados consagrados como ele? Seria o fim do teatro nacional?&lt;br /&gt;Força a memória. Está o ator a achar que o tomate voou na hora em que ele fez aquele merchandising mal disfarçado de um purgante fabricado pelo laboratório patrocinador, mas não tem certeza, é tarde para saber.&lt;br /&gt;A temporada acabou. Pelo menos não teria mais que recitar aquele texto ruim, ele sim, uma merda. A autora teria que rezar para ainda ter seu emprego de volta no jornal, como copidesque.&lt;br /&gt;Havia algo que lhe intrigaria por muito tempo. Por que alguém levaria um tomate ao teatro?&lt;br /&gt;Paulo Geraldo sai pelos fundos do hotel e pega seu carro, escapa veloz. Mesmo dali podia ouvir gritos e o som de madeira se partindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-2822611703873569923?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/2822611703873569923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=2822611703873569923&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2822611703873569923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2822611703873569923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/03/as-intermitncias-do-riso.html' title='As intermitências do riso'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-2422792903260002985</id><published>2008-02-26T09:48:00.000-03:00</published><updated>2008-02-26T09:49:53.929-03:00</updated><title type='text'>Uma cena simples</title><content type='html'>Era para ser uma cena simples.&lt;br /&gt;Num casarão de um subúrbio parisiense (que na verdade era uma vila locada na Espanha) um casal discute sua relação. A câmera, erguida por uma grua, entraria lentamente pela janela, invadindo a intimidade das duas pessoas, saindo de um plano geral da vizinhança para um plano fechado. Foco no rosto de uma mulher jovem, com trajes da virada do século XIX ao XX, que devia apenas dizer: “Esse trem você perdeu, François”.&lt;br /&gt;Os atores estão em sua marcação. Tudo está pronto.&lt;br /&gt;O diretor não é de gritar ação. Com uma aceno de cabeça ele dá a ordem para que tudo comece. Um assistente plantado na janela acena para o operador de câmera do lado de fora da casa, que conduz, com precisão cirúrgica, a enorme câmera através da abertura, sem encostar em nada. As lentes se aproximam da atriz. A frase começa a se articular em seus lábios:&lt;br /&gt;- Esse trem você perdeu...&lt;br /&gt;E a atriz explode numa gargalhada. A sentença perde seu complemento, François. O próprio François não ousa sair do personagem, e segue com a fala que lhe é esperada. Ela leva as mãos à cabeça, vermelha, rindo. Cobre a boca com as costas da mão direita. Seu companheiro de cena ensaia prosseguir com tudo, mas um grito os interrompe:&lt;br /&gt;- Corta.&lt;br /&gt;A atriz, ainda emitindo pequenos risinhos, dirige-se ao diretor:&lt;br /&gt;- Desculpe, lembrei de uma coisa. Vamos tentar de novo. – Ele é todo seriedade:&lt;br /&gt;- Está bem. Câmera de volta ao lugar. Dois minutos.&lt;br /&gt;Após o tempo marcado, nova ordem para que tudo recomece. Todos em seus lugares. A câmera atravessa a janela e faz o close. A atriz lança a frase esperada:&lt;br /&gt;- Esse trem você perdeu...&lt;br /&gt;E começa a rir de novo. Da primeira vez ela até sabia porque estava rindo, mas prefere não pensar nisso. Agora ri pela lembrança de ter rido. Ri um riso imemorial. Ri tanto, até chegar ao ponto de nem lembrar mais do que estava rindo. Deviam ser aquela roupas de época apertadas, o calor espanhol, aquele diretor meio calvo e sem humor.&lt;br /&gt;O companheiro de cena, desta vez, nem tenta salvar a tomada. O diretor, de cabeça baixa, apenas acena com a mão para sua equipe, que desliga tudo. A câmera na grua se encolhe e sai do casarão, como um animal ferido de volta à toca escura e úmida, com a graça de uma serpente.&lt;br /&gt;O diretor volta ao seu assento. A cena não é difícil, mas se não é feita de uma vez atrasa tudo, por causa da câmera vinda da rua. O duro é que não podia falar nada para a atriz. Tratava-se de Lucille Adams, uma americana canastrona. Mas era linda e loira, com os seios mais fartos a jamais preencher a tela grande desde Jane Mansfield. Garantia de bilheteria, estrela em ascensão. O filme era apenas um veículo para que ela desfilasse em roupas da Belle Époque, com o busto farto apertado num espartilho, ofertando um decote generoso.&lt;br /&gt;E ele era apenas o diretor contratado, um zé-ninguém. O roteiro não era seu, nem o dinheiro da produção. Estava ali para cumprir ordens. Mas a idéia da cena no casarão era sua, com a câmera vindo de fora.&lt;br /&gt;Lucille ainda dava seus risinhos. Tinha vontade de esganá-la. Se fosse o tal a fazer o François a estragar sua cena o mandaria embora do set na base do porrete. Tinha que reconhecer que o rapaz ainda tentou manter o personagem, e não riu com ela. Só estrelas podem estragar cenas. Atores substituíveis têm mais é que ficar quietos.&lt;br /&gt;Tudo pronto, avisa o operador de câmera. Lucille está séria, ao que parece. Então vai, manda o diretor.&lt;br /&gt;A câmera se eleva. O casarão se aproxima. A janela é ultrapassada. O belo rosto e os seios de Lucille já despontam no horizonte. Ela tem o semblante grave, sua personagem vai dizer o que lhe atormenta há tempos:&lt;br /&gt;- Esse trem você perdeu, François.&lt;br /&gt;Mas antes que um atônito François responda, Lucille explode em riso novamente. Perdigotos voam na direção de François, que ensaia manter sua parte. O diretor interrompe tudo de novo. Sem ordem alguma a câmera se recolhe, veloz, roçando a cortina. A equipe se movimenta pela locação.&lt;br /&gt;De sua cadeira o diretor afunda o rosto nas mãos. Lucille pede desculpas, mas não para de rir. Ele tem vontade de mandá-la ao inferno, mas isso acabaria com sua carreira. Nem sempre é o diretor que manda. Ele era apenas um técnico ali. A platéia quer ver Lucille na tela, e não ele. Seu colega Billy Wilder uma vez disse que Marilyn Monroe era uma estrela difícil de lidar, tinha que fazer a mesma cena com ela dezenas de vezes. Com sua tia húngara Billy poderia fazer a cena uma vez só, mas ninguém queria assistir a tia húngara nas telas, eles queriam Marilyn.&lt;br /&gt;O diretor de fotografia se aproxima, e sussurra ao diretor:&lt;br /&gt;- Se isto te consola, todo este material vai ficar ótimo nos extras do DVD, nos erros de gravação.&lt;br /&gt;O diretor esfrega os olhos, se levanta. Pergunta se está tudo pronto. Pela primeira vez no dia grita ação. Agora vai. Tinham o dia inteiro. Tinham vários dias de filmagem adiante. A mesma cena de novo, e de novo, e de novo.&lt;br /&gt;Não podia ser tão ruim. Pelo menos apreciaria Lucille Adams em roupas de época e espartilho, mostrando aquilo tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-2422792903260002985?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/2422792903260002985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=2422792903260002985&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2422792903260002985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2422792903260002985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/02/uma-cena-simples.html' title='Uma cena simples'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3653372592296831786</id><published>2008-02-18T23:59:00.000-03:00</published><updated>2008-02-19T00:01:42.841-03:00</updated><title type='text'>Blitz</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R7pGe9MDpwI/AAAAAAAAANg/qfx51TjjKRE/s1600-h/cranach_efe.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168521019996219138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R7pGe9MDpwI/AAAAAAAAANg/qfx51TjjKRE/s320/cranach_efe.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Um dia eu embarquei no metrô de Londres, Inglaterra. Chamam ele de Tube, o Tubo. Achei um espaço para sentar. A cada parada uma voz metálica e automática anunciava a estação seguinte e o destino final. Numa das estações entra uma velhinha estilo vovozinha, cabelo branco arrumado num coque, roupas fora de moda, meio carrancuda. Ela traz uma bengala e quase me acerta com ela na cabeça, exigindo meu lugar.&lt;br /&gt;Ela foi mais rápida que minha educação. Eu prontamente levanto. Ela senta, sem agradecer, com um ar de quem lamenta essa juventude mal-educada de hoje, e uma interjeição de desprezo, oh Lord!&lt;br /&gt;Passo a imaginar. Vou chamá-la de miss Suzy. Ela era jovem durante a Segunda Guerra Mundial. Provavelmente vivia em Londres mesmo. Deve ter se escondido das bombas e foguetes alemães. Ouviu as sirenes ecoarem de madrugada, o coração batendo forte de pavor. Sempre aquele cheiro de fumaça e o calor do fogo próximo. Guardava cupons de racionamento.&lt;br /&gt;Miss Suzy comia mal, vivia mal. Talvez tenha perdido um irmão ou o próprio marido no front. Pode até mancar e usar bengala por ter recebido um estilhaço ou bala perdida na perna. Viu corpos e rostos mutilados largados na rua. Ratos do tamanho de cachorros arrastando cadáveres nas ruas bombardeadas. Edifícios transformados em esculturas de ferro e concreto retorcido. Ribombar constante na distância.&lt;br /&gt;A Blitz é a grande obsessão inglesa. Eles nunca vão esquecer, a lembrança passará de pai para filho pela eternidade.&lt;br /&gt;Nossa personagem, miss Suzy, pode ser uma mulher que viu muito coisa. Estou apenas imaginando.Vive sua vida, às turras apenas com os jovens como eu, sem receber muita atenção do governo ou dos outros.&lt;br /&gt;Mas há gente preocupada com ela. Os diretores do metrô.&lt;br /&gt;Um museu londrino quer anunciar uma exposição de quadros de Lucas Cranach, mestre renascentista alemão. Prepara um cartaz com uma de suas obras, um nu feminino que retrata a deusa da beleza Vênus. Mas o material publicitário não vai ser exposto no metrô de Londres. Os responsáveis, sempre eles, acharam que o quadro poderia ferir alguma suscetibilidade. Uma mulher pelada daquelas poderia ofender miss Suzy.&lt;br /&gt;Lucas Cranach viveu entre 1.472 e 1.553. Ao pintar o quadro, deve ter se preocupado no máximo com a sensibilidade de algum padre ou bispo. Mas parece que não os incomodou a este ponto. Viveu quase 82 anos, pintando seus quadros e criando. Se tivesse sido tão incômodo não teria durado muito, nem sua arte.&lt;br /&gt;Muitas das obras de Cranach são mais velhas que o descobrimento da América. O mundo rodou muito desde então. Sequer poderia o mestre imaginar que ele seria censurado cinco séculos depois. Justo ele, justo sua Vênus.&lt;br /&gt;O que o Metrô de Londres fez foi uma piada de mal gosto. Gente ignorante! Botocudos! Boçais!&lt;br /&gt;Dirigentes do Tube, não se preocupem com miss Suzy. Garanto que ela já viu coisa muito pior. Não vai se chocar com uma pintura velha de quinhentos anos de uma deusa nua. Ela sabe se defender e não carrega bengala à toa. A Blitz foi a coisa mais obscena que ela já viu e jamais verá pelo resto de seus dias. Exceto, talvez, esse desrespeito à arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3653372592296831786?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3653372592296831786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3653372592296831786&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3653372592296831786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3653372592296831786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/02/blitz.html' title='Blitz'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R7pGe9MDpwI/AAAAAAAAANg/qfx51TjjKRE/s72-c/cranach_efe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-2021414028810897138</id><published>2008-02-14T09:50:00.001-02:00</published><updated>2008-02-14T09:52:34.907-02:00</updated><title type='text'>Testemunho</title><content type='html'>- Nome?&lt;br /&gt;- Edmundo Passos.&lt;br /&gt;- Idade?&lt;br /&gt;- 56 anos.&lt;br /&gt;- Profissão?&lt;br /&gt;- Sargento da PM. Aposentado.&lt;br /&gt;- Natural de?&lt;br /&gt;- Aqui de São Paulo mesmo.&lt;br /&gt;- Aceita a presença do réu na sala na hora do testemunho?&lt;br /&gt;- Vou dar uma pensada, ok?&lt;br /&gt;- Está bem. Um pouco antes da hora eu pergunto de novo. Agora é só aguardar.&lt;br /&gt;Edmundo cofiou o bigode branco e procurou um lugar para sentar. Estava no fórum criminal, aguardando sua vez de testemunhar num caso de assalto à mão armada que tinha visto dois anos atrás. A escrevente, auxiliar do juiz, pegou seus dados pessoais.&lt;br /&gt;Naquele dia estava num posto de gasolina abastecendo seu Monza, aposentado há apenas um ano, sentindo falta de ação, como sempre. Admirava um Citroën preto parado ao lado, belo carro. Nele havia um jovem casal. O motorista não tinha mais que vinte anos, escutavam música alta, pareciam felizes. Surgidos do nada, dois animais raivosos, de cara limpa, imberbes, provavelmente drogados, apontaram suas armas para os jovens e anunciaram o assalto, com um berro. Eles desceram do carro, assustados, e os bandidos assumiram a direção, cantando pneus e arrancando do posto.&lt;br /&gt;Edmundo não pôde fazer nada, já não andava armado. Não hesitaria. Passaria fogo nos dois, só cuidando de não atirar com gente na linha de tiro, e assim que saíssem do posto, para evitar uma explosão. Vagabundo tem que morrer.&lt;br /&gt;Foi rápido, mas não esqueceu da cara deles. Poderia apontá-los em meio a uma multidão, um milhão de anos depois. Era bom fisionomista.&lt;br /&gt;A moça chorava. O namorado, apesar de assustado, se esforçava para consolá-la. Conversou com os dois, prestando a solidariedade possível nessas horas. Foi depor na delegacia em seguida. Ajudou a fazer um retrato falado. Na mesma madrugada os dois foram presos ao tentar escapar de uma barreira policial, e bateram o carro. Menos mal, o veículo tinha seguro. Foi chamado de novo ao distrito, onde os reconheceu.&lt;br /&gt;Tinha um caso completo nas mãos, e hoje ele terminava. Seria fácil. Ajudaria a tirá-los de circulação, justiça seria feita.&lt;br /&gt;Circulou, ainda em busca de um assento. Havia uma sala de testemunhas. O jovem casal do Citroën estava lá, aguardando ansiosos a vez. Preferiu não sentar com eles. Não queria influências recíprocas no que iriam dizer. Edmundo ficou de pé, encostado do lado de fora. Dali podia ver uma senhora negra com semblante arrasado. Poderia ser até a mãe de um dos acusados. Azar dela. Provavelmente iria dizer que ele sempre foi um bom menino, que nunca deu trabalho. Ótimo. Mas naquela noite o bom menino pegou uma arma e podia ter matado um jovem da mesma idade que ele. À toa, por causa de um carro que ele iria vender num desmanche a preço de banana.&lt;br /&gt;Passa uma fila de presos, algemados uns aos outros, de chinelos e calças bege, escoltados por policiais armados de espingardas. Eles já estão condenados, mesmo que escapem de qualquer coisa que o Estado os acuse.&lt;br /&gt;Edmundo tinha ainda uma questão nas mãos. Queria ou não a presença dos acusados na sala de audiência? Foi policial, lidou várias vezes com aqueles tipos. Na ativa depôs em vários fóruns como aquele, confirmando os flagrantes, sem se importar se os réus estavam ou não na sala. Eles que viessem se meter com ele, sabia se cuidar, veriam só.&lt;br /&gt;Mas agora estava aposentado. Não tinha obrigação nenhuma de se expor. Se eles tiverem comparsas ou um dia forem soltos, estaria sozinho. O Estado ou a PM não viriam ajudá-lo. Mas achava que se esconder não era coisa de homem. Já tinha enfrentado coisas muito piores, em todos os seus anos na corporação.&lt;br /&gt;Observava, quieto, a arquitetura do fórum. Escutou certa vez que aquilo era para ter sido um hospital. Corredores muito amplos, pé-direito alto. De onde estava se viam os dutos de ar-condicionado. Diz a lenda que um juiz dali já pegou tuberculose ao respirar o ar infectado que circulou da carceragem para sua sala.&lt;br /&gt;Queria ou não o réu na sala de audiência? Passou uma hora refletindo sobre o tema.&lt;br /&gt;Ainda pensava nisso quando a escrevente veio chamá-lo. Ela perguntou de novo. Não, ele não queria o réu na sala. Iria apontá-lo através de uma fresta na porta. O fato de ter sido policial não iria ajudá-lo se as coisas piorassem. Estava sozinho nessa. A corporação não era mais parte de sua vida.&lt;br /&gt;Edmundo ficou atrás da porta, esperando o momento. Apontou quem devia apontar. Ainda entrou meio envergonhado na sala, após a saída dos réus, para contar sua versão dos fatos ao juiz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-2021414028810897138?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/2021414028810897138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=2021414028810897138&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2021414028810897138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2021414028810897138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/02/testemunho.html' title='Testemunho'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-2559113833916608808</id><published>2008-02-13T09:54:00.000-02:00</published><updated>2008-02-13T09:55:43.599-02:00</updated><title type='text'>Uma mulher cosmopolita</title><content type='html'>Clarice Estrela adora o cheiro de coisa nova. De carro, achava bom. Mas o de um novo lugar para morar era o melhor. Seu apartamento cheirava à tinta que secava nas paredes e o aroma da cola que fixou o carpete no chão impregnava o ar. Batalhou muito por seu canto. E o melhor, na região mais cosmopolita de São Paulo. Cosmopolita como ela, que tinha bom gosto, lia revistas modernas e se informava sobre o mundo, mas nunca tinha saído do Brasil. Tinha grandes planos para aquele lugar.&lt;br /&gt;Mas Clarice estava nervosa com a mudança. Havia muito o que fazer. Muitas coisas para comprar e móveis que pediam uma posição. Lamentava que seu marido não pudesse ajudá-la. Empresário, vivia às voltas com sua padaria e não tinha tempo para a vida doméstica, e para os aborrecidos detalhes de um lar neófito.&lt;br /&gt;Após um tempo a rotina já se impunha. Clarice ia trabalhar, voltava para a casa quase nua e não gostava do que via. Seu homem nunca estava lá. Ela teria que se enturmar com os vizinhos. Logo percebeu que aquela era mesmo a região mais européia da cidade de São Paulo. Haviam muitos suíços, escandinavos, alemães, e respectivos descendentes no prédio.&lt;br /&gt;Um dia toca sua campainha. É uma mulher charmosa e magra, de meia-idade, com cara de gringa. Ela diz ser a vizinha do apartamento ao lado, se chama Kirsten. Clarice a convida para um lanche. Trocam muitas idéias. Ela é dinamarquesa, como o nome já havia entregado, e é casada com Peter, alemão que ela logo conheceria, homem com a constituição física de um boi, de voz alta e capaz de tomar litros de cerveja sem se abalar. Os dois falam português sem sotaque.&lt;br /&gt;Ficam amigas. Kirsten é dona de casa, tem muito tempo livre e começa a visitar Clarice nos fins de tarde. Ela lhe conta sobre a vida na Europa e sobre os hábitos dos europeus radicados no Brasil. Algumas coisas são bem diferentes daqui. Os dias lá parecem mais curtos, o tempo é frio e é raro que o sol dê as caras. Até a indumentária é diferente. Kirsten estava sempre à vontade, com shorts curtos e camiseta. Parecia sempre estar pronta para o turismo. Faltava só um mochilão e talvez uma câmera pendurada no pescoço, como se estivesse em Foz do Iguaçu. Havia vezes em que Clarice podia escutar pelas paredes os gritos em dinamarquês que Kirsten dirigia ao cachorro. Parecia ser uma mulher agitada.&lt;br /&gt;Certo dia Clarice ainda lamentava a aridez desértica de sua varanda. Kirsten se dispôs a ir com ela numa loja de jardinagem da região. Pegaram o carro.&lt;br /&gt;Era um dia nublado, detalhe a ser guardado.&lt;br /&gt;A loja era boa e variada. Clarice encontrou uma samambaia simpática e vasos de plantinhas verdes que ficariam bem no seu terraço. Pagou, e um rapaz se adiantou levando as compras num carrinho. Kirsten saiu na frente, seguindo o carrinho e o moço.&lt;br /&gt;Clarice ainda guardava a carteira na bolsa, se atrasa um pouco. Sai da loja e vê Kirsten deitada, em verdade esparramada é a palavra, num pequeno jardim de grama. Esparsos raios de sol encontraram brechas entre as nuvens e pareciam bafejar Kirsten no único espaço disponível no verde. Ela parecia feliz, a testa franzida pelo sol.&lt;br /&gt;“Esses estrangeiros”, pensou Clarice. Mesmo vivendo há muito tempo em nosso país tropical, eles ainda tem esse trauma da falta de sol de seus países. Não sabe se teria esse desprendimento de deitar na grama na frente de todos só para se bronzear. Eles são diferentes mesmo. Só espero que ela não invente de fazer um topless. Mas não poderia parecer preconceituosa. Sua fama de intolerante se espalharia entre os vizinhos gringos do prédio rápida como a gripe aviária. Estava morando agora na região mais cosmopolita de São Paulo, não podia confessar que nunca tinha visto esse tipo de coisa.&lt;br /&gt;Clarice tentou soar simpática e acostumada àquilo, como se não fosse nada de mais:&lt;br /&gt;- Oi Kirsten, tomando um solzinho?&lt;br /&gt;A dinamarquesa faz uma careta de dor, curva-se em direção aos joelhos e aperta-os contra seu corpo:&lt;br /&gt;- Tomando sol? Eu tropecei e caí na grama.&lt;br /&gt;Clarice cora de vergonha e corre para ajudá-la. Ajuda a erguer Kirsten. O rapaz que levava as compras também larga tudo para dar uma força. Outros clientes da loja apenas olham. Kirsten tem os joelhos vermelhos, e as costas da camiseta sujas de grama e terra. Manca com dor até o carro, mas não é nada grave.&lt;br /&gt;Clarice dirige de volta ao prédio e tenta se explicar:&lt;br /&gt;- Puxa, Kirsten. Eu achei que você tinha resolvido aproveitar o sol que saiu...&lt;br /&gt;- Sua doida. Você acha que eu ia deitar na grama suja para isso? Olha a minha roupa como ficou. Olha o meu joelho, todo ralado.&lt;br /&gt;O carro fica num silêncio constrangedor. Mas, ao mesmo tempo, as duas novas amigas explodem numa gargalhada. Kirsten disse:&lt;br /&gt;- Espere o Peter e os vizinhos ficarem sabendo dessa. Você é uma caipirona mesmo, Clarice!&lt;br /&gt;Era tudo o que Clarice não queria. Justo ela, que morava agora na região mais cosmopolita de São Paulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-2559113833916608808?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/2559113833916608808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=2559113833916608808&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2559113833916608808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2559113833916608808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/02/uma-mulher-cosmopolita.html' title='Uma mulher cosmopolita'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-9003081014636541858</id><published>2008-02-06T16:14:00.000-02:00</published><updated>2008-02-06T16:17:40.772-02:00</updated><title type='text'>Terça-feira Gorda</title><content type='html'>Os americanos chamam o dia das principais prévias das eleições presidenciais nos Estados Unidos da América de Super Terça-feira, o que é quase um slogan das nossas Casas Bahia. Eu preferiria chamá-la de Terça-feira Gorda, ou Mardi Gras, já que ela caiu no dia do nosso Carnaval. Os gringos, ao invés de irem sambar, foram votar.&lt;br /&gt;Eram cinco os principais concorrentes ao posto de homem (ou mulher) mais poderoso(a) do mundo: John McCain, Mike Huckabee, Hillary Clinton, Barack Obama e Mitt Rommey. Todos senadores e ex-governadores em busca de mais poder. Democratas e Republicanos.&lt;br /&gt;Enquanto o destino do mundo livre começava a ser decidido, de manhã bem cedo, eu dormia.&lt;br /&gt;Os candidatos principais cruzavam o país em seus jatos e helicópteros, a fim de angariar votos. Decisões cruciais sobre os lugares a ser visitados neste dia tão importante podem decretar a vida ou a morte de uma candidatura, como os polegares para cima ou para baixo de um César.&lt;br /&gt;Eu fui de carro ao supermercado comprar ovos para um bolo e tentar conseguir um desconto numa garrafa de Coca-Cola. Comparei o preço da garrafa de 2 litros com o da garrafa de 3 litros. Vamos receber nossos amigos, e a decisão sobre a quantidade de refrigerante necessária pode ser fatal.&lt;br /&gt;John McCain celebrou seu passado de herói de guerra, os anos presos no Vietnã, seus ferimentos e contou de seus planos para acabar com a guerra no Iraque.&lt;br /&gt;Eu coloquei Band-Aid e anti-séptico no dedinho do pé arrasado por uma topada, lamentei ter ficado preso no trânsito na volta do supermercado e pensei no filme que iria assistir mais tarde, que não era sobre batalhas ou combates sangrentos. Tinha apenas a Catherine Deneuve no papel de uma viúva rica e alcoólatra.&lt;br /&gt;Mike Huckabee analisava com seus estrategistas e marqueteiros os mapas de votação nos Estados-chave.&lt;br /&gt;Eu folheei distraído um guia sobre a Áustria, li o jornal e me assustei com as conclusões parciais sobre os acidentes nas estradas durante o Carnaval. Foi muito bom não ter ido para a praia.&lt;br /&gt;Hillary Clinton falou de seus planos sobre a Previdência americana e sobre o sistema de saúde na Gringolândia em vários debates. Quer a cabeça do presidente Bush pela sua inação sobre o tema.&lt;br /&gt;Eu recebi um casal de vizinhos. Ele estava revoltado com a cobrança de água do condomínio. Queria entrar com uma ação e depositar o valor em juízo. Deseja ainda derrubar a síndica, quer o impeachment dela. Sua mulher tentou, sem sucesso, esfriar os ânimos do debate.&lt;br /&gt;Barack Obama, ao fim do dia, tentava entender por que ele havia perdido a Califórnia, se sentindo um fracassado. As pesquisas de boca-de-urna não mentiam.&lt;br /&gt;Eu assistia a um filme francês, cheio de diálogos, e sem entender a história, me sentindo um tanto burrinho por não entender as sutilezas do diretor.&lt;br /&gt;Mitt Rommey lamentava com sua equipe o que havia dado errado. Tomou o champanhe da vitória da festa pré-armada, já com gosto de ressaca, para não haver desperdício.&lt;br /&gt;Eu celebrava com minha mulher e alguns amigos essa vida simples, recebendo-os em casa, com um vinho bom e barato, sem barulhos do Carnaval, sem essas disputas de vaidade, sem sonhos presidenciais, sem nos importarmos com os destinos do mundo, sem a sensação de estar perdendo ou ganhando coisa alguma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-9003081014636541858?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/9003081014636541858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=9003081014636541858&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9003081014636541858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9003081014636541858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/02/tera-feira-gorda.html' title='Terça-feira Gorda'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3697495637956684233</id><published>2008-02-04T17:06:00.000-02:00</published><updated>2008-02-10T21:27:00.676-02:00</updated><title type='text'>Caipiras com armas</title><content type='html'>Numa vicinal de uma rodovia principal há essa pequena cidade do interior paulista, como muitas e muitas outras. Após cruzar a rodovia e a vicinal, eu chego com minha mulher à casa de meus avós. Meu avô está mal de saúde, não pode sair da cama, mas isso não impede que minha avó nos receba com simpatia:&lt;br /&gt;- Oi meninos, fizeram boa viagem?&lt;br /&gt;- Ah, sim, vó.&lt;br /&gt;Meio-dia. Meu avô toma uma sopa, está muito fraco. Nós sabemos o que ele tem, é grave, mas a ele foi dito que se trata de uma anemia mais forte. Tudo mudou. Trabalhava como um touro, agora vive seu outono. Lembro de algumas histórias dele. Puxo conversa. Testo para ver se a memória e as forças dele permitem resgatar algumas delas:&lt;br /&gt;- Vô, o tio Natale ajudou a construir esta casa, não?&lt;br /&gt;- É. Ele ajudou a trazer o material para o terreno.&lt;br /&gt;E fica nisso, sem maiores detalhes. A história não era bem assim. Meu avô e seu então cunhado, irmão já falecido de minha avó, em suas juventudes, entraram num terreno de obra no meio da noite e pegaram tijolos, vigas e telhas que seus salários não permitiam pagar. E foi assim que ele construiu a casa onde ele vive até hoje, há mais de quarenta anos.&lt;br /&gt;Haviam outras histórias, prestes a serem perdidas, de uma outra cidade, de um outro tempo. Ele dorme.&lt;br /&gt;Após o almoço eu quero mostrar para minha mulher algumas coisas da casa e da cidade. Passo no quintal, onde pássaros se alimentam de milho jogado no chão. As jabuticabeiras e a plantação de alface, desde sempre ali. Visito a despensa. A velha espingarda, antigamente oculta com vergonha atrás da geladeira, agora é orgulhosamente exposta num suporte de ferro tosco. Empunho a arma, mais assustadora que sua carga de chumbinho permitiria ser. Cano de metal preto e comprido e empunhadura marrom .&lt;br /&gt;Meu avô me ensinou a atirar nesta arma, a pescar e a fazer churrasco, coisas de galo macho. De tudo isso, só o conhecimento de pescar ainda é aproveitável. Não sei mais preparar carne, e não sei atirar em nada do arsenal moderno. Ninguém mais empunha aquelas espingardas.&lt;br /&gt;Tudo muito fácil. Dobra-se o cano da arma até embaixo, até ela travar. Coloca-se o chumbo. O cano volta à posição original a fim encaixar de novo, com um clique. Lembro de pegar aquela arma uma vez, de enrolá-la num lençol branco e levá-la à casa de uma amigo, para uma competição particular de tiro. Andamos pela cidade nos achando o máximo, como dois patrulheiros. Atirava em alvos inanimados, nunca matei uma ave ou qualquer outro bicho com ela.&lt;br /&gt;Empunho a espingarda. Digo à minha mulher:&lt;br /&gt;- Querida, aqui é o cinturão da Bíblia. Todo mundo tem arma em casa. Minha avó usava essa espingarda para espantar os pedintes e vagabundos da frente de casa, quando ela ficava sozinha.&lt;br /&gt;Quero testar minha mira. Há uma carcaça metálica de máquina de lavar no quintal, um bom alvo. Pergunto pela munição à minha avô, que responde sem ânimo:&lt;br /&gt;- Ah, atire mais tarde. Vai espantar todos os meus pássaros.&lt;br /&gt;A arma volta ao suporte.&lt;br /&gt;Levo minha mulher para uma volta. A praça em frente à matriz, tantas vezes modificada, agora ostenta uma fonte. Até o próximo prefeito resolver fazer um coreto ou uma estátua. Há quiosques de lanches. E pensar que antigamente os únicos chapeiros da cidade resolveram abolir os hot-dogs para que a concorrência mútua não os destruísse.&lt;br /&gt;Meu primo está lá perto, em frente a um de seus bares. Ele tem caça-níqueis e bocha à dinheiro no fundo, mas a polícia não o incomoda.&lt;br /&gt;Há uma ligação entre a praça e a rua do comércio. Um túnel curto sob as linhas de trem. Quando eu tinha um metro e trinta ele parecia escuro e sempre cheirava à urina, não me arriscava lá. Tinha medo dos drogados, que ainda devem ficar por lá de madrugada.&lt;br /&gt;Na rua do comércio está tudo fechado, mas há movimento perto da Prefeitura. Um carro da polícia passa com as sirenes ligadas. Andamos. Populares se aglomeram, cochicham. Pergunto a um deles o que está acontecendo, ele responde:&lt;br /&gt;-Estão assaltando o correio. Há reféns.&lt;br /&gt;Volto para casa em silêncio. Conto sobre o assalto para minha avó. Ela tinha ouvido algo da vizinha, que achava que era um assalto a banco. Comento:&lt;br /&gt;- Nossa, até aqui está essa violência, não?&lt;br /&gt;- Ah, é gente de fora. E eles estão se matando também. Matam só para ouvir o barulho. Caipiras com armas. Eles bebem e saem por aí, de caminhonete. De noite é só barbaridade. Gente dando tiro. E tem os drogados, os maconheiros. Naquele bairro depois da rodovia é uma peãozada nova, gente que veio trabalhar nas fábricas. É só confusão ali.&lt;br /&gt;Em seu quarto, meu avô dormia, alheio a essas novidades. Nem ele nem minha avó dariam conta do que acontece hoje. Tudo politicamente correto e emocionante. Bandidos com indulto visitam a cidade de fim de semana.. Acabou o sossego, mas também acabou o tédio. Escuto atrás do muro passos no vizinho e uma conversa:&lt;br /&gt;- Oi gordo, você viu, sô? Estão assaltando o banco lá na praça.&lt;br /&gt;Novos tempos. A espingarda não serviria para nada. Melhor que ela fique na parede mesmo, enferrujando, sem espantar os passarinhos.&lt;br /&gt;Minha mulher, típica pomba urbana, não se assustou com nada. Achou a cidade e todos muito simpáticos. Eu, que tinha visto certa vez um lugar bem diferente, fiquei um tempo largado na rede pensando em tudo, com a impressão de que tinha envelhecido rápido demais, com um saudosismo bobo que nem meu avó doente teria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3697495637956684233?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3697495637956684233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3697495637956684233&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3697495637956684233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3697495637956684233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/02/caipiras-com-armas.html' title='Caipiras com armas'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5497382704454713093</id><published>2008-02-03T02:16:00.000-02:00</published><updated>2008-02-03T02:23:17.296-02:00</updated><title type='text'>Muitas vidas em uma só</title><content type='html'>Emanuel é estudante de teatro. Deixou o Rio, onde só resta ao ator fazer novela na Globo, e foi fazer seu curso de interpretação no que considera ser a terra do principais palcos nacionais, São Paulo. Divide um quarto e sala com mais três universitários sem dinheiro.&lt;br /&gt;Hoje é seu grande dia. Ele tem um teste marcado para um papel numa montagem moderninha de “Testemunha de Acusação”, peça da inglesa best-seller Agatha Christie, tudo a cargo de um diretor famoso. Um ótimo drama de tribunal.&lt;br /&gt;No metrô, Emanuel consegue um lugar para sentar. Quinze minutos até a Avenida Paulista. Ele sonha.&lt;br /&gt;“Agora é o começo”. Um bom papel para deslanchar de vez. Quem sabe o acusado? Ou o advogado de defesa. Imaginem só. Ele de pé, falando aos jurados, coberto com sua beca. A mão vibrou com a fúria da justiça sendo feita, o júri hipnotizado aos seus pés. Tinha o roteiro da peça nas mãos, e um outro livro,  “A Preparacao do Ator”, clássico do russo Constantin Stanislavski.&lt;br /&gt;Folheou o script. E se fosse o juiz? O texto dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“JUIZ: (Após verificar o documento.) Acredito, Sir Wilfrid, que a testemunha tem a devida competência para falar nesta Corte“.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma morena bonita de pé na sua frente. Emanuel larga o roteiro e empunha o “Preparação”, que chama mais atenção por ter a palavra “ator” no título do que a brochura amarelada e cheia de orelhas da peça. O livro diz o que ele é, um ator em preparo. Ela o olha. Com certeza ela a imaginar o cotidiano interessante dele. A cada dia com uma vida diversa. Como o ator que Ben Affleck viveu no filme Shakespeare Apaixonado, ele, no futuro teria um rol de muitos papéis, e seria conhecido por muitos nomes. Entraria no palco, como Ben, e proclamaria: “Eu sou Hamlet. Eu sou Romeu. Eu sou Falstaff.” Ou algo assim.&lt;br /&gt;Estava na carreira certa, era atraente e magro, tinha tudo para se dar bem. Talvez possa começar sua trajetória como um jovem galã, sempre fazendo papel de mocinho. Beijando tudo quanto é colega bonita. Conforme passasse o tempo poderia interpretar jovens pais ou esposos. Sempre do bem. O genro perfeito. O empregado que todos os patrões querem.&lt;br /&gt;Até que um dia surpreenderia a todos com um papel de vilão num filme. Um daqueles bem ruins. Um psicopata, algo assustador. A crítica seria unânime. Ganharia prêmios. Quem sabe um Oscar? Finalmente um brasileiro chegaria lá.&lt;br /&gt;A moça desce do vagão, ele ainda tem mais algumas estações. Emanuel acha que ela o olhou antes de sair. Ah, garoto...&lt;br /&gt;Leu os trechos mais importantes do Stanislavski umas duas vezes antes de dormir na noite anterior. Decorou trechos dos papéis do juiz, do advogado de defesa e do acusado. Ensaiou a respiração, a entonação, o gestual, a dicção, a voz. Balançou as mãos, até que elas ficassem naturais. Mirou-se no espelho até controlar o olhar. Alongou-se. Mal podia esperar para mostrar o que sabia ao diretor de elenco.&lt;br /&gt;Estação Trianon. É aqui. É agora. Desceu do trem. Respirou fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas não se saíram como Emanuel esperava. Dezenas de candidatos como ele disputavam os papéis principais. Teve trinta segundos para a leitura do papel de juiz, outros vinte para o acusado, e só dez para o advogado de defesa. Nenhum dos papéis seria seu. O diretor de elenco o expulsou aos berros do palco, pedindo o próximo candidato.&lt;br /&gt;Um péssimo começo, pensava o jovem, decepcionado. Fica para uma outra vez. Emanuel arrumava seus livros quando uma moça o chamou. Era a assistente do diretor de elenco:&lt;br /&gt;- Moço, é o seguinte. O diretor quer você para um papel.&lt;br /&gt;- Qual?&lt;br /&gt;Um dos meirinhos, um oficial de justiça. Simples. Ele não tem falas, só fica parado perto do juiz, na cena do tribunal. O diretor quer uma pessoa que não chame muita atenção, com um rosto comum, magro como você. Você topa?&lt;br /&gt;Emanuel topou. Ele começaria na semana que vem. Apesar de ser um papel simples, ele tinha que ir em todos os ensaios, lógico, e ainda daria uma força na contra-regra e trazendo água para o elenco principal, esse tipo de coisa. Pagava uma miséria.&lt;br /&gt;Qualquer um se desanimaria. Mas não Emanuel. Ele seria o melhor meirinho que os teatros paulistas já viram. Ficaria parado ao lado do juiz, um dos papéis principais, o tempo todo. O juiz ocupa o centro do tribunal, e ele estaria ali. O papel exigia que ele passasse despercebido, mas isso não seria fácil, por ser alguém que chama a atenção. Muitos lembrariam de sua estréia, seria histórica, eles iriam ver só.&lt;br /&gt;Um meirinho, com seu uniforme da corte, perfeitamente engomado, os cabelos bem escovados para trás, muito digno. Um representante da Justiça inglesa e da própria Rainha.&lt;br /&gt;E seria a primeira de muitas vidas que Emanuel queria viver. Muitas vidas em uma só. Só um ator poderia fazer isso. Um dia lembraria de seu começo e daria risada. Celebrou em silêncio seu sucesso, emocionado, enquanto pegava o trem de volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5497382704454713093?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5497382704454713093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5497382704454713093&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5497382704454713093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5497382704454713093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/02/muitas-vidas-em-uma-s.html' title='Muitas vidas em uma só'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3153969792183975949</id><published>2008-02-01T00:19:00.000-02:00</published><updated>2008-02-01T00:21:12.309-02:00</updated><title type='text'>Na rua Javari</title><content type='html'>Na soleira de casa o jornal anunciava: Juventus e Portuguesa se enfrentam pelo Paulista, na rua Javari. É hoje! Eu tinha que ir.&lt;br /&gt;Não sou grande entusiasta de futebol. Alguém já disse que é como um filme que segue sempre o mesmo o roteiro. Mas ir em estádios é algo que me agrada. O contato com os populares é interessante. E sempre quis ir no estádio do Juventus. Homenagearia as minhas raízes italianas. Trata-se de um campo histórico do futebol brasileiro.&lt;br /&gt;A ida ao campo envolvia um certo planejamento. É dia do rodízio de veículos na cidade de São Paulo, o que me deixava a pé. Iria até o metrô Bresser e depois andaria ou pegaria um táxi até o local da partida. Havia uma outra questão. Como sair do escritório para assistir um jogo por volta das quatro da tarde? Aí o rodízio me salvava, pois o dia em que fico sem carro das cinco às oito é o dia em que tenho que forçosamente sair mais cedo. Desculpa boa. Só teria que sair quinze minutos antes do normal. Compenso isso chegando uma hora mais cedo.&lt;br /&gt;Mas quem poderia ir comigo, num dia de trabalho, ao jogo? Tento um amigo que tem uma agenda de trabalho mais flexível, mas nada dele atender o celular. Pena. Lá vou eu, só.&lt;br /&gt;Um aniversário de colegas quase me impede de empreender a “fuga” do trabalho. Mas, destemido, vou. Após um curto trajeto de metrô, chego à Mooca, na Zona Leste paulistana. O tempo urge. Um táxi me deixa perto da Javari.&lt;br /&gt;Perto do estádio torcedores dos dois times já se provocam. Camisas roxas do Juventus e as cores da Portuguesa se destacam aqui e ali. Churrasquinho e cerveja são servidos nos botecos.&lt;br /&gt;Na porta do campo uma fila imensa desencoraja os atrasados. Muita gente já desiste. Bate-boca e confusão. A polícia tenta acalmar os ânimos. Parece o fim da linha para mim. Mas eis que sou abordado por um cambista amigo, que me vende o ingresso desejado com pouco ágio. Seria falso?&lt;br /&gt;O ingresso é aceito. Adentro o estádio. Verdadeira várzea. Tudo lotado. Cabem pouco mais de três mil pessoas. É como um ginásio de esportes maior, mas aberto. Torcidas organizadas separadas (a tropa de choque impõe respeito). Sento atrás do gol do Juventus. Procuro evitar as câmeras, vai que meu chefe assiste a TV bem na hora...&lt;br /&gt;Vou torcer para o Juventus, viva a italianada! Deixarei o meu Palmeiras por duas horas. Pequena chifrada sem maiores conseqüências.&lt;br /&gt;O jogo rola no gramado ruim. O campo é muito, muito perto dos torcedores. Se eu cuspir, pega em alguém. Literalmente se pode sentir os choques dos jogadores. O movimento e a cantoria das pessoas me distrai, e eu mal vejo o primeiro gol do Juventus, lá do outro lado, marcado por Lima. Apoteose. O lado juventino vibra, e os portugas choram. O Moleque Travesso faz mais uma das suas, sempre subestimando os incautos.&lt;br /&gt;Que belo time, que belo esquadrão! Juventus amigo, do meu coração!&lt;br /&gt;Colo o olho no jogo, e logo sai o segundo gol, de Marcus Vinicius. Tudo vira carnaval. Mas logo vem um atacante da Portuguesa e desconta, bem nas minhas fuças.&lt;br /&gt;Acaba o primeiro tempo. Resolvo pegar um lugar melhor, nas laterais. Munido de um sanduíche de presunto (será?), rodo pelo estádio. Um busto de Pelé anuncia: o gol mais bonito da carreira do Rei foi feito ali mesmo, na rua Javari. Isso eu lembro de ter ouvido no documentário Pelé Eterno. Ele deu um “chapéu em quatro jogadores adversários, incluindo o goleiro. Mas isso não foi filmado, uma pena.&lt;br /&gt;Rumo à arquibancada, que surpresa! Encontro meu amigo Makarius, habitante da Mooca, curtindo suas férias com futebol. Seus irmãos estão na arquibancada. Junto-me a eles, embaixo de uma área coberta.&lt;br /&gt;Começa o segundo tempo. Aí percebo que um ex-campeão do mundo abrilhanta a partida. Vampeta enverga a camisa 8 do Juventus. Não gosto dele. Mistura de vampiro com capeta. Deu cambalhotas na rampa do Planalto. Posou nu numa revista gay. E, isso é o pior de tudo, jogou muito tempo pelo Corinthians. Puxo o coro, sem sucesso: Ei, Vampeta, vai...vocês sabem o quê...&lt;br /&gt;Makarius, mais carismático, começa a gritar: Juventus, e ô, Juventus, e ô, e seu grito se espalha pelas arquibancadas, para o ódio dos lusitanos.&lt;br /&gt;Pombos nos ameaçam, voando sobre nossas cabeças, com suas armas letais, verdes ou brancas.&lt;br /&gt;A partida segue. Allan Dellon (hã?) do Juventus, marca o terceiro. Logo vêm outro gol da Portuguesa. A nação juventina começa a pedir o fim da partida. E chega o apito final. Juventus 3, Portuguesa 2. Até que fui pé-quente, não?&lt;br /&gt;Meu amigo me oferece uma carona de carro até o metrô. Passamos pela praça mais feia da Mooca, de nome justamente “Viva a Mooca”.&lt;br /&gt;Sobrevivo aos trens lotados e chego em casa. O Juventus ganha mais um torcedor. O que farei se ele jogar contra o Palmeiras? Não é possível ser salomônico a este ponto...fico com o Palmeiras.&lt;br /&gt;Mas conhecer um lugar é passar a se importar com ele. E agora sei que na rua Javari, bairro da Mooca, São Paulo, há o maior e melhor campo de várzea do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3153969792183975949?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3153969792183975949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3153969792183975949&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3153969792183975949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3153969792183975949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/02/na-rua-javari.html' title='Na rua Javari'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5416851837357706189</id><published>2008-01-16T10:25:00.000-02:00</published><updated>2008-01-16T10:27:02.284-02:00</updated><title type='text'>Moça fortinha</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R4330HGsgjI/AAAAAAAAANY/J36ka548WW4/s1600-h/MoÃ§a+fortinha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156049623041475122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R4330HGsgjI/AAAAAAAAANY/J36ka548WW4/s320/Mo%C3%A7a+fortinha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  Essa eu tirei com o celular. Que belezinha, não? &lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5416851837357706189?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5416851837357706189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5416851837357706189&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5416851837357706189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5416851837357706189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/01/moa-fortinha.html' title='Moça fortinha'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R4330HGsgjI/AAAAAAAAANY/J36ka548WW4/s72-c/Mo%C3%A7a+fortinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4972375540315864341</id><published>2008-01-15T09:40:00.000-02:00</published><updated>2008-01-15T09:43:22.710-02:00</updated><title type='text'>Eu Poético</title><content type='html'>Estou deitado no meu quarto em Santos, folheando as páginas de um livro. Ouço batidas na porta, é minha mãe.&lt;br /&gt;- Oi Guto, está ocupado?&lt;br /&gt;- Não. Pode entrar (largo o livro). &lt;br /&gt;Ela tem a expressão preocupada, senta na poltrona.&lt;br /&gt;- Filho, tenho me angustiado. São essas coisas que você escreve, nesse seu site... Está tudo bem?&lt;br /&gt;- Claro que sim.&lt;br /&gt;- Eu acho que você não está. Li outro dia um texto, o Hotel em Amsterdão.&lt;br /&gt;- É “O Hóspede em Ams-ter-dam” – respondo, com o nome do texto correto, e uma pronúncia melhor – O que é que tem?&lt;br /&gt;- Você está contando da sua viagem para a Holanda ali.&lt;br /&gt;- Não estou não.&lt;br /&gt;- Está sim.&lt;br /&gt;- Não estou não.&lt;br /&gt;- Não responde que é feio. É você! O papo sobre terminar com a namorada, o que acabou mesmo acontecendo na volta. E aquela parte sobre cair da janela, se afogar no canal, sobre beber sozinho no quarto do hotel? Você fez tudo isso lá?&lt;br /&gt;- Claro que não. Aquilo é ficção. Aliás, eu seria um fenômeno se tivesse caído de uma janela, me afogado num canal e estivesse aqui falando com você.&lt;br /&gt;- Você tem usado drogas?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Na Holanda é todo mundo louco, e a maconha é liberada. Você fumou?&lt;br /&gt;- Não! Por quê? Isso está escrito lá?&lt;br /&gt;- Não, mas fiquei pensando, desde que li aquilo. Tem ainda aquele outro texto, o Oitavo Passo. Sobre o rapaz que quer parar de beber e vai conversar com as ex-namoradas. Nele você fala que andou bebendo, largou a garrafa, e foi falar com a namorada em Guarulhos. Bom, você nunca teve namorada em Guarulhos. Mas teve em Osasco, você estava falando de Osasco.&lt;br /&gt;- Não estava.&lt;br /&gt;- Estava.&lt;br /&gt;- Não estava.&lt;br /&gt;- Estava. Era aquela moça, qual o nome dela?&lt;br /&gt;- Deixa para lá. Mãe, você está confundindo as coisas. Nunca leu Fernando Pessoa? “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente”.&lt;br /&gt;- E desde quando você é poeta? Ou tem capacidade de inventar essas coisas todas? Aquilo é você. Meu filho, eu entendi que você está sofrendo. Mas ao invés de nos contar, fica ali se expondo, que vergonha. Contando sua vida para todos. Ah, os vizinhos, a família...&lt;br /&gt;- Chega! Aquilo não sou eu. É meu Eu Poético.&lt;br /&gt;- Seu o quê?&lt;br /&gt;- Eu Poético. Ou Eu Lírico. É quando o escritor ou poeta expressa sentimentos que não tem. Eu disfarço o que sinto. Eu posso escrever uma história com meu nome, Luiz Augusto, mas não quer dizer que seja eu mesmo. Posso escrever um poema de amor sem amar ninguém. Posso ficar furioso com alguém, dizer que vou matá-la, mas isso não é a sério. Você acha que o Seinfeld, do seriado que leva o nome dele, é daquele jeito na vida real?&lt;br /&gt;- Olha filho, só sei que estou muito preocupada. Essa conversa ainda não acabou. Eu vou ficar de olho.&lt;br /&gt;Ela sai do quarto, batendo a porta. Apanho de novo o livro que eu lia, Admirável Mundo Novo, do Aldous Huxley. O trecho dizia: “Lá em cima, no quarto, o Selvagem lia Romeu e Julieta”.&lt;br /&gt; Suspiro:&lt;br /&gt;- Ninguém compreende um artista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4972375540315864341?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4972375540315864341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4972375540315864341&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4972375540315864341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4972375540315864341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/01/eu-potico.html' title='Eu Poético'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-6948495861714712355</id><published>2008-01-11T09:59:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T21:41:15.870-02:00</updated><title type='text'>Elvis Presley, Corinthians e a Teoria do Caos</title><content type='html'>Segundo um exemplo clássico da Teoria do Caos, o bater das asas de uma borboleta na China cria tempestades em Nova York. Ora, essa Teoria pode justificar qualquer coisa. Uma decepção amorosa, a erupção de um vulcão, um acidente de carro. Tudo pode ser obra do acaso e de uma série de variáveis que influem umas nas outras, gerando resultados imprevisíveis.&lt;br /&gt;Mas, após rigorosos estudos, pude concluir que até resultados esportivos podem ser influenciados por eventos que a princípio parecem não tem nada a ver. Mas o caos explica. E a conclusão (bombástica) à qual cheguei, é a seguinte: enquanto o Rei do Rock Elvis Presley cantou, de 1.954 a 1.977, o Sport Club Corinthians, time de futebol paulista, não foi campeão.&lt;br /&gt;Senão, me acompanhem. O Corinthians foi campeão paulista em 1.954. Depois, ficaria ao sereno, até 1.977, sem títulos. O que acontecia? Por que o Timão não ganhava mais? Por que teriam os corintianos que amargar as gozações dos palmeirenses por tanto tempo?&lt;br /&gt;A explicação estava bem longe dali. Em 5 de julho de 1.954 um rapaz de 19 anos entrava com seu violão num estúdio da Sun Records em Memphis, Tennessee , EUA. Segundo o que se diz por aí, ele queria gravar um disco de presente para a sua mãe. Mas um produtor esperto o descobriu, e o resto é história.&lt;br /&gt;Esse jovem no estúdio era Elvis Presley, e aquela data é para muitos o começo de sua carreira profissional e o marco zero do Rock, ritmo do qual ele seria sagrado Rei. Ele seguiu em frente, rumo ao mega-estrelato. Soltou seu vozeirão. Requebrou seus quadris. Deixou as mulheres loucas e os homens com inveja. Criou um ritmo e ditou estilos. Fez filmes. Entrou e saiu do Exército. Usou drogas. Tornou-se uma lenda em Las Vegas. Atirou em televisões. Habitou a mansão de Graceland, em sua querida Memphis. Até que um dia, em 16 de agosto de 1977, ele foi encontrado morto em sua casa.&lt;br /&gt;Elvis podia até saber dos efeitos que causava na juventude mundial. Mas jamais soube que, a muitas milhas dali, um time de futebol brasileiro atravessou um grande túnel escuro por sua causa. Após erguer a taça de Campeão Paulista de 1.954, o Corinthians não ganhou nenhum campeonato, por muito tempo. O futebol é cruel. Ninguém lembra dos vices. “No time for losers”, como cantou Freddie Mercury, vocalista do Queen.&lt;br /&gt;O Corinthians, nessa época, tentou de tudo. Troca de times, contratações, macumbas, novenas. Nada funcionava. Os “quase” foram se acumulando, como em 1.974, quando o glorioso Palmeiras (meu time) impediu que os gaviões pusessem suas garras sujas na taça do Campeonato Paulista, provocando choro e ranger de dentes na Fiel, que já esperava há duas décadas.&lt;br /&gt;Só em 13 de outubro de 1.977, na gestão do folclórico Vicente Matheus, o Corinthians voltou a gritar “Campeão”. Foi em cima da Ponte Preta, num jogo bastante contestado, mas válido, com um gol de Basílio aos 36 minutos do segundo tempo.&lt;br /&gt;Mas isso só aconteceu porque, quase dois meses antes, em 16 de agosto de 1.977, Elvis havia morrido. Nunca mais ele cantaria, para a felicidade corintiana. Como um distorcido galo Chantecler, que com seu canto fazia o sol se levantar (ou assim acreditava o galo), enquanto Elvis faturou dinheiro com sua música o Corinthians não ganhou títulos.&lt;br /&gt;Só há um furo nessa história, e alguns, fanáticos por mesas-redondas futebolísticas, já devem ter percebido. Na verdade, o Campeonato Paulista de 1.954 foi decidido em 6 de fevereiro de 1.955, por uma dessas confusões típicas de calendário que os cartolas brasileiros costumam criar. Eu, devoto da Teoria do Caos, acho que isso foi feito apenas para melar a presente crônica, que seria escrita 53 anos depois.&lt;br /&gt;Assim, o Corinthians ainda conseguiu ganhar um campeonato apesar de Elvis Presley. Mas a quase-coincidência de datas é muito interessante. A fila do Corinthians foi de 6 de fevereiro de 1955 a 13 de outubro de 1.977. A carreira profissional de Elvis Presley foi de 5 de julho de 1.954 a 16 de agosto de 1.977.&lt;br /&gt;Bem, vamos acreditar que os poderes de Elvis não estavam plenamente desenvolvidos no começo de sua carreira. E quando atingiram seu auge, em 1.955, começaram a impedir que o Corinthians ganhasse qualquer coisa, até sua morte. É uma Teoria boa demais para ser descartada. Quando a lenda torna-se fato, publique-se a lenda. E, segundo a Teoria da Fila, enquanto Elvis Presley cantou o Corinthians não ganhou. E estamos conversados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-6948495861714712355?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/6948495861714712355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=6948495861714712355&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6948495861714712355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6948495861714712355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/01/elvis-presley-corinthians-e-teoria-do.html' title='Elvis Presley, Corinthians e a Teoria do Caos'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-872294724220961748</id><published>2008-01-09T17:55:00.000-02:00</published><updated>2008-01-09T18:04:08.287-02:00</updated><title type='text'>O que nós podemos ensinar ao Prison Break</title><content type='html'>Resgato post meu de abril de 2007:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que Prison Break pode nos ensinar&lt;br /&gt;Aparte todo o suposto estudo e parca fama intelectualóide que tenho, adoro um bom enlatado americano. Eles fazem a melhor TV da atualidade. Os seriados que me caem na mão, assisto, desprezando até últimos lançamentos de cinema. Lost, Roma, Sopranos, 24 Horas, vejo tudo.Um desses programas é Prison Break, focado em Michael Scofield, um genial engenheiro que se faz prender na prisão de Fox River (*) , que ajudou a projetar, para tentar libertar seu irmão do corredor da morte.Terminei a primeira temporada e estou esperando lançarem a segunda em DVD.Com um pouco de olhar crítico, aparte me divertir à beça com o programa, e exageros narrativos à parte, aprendi algumas lições sobre o "sistema" americano, e que não custaria a nós copiar:- Uma fuga de cadeia, nos EUA, é um evento tão raro, que vira até show de televisão. Se fosse banal ninguém iria querer ver. Eles levam essa afronta ao Estado tão a sério que tentar fugir, com ou sem violência, é crime punido pesadamente (aqui só é crime se houver violência, os bandidos aqui tem um jus fugendi (é isso?). E como o slogan do show diz, a fuga é só o começo. (Spoiler a seguir) Michael Scofield e seus companheiros de fuga são alvo de verdadeira caçada humana pelos policiais de Illinois, carcereiros, FBI, guardas de fronteira, Chuck Norris e Jack Bauer.Como é em Pindorama? Temos fuga todo dia. Cada uma é apenas mais uma. Ouvimos relatos de fuga mastigando pão de manhã e de noite, sem perder o sono. Para quem foge, fugiu, tá livre.- Nos EUA, a morte de um carcereiro ou policial é um ataque ao Estado, investigada e punida com rigor. Aqui, já morreram neste ano no Rio mais de 40 policiais. Nem na Chicago de Al Capone (um dos cenários da série) se matava tanto.- Na Gringolândia ter ou usar celular na cadeia é crime. Aqui não é nem falta grave na Lei de Execuções Penais.Enfim, se houvesse uma versão brasileira de Prison Break, ela não duraria muitas temporadas, como a série americana pretende. Aqui duraria uns dois episódios. No primeiro o bandido iria se preparar, subornando os guardas e comprando um celular. No segundo, sairia pelo portão da frente do xadrez."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De lá para cá nós não aprendemos nada, vide que as nossas prisões continuam infernais e pululando de celulares.&lt;br /&gt;Mas vi que nós ensinamos algo aos norte-americanos. Vejo no site da Fox sobre o seriado (&lt;a href="http://www.fox.com/prisonbreak/showinfo/"&gt;http://www.fox.com/prisonbreak/showinfo/&lt;/a&gt;) que, na terceira temporada, o personagem principal, Michael Scofield, está detido numa prisão no Panamá, Sona, livremente inspirada no nosso antigo Carandiru (leiam o terceiro parágrafo do texto maior). Sona é um presídio abandonado pelos próprios carcereiros, e na qual os presos dominam a situação, repleto de violência e até mesmo de travestis.&lt;br /&gt; É isso aí, Brasil, fazendo escola e mostrando o que tem de melhor para o mundo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-872294724220961748?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/872294724220961748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=872294724220961748&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/872294724220961748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/872294724220961748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2008/01/o-que-ns-podemos-ensinar-ao-prison.html' title='O que nós podemos ensinar ao Prison Break'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-6541194935112101283</id><published>2007-12-23T11:25:00.000-02:00</published><updated>2007-12-23T11:26:46.979-02:00</updated><title type='text'>Boas festas!!!</title><content type='html'>O Lei Seca deseja a todos os seus leitores boas festas, e um 2.008 melhor que 2.007 e pior que 2.009. Até janeiro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-6541194935112101283?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/6541194935112101283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=6541194935112101283&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6541194935112101283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6541194935112101283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/boas-festas.html' title='Boas festas!!!'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3108844227728985392</id><published>2007-12-18T10:47:00.000-02:00</published><updated>2007-12-18T10:48:14.224-02:00</updated><title type='text'>Lua perdida</title><content type='html'>Há um conhecido filme, Apollo 13, com Tom Hanks, que conta a história da fracassada missão à Lua de mesmo nome, ocorrida em 1970, e que quase acabou com a morte dos tripulantes da nave. Ele é baseado num sério livro co-escrito por Jim Lovell, um dos astronautas, chamado Lost Moon (Lua perdida).&lt;br /&gt;Eles nunca chegaram à Lua. Esse é um dos aspectos da viagem que o título do livro parece querer enfocar, e que no filme só aparece num breve lamento silencioso de Tom Hanks ao olhar para o nosso satélite. Passado o susto que quase lhe custou a vida, o astronauta lamenta não ter pisado no solo lunar. Ele nunca irá dar saltos na gravidade baixa, ou olhar a Terra do chão de outro lugar. Jamais terá outra chance sobre a Lua, como as estirpes condenadas a cem anos de solidão jamais teriam outra oportunidade sobre a Terra.&lt;br /&gt;Eu, provavelmente, não pisarei na Lua. A popularização das viagens além da atmosfera não será no meu tempo. Mas há um lugar mais perto, que para mim é o equivalente à Lua para Jim Lovell. É o nosso estado da Bahia.&lt;br /&gt;Certa vez embarquei num navio, o Island Escape, junto com meu amigo Caio, para um cruzeiro de uma semana. Estávamos empolgados com as paradas que ocorreriam no Rio e em Salvador. A viagem prometia.&lt;br /&gt;O navio não tinha uma estrutura tão boa. Não havia muito o que fazer lá durante o dia, exceto ficar na piscina. Enquanto o navio estava em alto-mar o cassino funcionava, e eu desenvolvi um método de jogo para os caça-níqueis que me permitiria ganhar oito dólares por dia (não adiantam me ameaçar, não conto o segredo). Até o fim da viagem eu teria 56 dólares a mais.&lt;br /&gt;No dia seguinte após a partida nós descemos no Rio, onde um taxista careiro e boquirroto nos levou ao Corcovado, para vermos o indefectível Cristo. Voltamos ao Island e o navio rumou norte, em direção à Bahia. Eu finalmente conheceria Salvador, o Pelourinho e o Elevador Lacerda. Tomaria um chope no Farol da Barra.&lt;br /&gt;Mas enquanto isso, nas engrenagens do navio, uma peça defeituosa pifava de vez. Imaginem como num filme, um close em câmera lenta para a peça em questão, e a fumacinha saindo...&lt;br /&gt;Estava no cassino, pronto para quebrar novamente a banca e obter meus oito dólares daquela noite, quando o sistema de som do navio começa a transmitir uma mensagem especial do comandante. Eu não conseguia escutar direito. As pessoas começaram a se alvoroçar. Pelo tumulto parecia que ele estava anunciando que um iceberg havia se chocado contra o casco, e que os botes salva-vidas já estavam a postos.&lt;br /&gt;Quando os ânimos se acalmaram pude entender. O ar-condicionado do navio havia quebrado, o que impossibilitaria que a viagem prosseguisse até a Bahia, que tinha águas muito quentes. O navio voltaria à Santos no dia seguinte, um domingo, e depois seguiria para um outro roteiro, tendo por destino Florianópolis, região de águas geladas. Eram dadas três opções. Descer em Santos no dia seguinte e pegar o dinheiro de volta, ou seguir para o roteiro no Sul, ou embarcar para a mesma viagem uma semana depois. Deliberei com meu companheiro de viagem. Caio não podia embarcar em uma semana, e eu tinha acabado de passar alguns dias na capital catarinense. O melhor custo-benefício era Santos e o reembolso. Afinal,era um mini-cruzeiro de graça.&lt;br /&gt;Como dito, no dia seguinte o navio estava atracado em Santos. Em boa sacada, percebi que não era preciso descer imediatamente. Passamos o dia no navio, tomando drinques na piscina e comendo, antes que o Island partisse de novo. Era como um dia no clube.&lt;br /&gt;Mas desci do transatlântico com a sensação de que faltava algo. Era a Bahia, então perdida. Por muito tempo olhei para as fotos de lá como os astronautas da Apollo 13 olham para a Lua.&lt;br /&gt;Então, a reviravolta. Parte da minha família marcou, no começo do ano, para a semana do Natal, um cruzeiro à Bahia. Estava morrendo de inveja deles.&lt;br /&gt;Até que recebo a notícia de uma desistência. Minha avó não iria mais, e para não perder a passagem eu sou convidado a assumir o lugar dela. Enfim, conhecerei a minha Lua perdida.&lt;br /&gt;Sinto-me como outro personagem de filme, o Red (Morgan Freeman) de Um Sonho de Liberdade. Após quarenta anos na cadeia, ele é posto em liberdade condicional. Resolve ir encontrar seu amigo Andy Dufresne, que havia escapado da prisão em que estavam e o aguardava no México, tocando um hotel à beira do mar, num local sem memória.&lt;br /&gt;Red, no ônibus rumo à cidadezinha de Zihuatanejo, pensa: “Espero que o Pacífico seja tão azul quanto nos meus sonhos. Espero.” Eu, espero que o Atlântico da Bahia seja tão azul quanto nos meus sonhos. Espero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3108844227728985392?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3108844227728985392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3108844227728985392&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3108844227728985392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3108844227728985392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/lua-perdida.html' title='Lua perdida'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1060089633114107769</id><published>2007-12-18T10:45:00.000-02:00</published><updated>2007-12-18T10:48:58.246-02:00</updated><title type='text'>Interlúdio</title><content type='html'>Meus caros leitores.&lt;br /&gt;Vou interromper um pouco a saga do Oitavo Passo. Estou com problemas criativos quanto à parte final.&lt;br /&gt;Postarei outra crônica que espero que vocês gostem, Lua perdida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1060089633114107769?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1060089633114107769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1060089633114107769&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1060089633114107769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1060089633114107769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/interldio.html' title='Interlúdio'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-2838091450884974200</id><published>2007-12-17T09:21:00.000-02:00</published><updated>2007-12-17T09:23:20.168-02:00</updated><title type='text'>O Oitavo Passo – parte 2 de 3</title><content type='html'>Isabela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriel é alcoólatra e está há sessenta e dois dias sem beber. Segue o programa de Doze Passos dos Alcoólicos Anônimos e está no Oitavo, que consiste em reparar os danos às pessoas que ofendeu. Seu plano era se reconciliar com duas ex-namoradas, Isabela e Letícia. A primeira conversa seria com Isabela, que morava em Guarulhos, na Grande São Paulo.&lt;br /&gt;Saiu antes do horário de pico e chegou sem dificuldades em Guarulhos, pela Marginal. Eram quase seis horas da noite, iria demorar a escurecer, pelo horário de verão. Esperou no carro um pouco antes de tocar a campainha. Havia muito tempo que não voltava àquele bairro, tristemente familiar. Jurou um dia que nunca mais moraria ali. Sua antiga casa não era muito longe. Mas não tinha a menor vontade de revê-la.&lt;br /&gt;Observou o movimento. Criava coragem. No meio da rua um menino magro empinava pipas driblando os fios elétricos. Do outro lado um bar já começava a receber os primeiros fregueses após o trabalho. Som de pagode logo começaria a escapar do local.&lt;br /&gt;Guarulhos era apenas aquilo. Um gueto sem graça. Uma cidade-dormitório e industrial sem qualquer atrativo. Nunca mais.&lt;br /&gt;Enfim, respirou fundo e tocou a campainha. Sons de passos dentro da casa. Qualquer um da família poderia atender a porta. Rezou para não ser o pai. A porta abre, era a irmã dela:&lt;br /&gt;- Oi Cíntia.&lt;br /&gt;- Gabriel? Nossa, tá vivo?&lt;br /&gt;Trocam os protocolares dois beijinhos no rosto. Cíntia era parecida com a irmã. Ela o convida a entrar.&lt;br /&gt;- O que você está fazendo aqui no bairro?&lt;br /&gt;- Estava passando e resolvi ver sua irmã. Ela está aí?&lt;br /&gt;- Ela está saindo do banho. Ah, olha ela aí...&lt;br /&gt;Isabela se aproximava, esfregando uma toalha nos cabelos molhados. Pelo fim traumático que tiveram podia esperar até mesmo um tapa na cara. Ao contrário. Ela sorria, se aproximou e o beijou no rosto. O cheiro do mesmo sabonete barato.&lt;br /&gt;- Gabriel! O que você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;- Vim dar uma olhada em você.&lt;br /&gt;Cíntia pede licença e sai da sala. Isabela larga a toalha numa cadeira e começa a fazer o papel de anfitriã:&lt;br /&gt;- Você aceita uma água?&lt;br /&gt;- Não, obrigado. Escuta, vocês estão morando sozinhas? E seu pai? Sua mãe?&lt;br /&gt;- Eles foram fazer compras. Voltam daqui a pouco.&lt;br /&gt;Passam um tempo atualizando as informações sobre as respectivas famílias e conhecidos. Quem casou, quem saiu dali. Alguns amigos morreram, outros estavam presos. Isabela largou a faculdade, não conseguia mais pagar. E não, ela não estava namorando.&lt;br /&gt;Deixou Isabela saber que estava casado, se é que ela não percebeu a aliança na mão esquerda. Gastaram quinze minutos nisso. Gabriel estava desconfortável. Sua missão aguardava, mas não queria falar de um assunto tão delicado ali. Os seus ex-sogros podiam voltar a qualquer momento. Isabela parecia ter superado tudo, mas não podia dizer o mesmo deles. As expectativas dos pais sempre são maiores.&lt;br /&gt;- Isabela, tinha um negócio importante para lhe falar. O que você acha de dar uma volta no bairro?&lt;br /&gt;- Beleza. Vamos.&lt;br /&gt;Ela calçou uma sapatilha gasta. O mesmo mal-gosto, e a mesma falta de grana para algo melhor.&lt;br /&gt;Circularam, a certa distância um do outro, pelas ruas humildes. Aquele bairro não mudava, alguns não sairiam nunca dali. As opções de vida para os homens eram os quatro C´s: construção, chão de fábrica, cadeia e cemitério.&lt;br /&gt;Gabriel revelou seu intento, mas sem mencionar nada sobre os AA. Era uma questão anterior.&lt;br /&gt;- Bom, Isabela. A gente não terminou de um jeito legal. Eu só queria acertar isso com você, por mais doloroso que seja. E pedir desculpas.&lt;br /&gt;- Gab, você não precisa pedir desculpa por nada. Já foi, passou.&lt;br /&gt;- Eu não queria revirar esse assunto. Mas quero que saiba que eu tenho uma razão para isso. Está no meu peito, e só você podia ouvir.&lt;br /&gt;Queria falar para ela que a largou porque não a amava mais. Que sempre quis sair da periferia e nunca mais voltar. Que partiu o coração dela ao fazerem amor no último dia, uma hora antes dele chamá-la para uma conversa séria. Que era um cafajeste que dormiu com ela, nesse dia, apenas por ser homem, para poder possuí-la uma última vez.&lt;br /&gt;Mas essas coisas não eram simples de dizer. Isabela o olhava com aqueles olhos grandes e castanhos de sempre. Havia algo no fundo deles. Ela parecia temer o que ele tinha a dizer. Provavelmente tinha medo que ele o lembrasse daquela tarde terrível, de muito choro, em que o coração dela e os sonhos de sair dali com ele um dia foram jogados no lixo. Em que ela se sentiu um pedaço de papel usado quando ele saiu de cima de seu corpo e anunciou que partia.&lt;br /&gt;Gabriel percebeu então que não precisaria dizer tudo. A sua redenção e busca de paz com seus demônios não tinha que ser às custas de outros. Então disse:&lt;br /&gt;- Isabela, desculpa por termos terminado daquele jeito. Não justifica, mas eu era muito novo. Você lembra de tudo o que se passou naquele dia, não?&lt;br /&gt;A jovem já tinha lágrimas nos olhos, mas não chorava. Gabriel prosseguiu:&lt;br /&gt;- Aquilo não tem desculpa. Mas espero que um dia você me perdoe. Você sabe o que aconteceu. E eu peço desculpa por tudo, tudo mesmo.&lt;br /&gt;Isabela o abraçou:&lt;br /&gt;- Eu já te perdoei há muito tempo. Agora a vida continua.&lt;br /&gt;Gabriel a levou de volta à sua casa. Se abraçaram mais uma vez. Ela não chegou a chorar na sua frente, e entrou. Ficou sem saber se, atrás daquela porta, ela estaria no chão a soluçar, lembrando daquela tarde. Ela nem perguntou se ele ia pelo menos retomar a amizade ou visitar o bairro de vez em quando. Isabela sabia a resposta.&lt;br /&gt;Enquanto dirigia de volta à São Paulo, rumo à casa de Letícia, foi entendendo que nunca se sentiu conectado àquele bairro humilde de Guarulhos, e à tudo que ele representava. Isabela era o bairro. Emblema das coisas que não mudam. Ficaria lá para sempre, plantada como uma árvore, à mercê dos acontecimentos. Ele a largou após fazerem amor simplesmente porque nunca havia se importado com ela ou seus sentimentos. Ela tinha esperanças de casamento. Ele jamais pensou nisso com ela.&lt;br /&gt;Antes de sair do bairro aguardou o sinal vermelho abrir numa esquina, antes da Marginal. Havia outro bar ali perto, só há bares na periferia. Um monte de gente fugindo de si mesmos e de suas vidas duras. Tinha vontade de tomar um trago também, mas não podia. O dia 63 logo chegaria.&lt;br /&gt;Era gozado. Andou tanto em sua vida. Conquistou uma profissão, uma esposa boa, um apartamento longe dali, esse carro. Mas um dos problemas típicos daquela cidade cheia de perdedores nunca o deixaria. Tinha que conter aquele demônio um dia de cada vez.&lt;br /&gt;Isabela se tornou uma lembrança distante enquanto ele se aproximava da cidade. Ainda havia Letícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-2838091450884974200?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/2838091450884974200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=2838091450884974200&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2838091450884974200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2838091450884974200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/o-oitavo-passo-parte-2-de-3.html' title='O Oitavo Passo – parte 2 de 3'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-8999302480153554171</id><published>2007-12-13T00:34:00.000-02:00</published><updated>2007-12-13T00:35:07.300-02:00</updated><title type='text'>O Oitavo Passo – Parte 1 de 3</title><content type='html'>Assuntos prefaciais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriel estava há sessenta e dois dias sem beber. Cada dia sem álcool era uma pequena vitória, como diziam os Alcoólicos Anônimos. Não achava que tinha um problema tão grande assim com bebida, mas há alguns meses ele aderiu a caminhada pelo programa de Doze Passos dos AA.&lt;br /&gt;O Primeiro Passo era o mais difícil, admitir que tinha um problema com álcool. Havia algo, mas não era uma tragédia. Nas reuniões confirmou a suspeita de que não estava tão mal assim. Havia ali gente que bateu o carro e matou amigos. Homens que espancaram a esposa. Um professor de medicina que perdeu tudo para a garrafa e habitou a rua com mendigos.&lt;br /&gt;O seu próprio padrinho, um aposentado chamado Joel, quase esganou o próprio neto ao voltar do bar, após uma noite de bebedeira e sinuca. Estava há 3.931 dias sem beber, anos e anos. Era um exemplo.&lt;br /&gt;O caso de Gabriel era mais de falta de sentido. O programa dos AA parecia interessante, iria torná-lo uma pessoa melhor. Não tinha nada a perder.&lt;br /&gt;Estava um tanto afastado de Deus, o que tornou também duro adotar os passos seguintes. De que Deus estavam eles falando? Para facilitar, imaginou aquele Deus de barba branca, que às vezes era amor e por outras era colérico e vingativo, promotor de chacinas de filisteus e outros a Ele menores. Criou para essa divindade uma personalidade mais agradável. Voltou até a rezar.&lt;br /&gt;Tinha já superado o Sétimo Passo, que tinha a vez com Deus e com suas próprias imperfeições, e começado o Oitavo, que, segundo a enxovalhada cartilha, que já lera tantas vezes, era : “Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”.&lt;br /&gt;A memória de muitas noites estava nos ralos e privadas de muitos e incontáveis banheiros de São Paulo afora. Deixou muito de si nas calçadas, no banco do carro e nos tapetes de casa. Nunca conseguiria se redimir perante aquele segurança que acertou na cabeça com uma lata, abrindo um corte fundo. Ou com gente desconhecida que fechou no trânsito com seu carro sem controle.&lt;br /&gt;Havia gente próxima e ofensas que o álcool não apagou da memória. Essa parte foi até fácil. Suas intenções eram puras e sinceras. De joelhos suplicou perdão à sua velha mãe pelas grosserias e impropérios. Visitou amigos e ex-amigos e pediu desculpas. Aos prantos pediu à sua mulher as mais fortes apologias pelas noites mal-dormidas e dinheiro gasto com seu vício, e, principalmente, pela sua ausência de homem e marido.&lt;br /&gt;De todas essas pessoas Gabriel recebeu amor e sentiu seu coração se aquecer. Às vezes, do fundo do poço, mãos amigas se estendem e oferecem redenção. Não que de todas tenha recebido uma recepção calorosa, mas preferiu acreditar nisso. Sabia que certas ofensas são imperdoáveis.&lt;br /&gt;Hoje, Gabriel pensava. Tentava refazer seus passos. Já buscou se reconciliar com as pessoas mais prejudicadas no seu tempo de perdição. Mas algo não estava certo. Faltava alguma coisa. Não podia avançar ao passo seguinte sem saber.&lt;br /&gt;Circulou de manhã pela cidade, tentando pensar no que era. E concluiu que percorrer o caminho era algo mais amplo. Cumprir o Oitavo Passo não era apenas se desculpar com gente prejudicada pelas bebedeiras, era  mais. Englobava ofensas antes do álcool, antes da queda em desgraça.&lt;br /&gt;Não lembrava de ofensas graves antes da descoberta terrível da garrafa, no tempo da faculdade. Não haviam grandes pecados anteriores. Ora, lógico que haviam, pecados originais. Chorou ao lembrar de duas ex-namoradas, e cujos corações despedaçou.&lt;br /&gt;Isabela era de um bairro humilde de Guarulhos, sua cidade natal, da mesma origem, vizinha. Era moça simples, e que, diferente dele, jamais saíra da comunidade. Certo dia, quando lhe surgiu a chance de estudar na capital, ele a deixou, sem maiores explicações. Não queria se sentir preso a nada. Conquistou seu espaço e nunca mais voltou.&lt;br /&gt; A outra era Letícia, e ainda morava em São Paulo. Era executiva de uma grande empresa. Largou ela pela sua esposa. Ou ela o largou, não lembra. Seu amor foi definhando e um dia morreu. Haviam ficado juntos por quatro anos, durante os estudos. Mas houve tempo para muitas ofensas.&lt;br /&gt;Era antes dos exageros com álcool, mas tinha que se redimir.&lt;br /&gt;Enquanto almoçava tomou a resolução. Chegaria em Guarulhos antes da hora do rush. Conversaria com Isabela, que já estaria em casa. Depois voltaria à São Paulo e acertaria as coisas com Letícia, que costumava chegar bem mais tarde. Não podia avisá-las, tinha que ser surpresa. Não sabia a reação que elas podiam ter.&lt;br /&gt;Só esperava que o endereço delas ainda fosse o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-8999302480153554171?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/8999302480153554171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=8999302480153554171&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8999302480153554171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8999302480153554171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/o-oitavo-passo-parte-1-de-3.html' title='O Oitavo Passo – Parte 1 de 3'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-7340058665335658349</id><published>2007-12-12T09:35:00.000-02:00</published><updated>2007-12-12T09:45:17.161-02:00</updated><title type='text'>Crônica "Alta-costura para as massas" recebe prestigioso prêmio literário</title><content type='html'>A crônica "Alta-costura para as massas" acaba de receber prêmio no Concurso Literário promovido por importante entidade de classe da advocacia em São Paulo (não conto qual para não revelar minha identidade, só tem um Luiz Augusto de sócio).&lt;br /&gt; Vocês são bondosos demais! Sabia que esse dia iria chegar, após anos vivendo das migalhas num pequeno apartamento alugado perto da Paulista. Consta que ganharei um troféu (nunca tinha ganho um) e livros (espero que não sejam de Direito).&lt;br /&gt; Estou vestindo uma camiseta "Eu já sabia". É que, pelos elogios dos poucos e bons leitores deste blog &lt;em&gt;eu já sabia&lt;/em&gt; que tinha um texto bom, sem falsa modéstia.&lt;br /&gt; Em homenagem, republico aqui a crônica, agora laureada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Alta-costura para as massas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu, recém-chegado do trabalho, ainda com as roupas de batalha, pensando em escrever uma crônica, mas paralisado pela preguiça. Toca a campainha. É Nelson Rodrigues, com o cigarro nos lábios, gravatas e suspensórios:&lt;br /&gt;- E aí, tu não vais escrever?&lt;br /&gt;- Nelson, é você? Que honra, a casa está uma bagunça, entre, entre (afasto a pilha de jornais da entrada) ...&lt;br /&gt;Arranjo uma cadeira para Nelson e me sento em outra:&lt;br /&gt;- Nelson, você apareceu em boa hora. Queria escrever, mas não sei sobre o quê.&lt;br /&gt;- Problema besta. Escreve uma história sobre uma viúva infeliz que se mata tomando guaraná com formicida.&lt;br /&gt;- O que é isso, Nelson? Isso seria te plagiar.&lt;br /&gt;- Plagiar a vida? Isso é a realidade. Como ela é.&lt;br /&gt;- Já há tantas histórias sobre isso...&lt;br /&gt;- Que nada, não com a tua visão.&lt;br /&gt;- Tá, pode ser. Mas é um tema meio batido, sem profundidade.&lt;br /&gt;- Imagina! Você tem que ser raso mesmo, escrever rápido, sem pensar muito. Fazer alta-costura para as massas. Bolar uma história por dia, entre o matraquear das máquinas de escrever da redação, com o filho da puta do chefe na tua nuca, pedindo o texto no prazo.&lt;br /&gt;- Não foi você mesmo que disse que toda unanimidade é burra?&lt;br /&gt;- Falei. Você quer escrever para ser lido ou quer guardar a sua voz, como a voz de Deus no Tabacaria do Álvaro de Campos, no fundo do poço? Você prefere ser um gênio incompreendido e morrer louco como o Van Gogh, sem um puto, ou quer ter o sucesso do Dan Brown ou do Stephen King?&lt;br /&gt;- Acho que ser o Dan Brown é mais divertido.&lt;br /&gt;- Claro que é. Até porque gênio você não é. Talvez só incompreendido e louco.&lt;br /&gt;- Poxa, Nelson, essa magoou. Mas estou cansado. Ainda estou de gravata e camisa social, acabei de chegar...&lt;br /&gt;- Crie sua lenda, rapaz. Depois você fala que escrever era a tua tara. Que você não suportava o teu serviço chato e corria de volta, doido para escrever. Que você rascunhava histórias na repartição. Esboçava tramas no trânsito. Criava personagens na cadeira do Teatro Municipal, escutando Mozart. Você já está até bem para a foto do livro, um ar de escritor blasé, de mangas de camisa e gravata torta. Fuma um, toma um uísque, para clarear as idéias.&lt;br /&gt;- Ainda estou sem assunto.&lt;br /&gt;- Pegue uma obsessão sua. Escreva sobre uma garota que te abandonou, uma derrota, uma humilhação. Lembre de quando você corou de vergonha ou de raiva. Espie o mundo pelo buraco da fechadura. Seja moleque, menino, leve, leviano. Dê vazão a uma tara.&lt;br /&gt;Levanto, cheio de moral:&lt;br /&gt;- Não sei quais são minhas obsessões, Nelson. Sei que já tenho um tema, obrigado. Vou falar de uma vez em que espionei pelo buraco da fechadura uma amiga da minha irmã tomando banho, na minha casa, durante a adolescência. Quando ainda existiam fechaduras com buracos grandes. Que gostosa!&lt;br /&gt;Nelson se levanta também. Dá pulinhos, esfrega as mãos:&lt;br /&gt;- É isso, meu jovem. Fala mais. Ela era bonita? Novinha? Virgem?&lt;br /&gt;- Nelson, você vai ter que ler a história mais tarde, como todo mundo. Eu vou escrever outro dia. Aliás, porque eu já escrevi o post de hoje.&lt;br /&gt;- O quê, nossa conversa?&lt;br /&gt;- Que crica, Nelson! Está bom, praticamente um diálogo de Platão.&lt;br /&gt;- E você é o Platão?&lt;br /&gt;- Não sei. Mas você é o Sócrates. E eu te condeno a tomar cicuta.&lt;br /&gt;A visão turva por um segundo. Ao abrir os olhos de novo, Nelson não estava mais lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-7340058665335658349?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/7340058665335658349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=7340058665335658349&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7340058665335658349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7340058665335658349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/crnica-alta-costura-para-as-massas.html' title='Crônica &quot;Alta-costura para as massas&quot; recebe prestigioso prêmio literário'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5585285745221948939</id><published>2007-12-11T09:29:00.000-02:00</published><updated>2007-12-11T09:30:19.278-02:00</updated><title type='text'>Dr. Adib Jatene e a CPMF</title><content type='html'>O Dr. Adib Jatene, escalado em vários eventos para defender sua cria, a CPMF, se coloca numa posição difícil e lembra outro personagem.&lt;br /&gt;Edward Teller, o pai da bomba H, após criar esse artefato cujo uso principal é assassinar em massa seres humanos, passou o resto de sua vida tentando achar os usos mais esdrúxulos para sua invenção, como desviar meteoros da Terra.&lt;br /&gt;Por mais que tente o Dr. Jatene, é duro acreditar que a CPMF será usada algum dia para melhorar o nosso sistema de saúde, e não para ajudar um governo perdulário a fechar suas contas.&lt;br /&gt;Nesse ponto, a CPMF parece mesmo uma bomba H, mas na economia nacional e nos bolsos dos contribuintes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5585285745221948939?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5585285745221948939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5585285745221948939&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5585285745221948939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5585285745221948939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/dr-adib-jatene-e-cpmf.html' title='Dr. Adib Jatene e a CPMF'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-8958596123392831841</id><published>2007-12-10T21:17:00.000-02:00</published><updated>2007-12-10T21:20:01.488-02:00</updated><title type='text'>Um domingo à australiana</title><content type='html'>Começava o domingo em Edimburgo, Escócia. Da minha cama na albergue contemplei minha mala acorrentada ao aquecedor. Nenhum sinal de arrombamento. Tinha esse trauma desde a última estada em quartos coletivos, quando ficara literalmente descalço graças aos préstimos de um mão-leve.&lt;br /&gt;O plano era atravessar a Royal Mile até o Castelo de Edimburgo, a principal atração da cidade. Um australiano da mesma idade, de apelido Bill, que eu conhecera no dia anterior, e que também estava hospedado no meu quarto, iria junto.&lt;br /&gt;Ele não estava em sua cama, e encontrei-o no corredor. Já estava pronto, com sua pequena mochila, que era tudo o que carregava nessa viagem. Nenhuma preocupação. Eu, ao contrário, até tinha prendido a minha mala para que ela não fugisse. E mais bagagem me aguardava em Londres, para quando voltasse de minha incursão ao norte britânico.&lt;br /&gt;Fomos marchando pela avenida famosa, de olho nos prédios preservados. Meu inglês permitia a comunicação. Tomamos café rápido, de pé, com a refeição apoiada num muro. Era tão cedo que o castelo nem estava aberto.&lt;br /&gt;Enquanto esperava fui perguntando sobre a Austrália. Fiquei com a impressão de que parecia o Brasil. Eles gostavam de surfe, rock e bebida, e o clima era como o nosso.&lt;br /&gt;O castelo então abre seus portões. Os turistas acumulados entram. Circulamos pelas muralhas majestosas.&lt;br /&gt;Muito a se ver. Britânico sabe fazer uma exposição. O museu sobre as guerras do século XX era de primeira. Bill conta que um ressentimento que os australianos guardam é a arapuca armada para eles em 1915, na localidade de Gallipolli, na Turquia, a maior derrota deles em combate. É até um feriado nacional. Nós no Brasil não temos uma grande derrota, vamos perdendo aos poucos, explico.&lt;br /&gt; Muita gente se deu mal ali, presa e torturada. A única compensação é que a ração dos prisioneiros incluía uma dose diária de cerveja.&lt;br /&gt;A lembrança sobre violência faz o australiano perguntar sobre o Brasil, se lá é muito perigoso. Limito-me a dizer que a coisa vai mal para nós. Falar dos detalhes é como estragar uma festa falando de doenças. Estava lá para esquecer um pouco disso.&lt;br /&gt;Tiramos uma foto ao lado da mãe do todos os canhões, o Mons Meg. Disse que era para a posteridade registrar o encontro do 2º Batalhão de Caçadores do Brasil com a 1º Divisão Pára-Quedista da Austrália. Tropa de Elite.&lt;br /&gt;Fora do castelo, vimos outras atrações. Entramos na Galeria Nacional da Escócia. Mas Bill não gostava de arte, e em dez minutos saiu do museu. Fiquei lá meia hora, mas também já estava farto de museus. E nunca gostei de deixar ninguém esperando.&lt;br /&gt;Andamos até uma rua do outro lado do vale. A chuva nos faz achar abrigo num restaurante (e foi difícil achar um aberto). Após o almoço surge a conclusão de que já não havia o que fazer na cidade. No Brasil  se iria à praia, se perto.&lt;br /&gt;Perguntei o que se fazia aos domingos na Austrália. Ele respondeu:&lt;br /&gt;- Lá se bebe.&lt;br /&gt;Bebamos, então. A primeira parada foi num bar metido a besta. Nos deu pouco álcool pelas nossas parcas libras e saiu caro. Uma parada estratégica no albergue nos deu mais poder de fogo, com as carteiras que estavam no cofre.&lt;br /&gt;Achamos um pub mais típico. Já eram cinco da tarde. Dois pints de cerveja depois a conversa já estava mais animada. Um jogo de futebol passava na TV. Perguntei a Bill sobre as mulheres na Austrália. Ele disse que eram boas, devolveu a pergunta, e teve a mesma resposta sobre o Brasil. Não entramos em detalhes, mas pude imaginar. Meninas de sotaque forte e bronzeadas. Eu fiquei tentado com as australianas, e acho que ele com as garotas de minha terra. A grama é mais verde no vizinho.&lt;br /&gt;Eu conhecia uma expressão em inglês para o cara pegador, casanova, “Ladies Man” (Homem das mulheres). Seria Bill um “Ladies Man”, perguntei. Ele explicou que na Austrália eles chamam esse cara de “Panties Man” (Homem das calcinhas). Ri muito. Mas a modéstia o impediu de se classificar.&lt;br /&gt;A fome chegava de novo. Pedi um prato típico escocês, o haggis e tatties, espécie de tripas de carneiro com batatas. Era ruim, mas comi mesmo assim.&lt;br /&gt;Quis saber mais sobre a Nova Zelândia, ilha perto da terra dele. Há uma rivalidade, ele explicou. Pelo que entendi, é como a Argentina para nós. Bill conhecia muitas piadas, impublicáveis, sobre os ilhéus e suas ovelhas.&lt;br /&gt;Enquanto me servia de mais um pint, uma senhora loira levanta da mesa ao lado, em que estava com um homem mais velho que ela, e anuncia a ele (e a todos do pub):&lt;br /&gt;- Eu nunca mais vou ver você. So long!&lt;br /&gt;E sai a mulher bufando pela porta do pub. Todos no bar se viram para o homem, que se afunda na cadeira e se esconde atrás da sua caneca de cerveja. Cinco minutos depois o assunto dos convivas já era outro. Mas eu prestei atenção no homem por um tempo. Os primeiros minutos de um fim de caso devem ser terríveis. Depressão total, se você gosta da pessoa. Parecia ser o caso. Meia hora depois ele também tomava o caminho da rua, sem ligar para a garoa que caía e que acompanhava seu estado de espírito.&lt;br /&gt;Sendo a Escócia, chovia de novo. Pegamos guarda-chuvas emprestados no bar (o país é civilizado o bastante para isso) e fomos para outro pub. Haviam garotas lá, mas só ficamos olhando. Eu incitei Bill, o Panties Man, a abordá-las, solteiro que ele era, mas ainda lhe faltava coragem. Ou mais cerveja.&lt;br /&gt;Eu já tinha passado os limites aceitáveis de álcool, mas Bill parecia um saco sem fundo. Outra mudança. Provamos as cervejas de outro lugar. Notei que já eram quase dez da noite. Metade do dia foi passado bebendo cerveja. Se fossemos respeitar a tradição do lugar e beber uísque já teríamos morrido. E a “água da vida” era até mais barata que cerveja.&lt;br /&gt;Bill queria ir a um outro pub, com música ao vivo. Eu já não agüentava e voltei para o albergue. Desejei-lhe boa sorte. Invejei a sua disposição. Perguntei:&lt;br /&gt;- Todo domingo é assim na Austrália?&lt;br /&gt;- É sempre assim, man.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte a minha cabeça parecia maior do que era. Bill estava em sua cama. Ele estava acordado. Perguntei como foi. Ele estava prosa, e se gabou de ter conhecido uma garçonete de pub às três da manhã, que topou levá-lo para casa. “É isso aí, Panties Man”, trocei. Ele riu, e confessou que ela era feia e um pouco gorda.&lt;br /&gt;Despedi-me de Bill. Eu tinha uma excursão para os lagos saindo em pouco tempo, e ele iria para Glasgow, ver a cidade de origem de seus ancestrais. Trocamos os endereços de e-mail e combinamos de um dia visitarmos os respectivos países. Talvez ele tope vir para cá ver a Copa do Mundo.&lt;br /&gt;Fiquei imaginando um país que passa os domingos surfando e bebendo cerveja. Exceto pelo bronzeado, parecia pouco saudável.&lt;br /&gt;Percebi que num domingo à australiana não se aprende muita coisa. Exceto os limites de uma ressaca e muitas piadas de neozelandês. Se um dia eu for à Austrália eu volto num vôo de sábado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-8958596123392831841?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/8958596123392831841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=8958596123392831841&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8958596123392831841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8958596123392831841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/um-domingo-australiana.html' title='Um domingo à australiana'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5047887741684324733</id><published>2007-12-06T08:52:00.000-02:00</published><updated>2007-12-06T08:54:00.023-02:00</updated><title type='text'>Entrevista com o Extirpador-Geral da República</title><content type='html'>Consegui agendar uma entrevista exclusiva com um servidor público que não existe e que ocupa um cargo jamais criado, o Extirpador-Geral da República. Sua função é identificar todos os cargos e instituições que ele considere inúteis da República Federativa do Brasil e cortá-las do Orçamento. É trabalho inglório. Ressalvo já que todas as opiniões aqui contidas são de exclusiva responsabilidade do Extirpador-Geral (abreviado com a sigla EGR), já que o próprio entrevistador não descarta a possibilidade de ocupar uma dessas rentáveis sinecuras, antes que a tesoura enferrujada de parca do EGR acabe com a mamata. A entrevista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LA: Boa tarde, senhor EGR&lt;br /&gt;EGR: Boa tarde. Pode me chamar de Herges.&lt;br /&gt;LA: Senhor Herges, qual será o primeiro corte?&lt;br /&gt;EGR: O Senado. Inteiro.&lt;br /&gt;LA: Por quê?&lt;br /&gt;EGR: Ora, porque é uma piada existir outra Casa de Leis federais, sendo que já existe a Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;LA: E a representação dos Estados, Dr. Herges, como fica?&lt;br /&gt;EGR: Meu jovem, me responda sinceramente. Você acha que o Piauí é igual a São Paulo? Que o voto de um acreano vale o mesmo que, sei lá, dez fluminenses? Tenha dó (bate na mesa e bufa).&lt;br /&gt;LA. Certo. E depois?&lt;br /&gt;EGR: Corto de uma penada essas leis trabalhistas, da década de 1940, que já não protegem ninguém.&lt;br /&gt;LA: E o que acontece?&lt;br /&gt;EGR: Isso acaba com o emprego de um monte de juízes trabalhistas e de procuradores do Trabalho. Transformarei todos em Procuradores DE trabalho (risos nervosos). É o fim também dos sindicalistas e de seus sindicatos pelegos.&lt;br /&gt;LA: E em seguida?&lt;br /&gt;EGR: Acabo com o Superior Tribunal de Justiça&lt;br /&gt;LA: Mas por que, seu Herges?&lt;br /&gt;EGR: Por razões pessoais. Lá é um Tribunal que em tese serve para “unificar a legislação federal”, etc. Meu filho, advogado, mandou um recurso para lá e o mesmo não foi conhecido por “faltarem peças essenciais”, segundo as regras processuais, vê se pode...&lt;br /&gt;LA: O que faltava?&lt;br /&gt;EGR: Uma única procuração do advogado da parte contrária. Aí pensei com meus botões. Se essa Corte faz de tudo para não julgar um recurso, ela está negando justiça. Não precisaria existir. É uma estrutura cara apenas para recusar recursos das partes em litígio e chamar mais gente de ministro. E ainda tem uma sede cara, com projeto do Niemeyer (enfático).&lt;br /&gt;LA: E qual seria a missão seguinte?&lt;br /&gt;EGR: De uma canetada só acabo com todos aqueles cargos em comissão, onde se penduram parentes e correligionários para todos os gostos. Acabo todos os Tribunais de Conta, que não fiscalizam nada. Acabo com o Ministério da Igualdade Racial, que quer criar o racismo no país, e com os outros ministérios inúteis. Acabo com as exigências de reconhecimento de firma, autenticação de documentos e outros registros sem utilidade, o que mata todos os cartórios de notas (dá pulos na cadeira, eufórico).&lt;br /&gt;LA: Parece que não vai sobrar nada, seu Herges. Qual a próxima medida?&lt;br /&gt;EGR: Após deixar Brasília um verdadeiro deserto, sem trocadilho, só restará uma coisa a fazer. Demito todos os servidores do meu órgão. Assino minha própria demissão, apago as luzes do prédio, tranco tudo e entrego as chaves de volta ao Presidente da República.&lt;br /&gt;LA: Sucesso em sua missão, senhor EGR. Obrigado pela entrevista&lt;br /&gt;EGR: Eu é que agradeço.&lt;br /&gt;Avisei desde o começo, até para me eximir de culpa ou dolo. Esse servidor não existe, é como o Saci ou a Mula-Sem-Cabeça. Dá para acreditar nesse papo de ele próprio se demitir? É um piadista, né? Mas tudo o que aqui foi dito pode ser a ele atribuído. Não venham me processar depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5047887741684324733?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5047887741684324733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5047887741684324733&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5047887741684324733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5047887741684324733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/entrevista-com-o-extirpador-geral-da.html' title='Entrevista com o Extirpador-Geral da República'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-7549458604751820350</id><published>2007-12-05T09:59:00.000-02:00</published><updated>2007-12-05T18:51:14.010-02:00</updated><title type='text'>Por qué non te Callas?</title><content type='html'>Nesses tempos difíceis a melhor coisa é ouvir a Maria Callas e ficar mesmo calado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R1aSquRiWeI/AAAAAAAAANQ/04UbH0mkWmc/s1600-h/Callas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140457287363746274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R1aSquRiWeI/AAAAAAAAANQ/04UbH0mkWmc/s320/Callas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-7549458604751820350?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/7549458604751820350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=7549458604751820350&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7549458604751820350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7549458604751820350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/por-qu-non-te-callas.html' title='Por qué non te Callas?'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R1aSquRiWeI/AAAAAAAAANQ/04UbH0mkWmc/s72-c/Callas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5754222485949663839</id><published>2007-12-04T21:49:00.000-02:00</published><updated>2007-12-04T21:54:56.939-02:00</updated><title type='text'>O hóspede em Amsterdam</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R1XoMeRiWcI/AAAAAAAAANA/M4SZpg6cwMk/s1600-h/P5190396.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140269850695981506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R1XoMeRiWcI/AAAAAAAAANA/M4SZpg6cwMk/s320/P5190396.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Era definitivo. Não havia gostado mesmo do hotel. Já tivera a má impressão na chegada, quando aqueles três garotos árabes entraram sem convite e foram até o andar dos quartos. Imaginou que eles estavam a fim de furtar algo. A enjoada recepcionista mal deu conta deles, que acabaram saindo porque quiseram. Pestes. Provavelmente filhos de um pai que teve oito filhos. Eles próprios, cada um, terão oito filhos um dia. A miséria deles não acabará nunca.&lt;br /&gt;Lembrava disso enquanto mastigava o pão sem sabor e tomava o leite quase azedo. Dois alemães, turistas também, dividiam uma mesa ao lado.&lt;br /&gt;Em pouco tempo teria que deixar o hotel. Houve um problema com sua reserva. Sua agente de viagens, lá em casa, estava ligando para tudo quanto era lugar a fim de lhe conseguir um quarto. Confiava nela, iria conseguir outro lugar, apesar do feriado holandês.&lt;br /&gt;Não havia o que fazer. Largaria as malas no depósito, iria até o centro e visitaria algum museu. Ligaria para casa mais tarde a fim de saber qual era o novo hotel. Voltaria ao hotel antigo e pegaria suas coisas. Aí começaria a nova fase de sua estada em Amsterdam. Esperava algo melhor, como prêmio pelo aborrecimento.&lt;br /&gt; Um bonde o deixou perto do museu Van Gogh. Daria para o gasto. Olhou sem interesse as pinturas cercadas por multidões de turistas. Tinha vontade de ir embora, mas ao mesmo tempo não queria voltar à rua e ficar sem fazer nada, só esperando a hora de ligar para o Brasil e saber de seu destino. Era cedo. Ficaria.&lt;br /&gt;Girassóis. Campos de trigo. Corvos num fundo amarelo e bege. Um quarto em Arles com suas parcas posses. Amigos. Muita cor. Quanta coisa viu o artista. Um dia ele cortou a própria orelha. Num outro ele resolveu cortar sua própria vida, com um revólver afiado. Seu irmão e marchand o seguiria à tumba alguns meses depois. C´est dommage, lamentariam seus conhecidos franceses.&lt;br /&gt;E décadas depois, nesta mesma Amsterdam, um muçulmano maluco iria abater a tiros e a facadas um descendente dos Van Gogh, um diretor de cinema que portava o sobrenome famoso. Seu pecado foi criticar alguns de seus costumes bárbaros.&lt;br /&gt;Após o almoço ligou para o Brasil. Uma boa notícia. Ficaria num hotel cinco estrelas, o Barbizon Palace, bem no centro. Longe das periferias de árabes. Justo o que esperava, um prêmio pelo aborrecimento de ter ficado sem-teto por algumas horas. Perguntou à agente se ele poderia pegar um táxi para o traslado, para poupar tempo. Claro que sim, ela o ressarciria.&lt;br /&gt;Conforme o combinado, pegou o carro de aluguel. Um Mercedes dos bons o levou até o hotel antigo. O taxista não era falador. Ele próprio não estava a fim de conversa. Queria pegar as malas e ir logo para o hotel novo.&lt;br /&gt;Apanhou sua bagagem em sua antiga hospedagem. Antes de ir embora teve vontade de mandar a recepcionista enjoada para os diabos: “Eu vou para o Barbizon, e você vai ficar aqui”. Deixou quieto.&lt;br /&gt;De volta ao táxi, mais relaxado, conseguiu até falar um pouco com o taxista. Perguntou porque ele usava um Mercedes para o serviço de táxi. Ele disse que os carros para táxi na Holanda são baratos, e aquela marca dá menos gasto com peças. Muito justo.&lt;br /&gt;Chega, enfim, ao Barbizon. Luxo e sofisticação. Um carregador leva sua bagagem ao quarto. Passam pelo concierge, que poderá lhe indicar o melhor de Amsterdam.&lt;br /&gt;“O hotel tem piscina?”, pergunta ao carregador.&lt;br /&gt;“Não, senhor, não tem”.&lt;br /&gt;Deve ser por causa do frio. Não custava perguntar.&lt;br /&gt;Larga uma gorjeta pela ajuda e entra em seu novo lar pelos próximos dias. Uma coletânea de brindes está na mesa da pia. Shampoo, sabonetes, até pasta de dentes, tudo personalizado com o nome do hotel. Atrás, uma banheira espaçosa.&lt;br /&gt;Sobe uma pequena escada que separa o hall de entrada e o banheiro do quarto em si. Uma cama gigantesca, com um edredom bem convidativo.&lt;br /&gt;Seria um desperdício aquilo só para ele. Pela primeira vez em algum tempo lembrou da namorada que largara em casa. Tentava não pensar muito, já que as coisas não andavam bem. Ela mal respondia seus telefonemas. Poderiam aproveitar aquilo muito, se ela tivesse topado ir junto. Paciência.&lt;br /&gt;Havia um guia da cidade ao lado da TV. Um roupão branco de algodão o aguardava no armário. Isso é coisa de gente fina. Vestiu o roupão. Muito confortável. Deitou na cama e acabou adormecendo por uma hora, sem sonhar com nada.&lt;br /&gt;Ao acordar estava a fim de um banho. Colocou a água para esquentar. Esperou a banheira encher lendo algumas páginas de um livro. Insinuou-se para a água morna e escorregou até afundar. Ficou ali por outra hora, até sentir os dedos murcharem, ao limite em que a fome era maior que o prazer que obtinha da água quente.&lt;br /&gt;Enrolou-se no roupão e andou até a bancada, que aninhava o cardápio. Nenhuma mordomia seria completa sem pedir serviço de quarto. Pediu um sanduíche e um refrigerante.&lt;br /&gt;Deitou-se para esperar e ligou a TV. Um canal inglês falava de uma menina sumida em Portugal. Mero seqüestro? Não era seu problema.&lt;br /&gt;Sem agüentar ficar mais parado fuçou as coisas que estavam no quarto. Haviam três livros. A indefectível Bíblia, uma espécie de doutrina de Buda e um livro colorido sobre a cidade. “Amsterdam é uma cidade vibrante e cosmopolita”, dizia uma página do guia, em inglês. Outras anunciavam as atrações da cidade e relembravam sua história. A Era de Ouro holandesa. O Distrito da Luz Vermelha e suas mulheres nas vitrines.&lt;br /&gt;Ligou para a namorada. Pelo fuso ela já estaria em casa. Ela tinha a voz fria e não queria muita conversa. Desligaram. Como dos outros dias, pensou que aquela viagem fora um erro. Mas não ligaria mais. Todo dia era o mesmo tratamento indiferente que ela lhe dava. Resolveriam na volta.&lt;br /&gt;O sino toca. Era o serviço. Comeu sem muito entusiasmo e dormiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte desceu ao lobby de entrada. Numa das salas seria servido o café da manhã. Havia um piano de cauda ao fundo. Não sabia tocar nada. Foi até o instrumento e aprumou-se na banqueta. Estalou os dedos como um virtuose prestes a deslumbrar uma platéia ansiosa e dedilhou umas notas. Tocou o tema de James Bond, fá fá fá rá fá fá fá fá fá fá rá rá... Um funcionário do hotel se aproximou e pediu silêncio, todos dormiam, era domingo. A arte não é para todo instante...&lt;br /&gt;O café prometia. Queijos importados. Pães. Bolos. Geléias. Ovos preparados de três maneiras. Panquecas. Waffles. Cereais. Até champagne era servido. Só não tomou uma taça por achar que beber sozinho é o primeiro passo para o alcoolismo. Não costumava comer muito ou ver prazer na comida, mas naquela manhã ele se fartou. Sentia-se poderoso.&lt;br /&gt;Breve ida ao quarto para se preparar e o hóspede tomou as ruas. O Distrito da Luz Vermelha era logo ali.&lt;br /&gt;Andou o dia todo e viu muitas coisas. Os olhos se cansaram de ver e os ouvidos de escutar. Um mar de gente e bicicletas, em meio aos bondes modernos e aos carros. Atravessar a rua era um desafio a todo minuto.&lt;br /&gt;Circulou pelas ruas entre os canais. Viu igrejas e casas em barcos. O problema de viajar solo é não ter com quem comentar as coisas vistas.&lt;br /&gt;Uma vendedora de flores chamou sua atenção pela beleza. Era a melhor coisa que vira na viagem. Cabelos loiros descendo pelo rosto, avental de moça do campo. Era até romântico. Flores, e uma beleza tão pura. Nem perdeu seu tempo. Não havia futuro. Não ficaria ali, e ela não iria com ele embora. Perguntou o preço de um vaso das típicas tulipas apenas para ouvir sua voz. Um timbre quase sonoro. Tentador.  &lt;br /&gt;Bem perto do hotel, na volta, uma placa num hotel lhe chamou sua atenção. Ela tinha o alto-relevo de um homem tocando trompete e uma mensagem do gênero em baixo:&lt;br /&gt;“Nesse hotel, em 13 de maio de 1988, morreu Chet Baker. Sua música continuará para sempre”.&lt;br /&gt;Já tinha ouvido falar dessa história. O trompetista e cantor gênio provavelmente ingeriu uma quantidade de letal de drogas ou álcool e despencou do segundo andar de um hotel. Aquele diante do seu. Se estivesse passando ali anos atrás, hospedado como agora no hotel vizinho, poderia ter visto a polícia chegando, e o corpo caído no chão, coberto por um lençol. Faria o sinal da cruz e entraria pesaroso em seu hotel, grato de não ser ele o corpo cercado de gente.&lt;br /&gt;Voltou para o seu quarto pensando em Chet. Conhecia só uma música dele. “Let´s get lost. Let´s get lost in each other arms...” Talvez Chet também tenha sido um hóspede solitário, naquele hotel que foi sua última casa, e cuja calçada dura foi a última coisa que sentia na vida. O baque do concreto em sua cabeça cheia de música.&lt;br /&gt;O hóspede se sentia só. Lembrou dos seus e de sua terra, deitado de roupão na cama. Ótimo que essa viagem estava acabando. Mas tinha que aproveitar aquela noite, sua última na Europa. Pegou um bonde e foi para uma região agitada. Circulou pelas ruas.&lt;br /&gt;Um gramado verde continha lagartos de bronze entre flores, pareciam vivos. Saber que iria embora dava uma sensação de abandono, como se largasse a mulher amada. Aquele quarto no cinco-estrelas era seu lar agora. Tirou foto de tudo que pudesse lembrá-lo de Amsterdam depois. Bebeu até se entorpecer, sozinho e em contrariedade às próprias regras. Não se afogou num canal e voltou para o seu quarto. Tampouco despencou da janela do mesmo.&lt;br /&gt;Ao acordar, recolheu suas coisas e foi para o aeroporto que os nazistas bombardearam durante a guerra. Fez do avião seu último ponto de hospedagem. Sabia que na volta seu romance iria acabar. Afundou na poltrona como se essa o tragasse, como se isso o pudesse defendê-lo das coisas que terminam.&lt;br /&gt;Lembrou do quarto do hotel. Do roupão e da banheira. Do café da manhã. E da vendedora de flores. Pareciam ser as únicas coisas importantes em Amsterdam.&lt;br /&gt;Tentou dormir enquanto as terras da Europa se afastavam e o avião pairava sobre o Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140270293077613010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R1XomORiWdI/AAAAAAAAANI/hLg4sCTOct4/s320/P5190398.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5754222485949663839?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5754222485949663839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5754222485949663839&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5754222485949663839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5754222485949663839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/12/o-hspede-em-amsterdam.html' title='O hóspede em Amsterdam'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/R1XoMeRiWcI/AAAAAAAAANA/M4SZpg6cwMk/s72-c/P5190396.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-148093314177735482</id><published>2007-11-22T21:44:00.000-02:00</published><updated>2007-12-14T16:21:19.482-02:00</updated><title type='text'>O patrão</title><content type='html'>Um sábado. Rodando pelas ruas de São Paulo um anúncio me atrai. Um grupo de mocinhas escaldadas de sol segurava as placas de um empreendimento, o Les Jardins. Tudo na planta, nada de obra ainda.&lt;br /&gt;Estaciono no terreno, onde um stand de vendas atraia a possível clientela com crepes na chapa, café e refrigerantes. Muita gente de olho, circulando. O croqui promete 300 metros quadrados exclusivos. Estilo neo-clássico, apenas oito andares por torre, num terreno enorme. Piscina com bar tropical. Ofurô. Bosques particulares com trilha e área de Tai Chi Chuan. Academia, pista de skate, playground, tudo para que não seja preciso encarar a vida lá fora.&lt;br /&gt;Visito o apartamento decorado. Geladeira com água na porta. Uma sala gigantesca. Varanda com churrasqueira. Adega de vinhos. Suítes. Escritório. Banheira. Closet.&lt;br /&gt;Começo a imaginar a minha vida ali. Todos os bons ingredientes estavam lá. Acordaria de manhã, ao lado de minha mulher. Enquanto ela ainda dormisse, eu iria, pensativo, para a varanda, envergando um roupão de seda. Acenderia um charuto e olharia o bosque debruçado na amurada. Daria um sorriso de satisfação e circularia pela casa ainda silenciosa.&lt;br /&gt;Após apanhar os jornais na porta e um copo de água gelada (sem abrir a geladeira, claro) encheria a banheira redonda. Ficaria por uma hora na água morna, lendo os jornais e terminando o charuto, refestelado, alheio, rico.&lt;br /&gt;Em seguida, iria até o escritório. Refugiado do mundo, escreveria uma crônica no notebook, ao som de música clássica e dos pássaros do bosque. Para relaxar, ligaria um show de rock no home theather, ou um filme clássico. Som e imagem perfeitos. Olharia para a churrasqueira e, mesmo sem saber assar nada, ficaria satisfeito de saber que eu poderia andar até lá e fazer churrasco um dia, se eu quisesse.&lt;br /&gt;Minha mulher, talvez algum filho, me tiraria do sossego, sedentos de atenção. Um dia perfeito.&lt;br /&gt;Um corretor me chama de volta à realidade. Diz qual é o preço daquele estilo de vida. O financiamento brutal. Muitos anos de prestação. Taxas de corretagem e outras cositas mais. Só à custa de muito sacrifício e dívida aquele recanto seria meu. Não era para já. Quem sabe daqui a alguns anos?&lt;br /&gt;Naquele exato momento alguns abonados investidores portugueses, na mesa ao lado, compravam oito unidades, para revender. A corretora não continha sua felicidade, bafejada pela sorte de ter atendido eles, e não eu, que fora lá apenas filar um cafezinho e xeretar.&lt;br /&gt;Entendi afinal o que é chegar lá. Digo isso sem qualquer crítica a qualquer sistema econômico que seja. Todos são iguais na criação de castas privilegiadas. É assim desde que o mundo é mundo. Quem pode se isola. Os classe AAA vivem em suas mansões e vilas. Voam de helicóptero, não pegam trânsito, não esfregam seus ombros com a multidão. No lado oposto, divide-se tudo. Reparte-se espaço no metrô, no ônibus, na rua. Tudo lotado, sujo, escasso e poluído.&lt;br /&gt;No meio do caminho, a classe média tenta para obter para si um pouco de espaço, onde ainda lhes restar. No bairros centrais de São Paulo é tudo caro e não resta mais nada. Seguem rumo às fronteiras do mercado imobiliário, onde ainda há verde e terrenos. Pedem e são atendidos em seus desejos por condomínios fechados e sossego. Se possível, com uma fachada neoclássica.&lt;br /&gt;E por que não eu? Um dia lançam outro Les Jardins. Aí será minha vez de ser patrão. Um canto meu, longe da fúria do mundo. Talvez, se não fosse pedir muito, sem neoclassicismo ou novo-riquismo de qualquer espécie. Também não vejo uso para a pista de skate.&lt;br /&gt;Seria bom apenas viver num país em que esse sonho não fosse considerado como alienação burguesa, tomado que ele está de toda aquela bobagem de esquerda. Numa verdadeira liberdade as pessoas seriam deixadas em paz para perseguir isso, se é o que elas querem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-148093314177735482?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/148093314177735482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=148093314177735482&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/148093314177735482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/148093314177735482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/11/o-patro.html' title='O patrão'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-6326760085092026032</id><published>2007-11-21T22:12:00.000-02:00</published><updated>2007-11-21T22:13:10.656-02:00</updated><title type='text'>Acepipes, quitutes e baculejo</title><content type='html'>Certa feita fui convidado para uma festa-surpresa de aniversário. De outra pessoa. Se fosse minha não faria jus ao nome. Veio tarde. Já tinha idade suficiente para ter ido em várias, mas aquela foi a primeira.&lt;br /&gt;Como funciona? Os convidados chegam cedo e, lógico, antes do aniversariante. Geralmente é organizada por um parente próximo que resida junto com o homenageado. No caso, era a esposa de um amigo meu a anfitriã. Fomos bem recebidos com vinho e com a chamada “finger food”, acepipes que podem ser comidos com os dedos. É até meio chato com o aniversariante, que perde parte da comida e da festa. O segredo está em fazer os alimentos durarem até a sua chegada, pelo menos.&lt;br /&gt;E houve este risco. Nosso homenageado não chegava. É um workaholic, trabalha muito, e ficou ainda preso no trânsito. Mas, enfim, foi anunciada sua chegada. Ele está subindo, dizia o porteiro.&lt;br /&gt;Apagam-se as luzes. Todos se escondem. Numa comédia ruim, todos pulariam de seus esconderijos quando a vítima entrasse, e esta teria um infarto ou síncope, gerando algumas risadas na platéia.&lt;br /&gt;Nesta festa, ficamos apenas na expectativa. As velas foram acesas. A cera derretia no bolo, já nas mãos da dedicada esposa, e nada de seu marido chegar. Os números que formavam os anos de vida já estavam quase na lona quando este enfim entrou. Parabéns! Viva! Foi surpresa real para ele. Eu sempre achava que os homenageados sempre suspeitavam de algo.&lt;br /&gt;Rolava a festa, que se transforma num evento normal após a chegada. Todo mundo relaxa, os momentos pré-chegada são muito tensos.&lt;br /&gt;Conversava na varanda com o meu amigo quando deparo num outro evento na calçada, oito andares abaixo. Uma viatura de polícia, com estrépito, sobe a guia e intercepta um elemento na calçada, que pedalava uma bicicleta, fechando a passagem. Sua magrela cai no chão e ele é rendido, logo sendo levado pelos policiais a assumir a posição clássica de detenção. Pernas afastadas e mãos na parede. O que os populares chamam de “baculejo”.&lt;br /&gt;A  palavra me veio imediatamente à cabeça. Consulto o Aurélio. Entre a palavra bacul (bastão, caule) e baculífero (planta cuja haste pode servir de bastão ou bengala) não há nada, onde deveria estar baculejo, termo pelo qual o povo conhece a revista pessoal.&lt;br /&gt;Pois bem, de volta ao baculejo em questão. Continuo de olho na cena. Meu amigo não parece muito interessado. Estranho essa indiferença. “Você está vendo isso?”&lt;br /&gt;“Ah. É um malandro que roubava bicicletas aqui na área. A polícia já estava de olho nele”.&lt;br /&gt;Parecia que ele falava de um ladrão de estimação da vizinhança. “Que danado. Levou outra bicicleta”...&lt;br /&gt;Fim da linha para o bandido. De lá eu podia ver até o seu rosto e sua expressão preocupada. Aquele baculejo era apenas o começo de tudo, do fim, e isso devia passar pela sua cabeça. Se ele nunca tinha sido preso ele iria ver muitas coisas naquela mesma noite, e nos dias que viriam. Seria interrogado, talvez até com um pouco mais de ênfase. Conheceria uma carceragem lotada. Teria um susto com colegas de cela piores que ele. Sofreria violências. Seria transferido para um presídio. Faria uma viagem ao fórum e confrontaria um juiz. Condenado, ficaria um bom tempo vendo o sol nascer quadrado.&lt;br /&gt;Do alto, alguns andares acima, eu provava quitutes diversos e tomava vinho. Nada naquela noite me prometia surpresa alguma. Nenhum baculejo estava vindo no meu caminho. Não perguntei por quem as sirenes dobravam, não eram por mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-6326760085092026032?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/6326760085092026032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=6326760085092026032&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6326760085092026032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/6326760085092026032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/11/acepipes-quitutes-e-baculejo.html' title='Acepipes, quitutes e baculejo'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-20039535680107375</id><published>2007-11-19T20:01:00.000-02:00</published><updated>2007-11-19T20:02:44.492-02:00</updated><title type='text'>No matadouro perderei minha alma</title><content type='html'>Estaciono o carro na praça deserta. O vento arrasta papéis e poeira. É o crepúsculo e a noite se insinua na cidade. Entro num edifício amplo de tijolos aparentes, de aparência antiga. Um serviçal da casa me indica que ali já foi um matadouro municipal. Os fantasmas de milhares de bois assassinados habitam aquele lugar.&lt;br /&gt;Espio com curiosidade uma estranha máquina, um antigo precursor de projetor. É um equipamento que contém inúmeras imagens em seqüência. Girando-se sua manivela, as imagens ganham vida. Mostram uma sinistra antecipação do que está por vir.&lt;br /&gt;Cesso as distrações e adentro o recinto principal. Sou conduzido ao meu lugar. A luz do da se torna mais tênue. Cai o pano. Tudo é escuridão. Começa o espetáculo. Uma feiticeira anuncia na tela os horrores que estão por vir.&lt;br /&gt;Eu foi assistir “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, filme de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, bairro da Vila Mariana. Sim, eu estou obcecado por este personagem. Aproveitei os dias de far niente entre dois feriados para ver mais filmes desse diretor, enquanto a Mostra a ele dedicada prossegue. Eu simplesmente tinha que desvendar esse personagem, clássico da nossa contra-cultura.&lt;br /&gt;A história se passa numa anônima cidade do interior do Brasil. Zé do Caixão é um mero agente funerário lá. Ele não é um vampiro ou zumbi, tampouco bebe sangue. Ele não tem, a princípio, nem um suspiro de outros mundos, para citar algo que vi num prefácio dum livro de Stephen King, o mestre do terror.&lt;br /&gt;O poder de Zé é outro. Ele é uma espécie de macho alfa local. Ateu. Mulherengo. Único a lidar com os mortos e que não tem medo deles. Livre-pensador, sem superstições. Não se curva à Igreja Católica. Veste-se como quer, todo de preto, usa cartola e capa. Tem unhas compridas, como garras. Seu olhar é poderoso, quase hipnótico. Não tem medo, enfim.&lt;br /&gt;Em plena Sexta-Feira da Paixão, após conduzir um funeral, Zé volta à sua casa. Sua companheira está lá. Anuncia a ela que está com fome. Quer carne, alimento vedado naquele dia para todos os outros habitantes do lugar. Quer carne, nem que seja humana. Come um pedaço de carneiro sob o olhar do padre que conduz a procissão. Isso já mostra muito do seu caráter.&lt;br /&gt;Zé do Caixão circula pela noite. Pára na taverna, exige vinho. A história começa quando ele tem um estalo, uma idéia. Precisa ter o filho perfeito. É o momento de virada, em que um psicopata começa a surgir. E ele surge com estilo. Arranca com o resto de uma garrafa quebrada os dedos de um homem com o qual jogava cartas. Chicoteia outro aldeão. Zé é o terror da cidade, ninguém ousa enfrentá-lo.&lt;br /&gt;Assim que chega em casa Zé assassina sua mulher com uma aranha venenosa. Ela não poderia lhe dar o filho perfeito. Começa a cobiçar a noiva de sua amigo Antônio. Ele é um obstáculo. Logo Zé o mata também, com um golpe na cabeça.&lt;br /&gt;Uma trilha de cadáveres a ser deixada por Zé, que se mostra apenas um maníaco. Ele violenta a noiva de Antônio. Desgraçada, ela se mata enforcada. Zé mata o médico da cidade, queimado, para ocultar seus crimes, depois de lhe arrancar os olhos. A sua loucura cresce mais e mais. Cínico, realiza ele próprio os funerais de suas vítimas.&lt;br /&gt;O povo desconfia, rumores sobre as mortes misteriosas crescem à boca pequena, mas ninguém se atreve a confrontá-lo.&lt;br /&gt;Chega o dia dos Mortos, 2 de novembro. Zé está na taverna. Enfia uma coroa de espinhos no rosto de um paisano mais corajoso. A sua risada louca ecoa, como em muitas outras vezes.&lt;br /&gt;Surge uma bela jovem, que precisa ir para a casa de seus parentes, do outro lado do cemitério. Zé do Caixão zomba das crendices da gente simples, que não se oferece para ajudar a moça. Todos tem medo do que pode acontecer com os mortos à solta neste dia. Mas ele é o líder da matilha, não pode deixar escapar esta presa, carne nova no pedaço. E nada pode atingi-lo. Teme apenas os vivos.&lt;br /&gt;Após deixar a jovem em seu destino, Zé atravessa o cemitério, destemido. Desafia os cadáveres a se levantarem. Zomba de sua condição de defuntos. E da pior maneira aprende que nem tudo são crendices, quando seus mortos ressurgem para se vingarem.&lt;br /&gt;Por muito tempo imaginava que Zé do Caixão fosse uma espécie de entidade sobrenatural. Era apenas um louco assassino, personagem tão emblemático quanto Hannibal Lecter ou Jason. E é coisa nossa, brasileiro como a jabuticaba. É genial criação de um de nossos cineastas mais pitorescos, José Mojica Marins. Saio do matadouro. Já é noite. Silêncio. Estariam os mortos à solta?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-20039535680107375?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/20039535680107375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=20039535680107375&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/20039535680107375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/20039535680107375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/11/no-matadouro-perderei-minha-alma.html' title='No matadouro perderei minha alma'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3299265438811637495</id><published>2007-11-16T12:02:00.000-02:00</published><updated>2007-11-16T12:03:10.886-02:00</updated><title type='text'>D´Gajão mata para vingar no Planeta Terror</title><content type='html'>O filme muito ruim, chamado de B, sempre me atraiu. Assisto-o sem grandes pretensões, como se fossem comédias. Os mais divertidos são aqueles em que o diretor queria fazer um filme sério e, como um marido traído, só vai perceber que sua obra é recebida pela platéia com gargalhadas quando já é tarde demais e o projetor roda no escurinho.&lt;br /&gt;Certa vez esperava um grupo de amigos para uma sessão de cinema caseira. Queria algo leve e nonsense para assistir. Não tive dúvidas. Aluguei a fita “A Geladeira Diabólica”, em que esse geralmente pacífico eletrodoméstico cria pernas e passa a ter instintos homicidas, esmagando à golpes de portadas os incautos habitantes de um apartamento.&lt;br /&gt;Foi então com alegria que recebi a notícia que chegava às salas de cinema brasileiras o primeiro filme do díptico “Grindhouse”, projeto em que os diretores Robert Rodriguez e Quentin Tarantino se propuseram cada um a dirigir, separados, uma película B.&lt;br /&gt;“Planeta Terror” é a fita de Rodriguez. O programa é completo e começa até mesmo com um falso trailer, de um hipotético filme chamado “Machete”, em que um assassino mexicano descarrega a fúria de seus facões nos caras maus e ainda fatura mulheres bonitas.&lt;br /&gt;Rodriguez ainda colocou um desleixo proposital nas filmagens, fazendo parecer que a fita está riscada e arranhada. Lá pelas tantas, numa cena de sexo prestes a esquentar, um dos rolos some, com um pedido de desculpas da “gerência”.&lt;br /&gt;A trama não poderia ser pior. Zumbis comedores de gente invadem uma cidade no Texas e são enfrentados por uma stripper perneta e que utiliza como muleta uma potente metralhadora. Não é péssimo? Ou melhor, não é ótimo? Estou rindo até agora.&lt;br /&gt;No embalo de ver películas ruins fiquei sabendo que havia uma mostra de filmes do cineasta brasileiro José Mojica Marins em cartaz. O nome não é familiar para o grande público. Trata-se de ninguém menos que Zé do Caixão, criador e intérprete do mítico personagem. Mojica Marins se mistura com seu personagem, é como se ele fosse o Dr. Jekill e o Zé do Caixão, seu Mr. Hyde.&lt;br /&gt;Vou ao cineclube. O diretor não fez apenas filmes de terror e se aventurou também pelo faroeste, drama, comédia, pornô... Leio as sinopses. “´À Meia-Noite Levarei Sua Alma´ - O agente funerário Zé do Caixão humilha e ridiculariza os ingênuos moradores de uma pequena cidade. E Zé tem uma grande obsessão: gerar o filho perfeito”.  “´Inferno Carnal´ – Raquel resolve matar o marido jogando um ácido em seu rosto, para ficar com sua fortuna. Mas o marido sobrevive”.&lt;br /&gt;Está passando “D´Gajão Mata Para Vingar”. Filmagem tosca. Atores canastrões. Defeitos especiais. Um bando de ciganos do Paraná sobrevive de prever o futuro e de vender artesanato na cidade mais próxima. Eles tem um conflito fundiário com o Coronel. Seu líder, D´Gajão, é o herói da história. Um capataz do Coronel mata a filha deste por acidente, ao tentar violá-la, e joga a culpa dos ciganos. Este fica furioso ao saber da morte da filha e manda seus capangas acabarem com a ciganada.&lt;br /&gt;D´Gajão passa a madrugada na cidade jogando cartas e escapa do massacre. Volta ao acampamento, e, num momento “Rastros de Ódio”, encontra todos mortos. Falo de uma cena imitadíssima desse filme americano, em que o herói retorna para casa e vê tudo destruído pelos inimigos e em chamas. É clichê usado até no primeiro Guerra nas Estrelas.&lt;br /&gt;O filme é tão cheio de clichês, mas e daí? Há um clássico. O menino sobrevivente do massacre dura o tempo suficiente moribundo para acusar os responsáveis, e morre nos braços do herói. Ainda lembro do garoto em seus suspiros finais: “D´Gajão, D´Gajão, os homens da fazenda...”&lt;br /&gt;Sua mulher está nas garras do Coronel, e D´Gajão jura vingança. Ele se torna um justiceiro (antes da série “Desejo de Matar”), capaz de arremessar facas e sobreviver a violentos tiroteios.&lt;br /&gt;O resto do filme mostra D´Gajão se livrando dos jagunços do Coronel. O cigano usa vários truques para se livrar de seus inimigos, como fugir da cadeia fingindo doença. E há cenas hilárias, como a que um bêbado que, no meio de um tiroteio, fica olhando para as pernas de duas moças escondidas. Ele caminha até elas. Suspense. Ele estica a mão para as pernas...e agarra uma garrafa de pinga ao lado...&lt;br /&gt;O confronto final, numa brilhante idéia do diretor, se dá um meio às formações geológicas de Vila Velha, em Ponta Grossa, paragem que abriga aquelas belas rochas gigantes. Como num canyon de filmes gringos, os duelos do clímax se dão lá, com direito a tiroteios com eco, marchas de cavalo no pôr-do-sol, e outros clichês de faroeste. Assim que o Coronel é derrota, ele enlouquece, numa cena indescritível.&lt;br /&gt;Tem muito diretor que tenta entreter as platéias e não consegue. Mojica Marins ainda não foi devidamente reconhecido. Creio que essa mostra lhe fez justiça. Ainda quero ver um filme do Zé do Caixão, e muitos outros filmes B. E viva D´Gajão, o cigano vingador&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3299265438811637495?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3299265438811637495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3299265438811637495&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3299265438811637495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3299265438811637495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/11/dgajo-mata-para-vingar-no-planeta.html' title='D´Gajão mata para vingar no Planeta Terror'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-2160992753496733932</id><published>2007-11-13T11:42:00.000-02:00</published><updated>2007-11-13T11:48:41.740-02:00</updated><title type='text'>Especulação pura</title><content type='html'>Aumenta o cheiro de empulhação naquele anúncio das reservas de Tupi.&lt;br /&gt; Um dia antes da Petrossauro (valha-me, Roberto Campos) anunciar seu balanço, com uma vistosa diminuição de lucros, existiu aquele evento pomposo, com fanfarra e banda de música, para santificar Lula e Dilma, os novos sheiks tapuias. As ações da empresa disparam 14%. Sobem mais 10% no dia seguinte, antes do balanço, para então as cotações desabarem como um balão furado.&lt;br /&gt; Creio que foi um grande aprendizado para aqueles afoitos que compraram na alta e estão se descabelando na baixa. Não foi nenhum tubarão de Bolsa que se deu mal.&lt;br /&gt; Vale sempre a lição do pôquer: Se você está numa rodada e não descobriu quem é o pato, o pato é você...&lt;br /&gt; O pouco que aprendi investindo me serviu para evitar aquela arapuca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-2160992753496733932?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/2160992753496733932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=2160992753496733932&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2160992753496733932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2160992753496733932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/11/especulao-pura.html' title='Especulação pura'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1676351611552364469</id><published>2007-11-11T01:02:00.000-02:00</published><updated>2007-11-11T01:08:39.568-02:00</updated><title type='text'>Emirados Brasileiros Unidos saúda o povo...</title><content type='html'>... e pede passagem.&lt;br /&gt; Uau! Super-descoberta de petróleo na Bacia de Santos! Fe-lo-me-nal!!!&lt;br /&gt; Então o Brasil vai entrar para a OPEP? Barris de petróleo vão inundar nosso litoral?&lt;br /&gt; Sinceramente, se fóssemos acreditar no governo, eu já poderia ter comprado uma Mercedes por conta e trocado todos meus dentes originais por uma dentadura de ouro, já que minha querida Santos vai ser inundada por &lt;em&gt;royalties e petrodólares&lt;/em&gt;. Acenderei charutos com nota de cem.&lt;br /&gt; Francamente, só serviu para alguns espertalhões especularem com ações da Petrobrás, que, claro, vai ser sempre nossa, não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1676351611552364469?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1676351611552364469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1676351611552364469&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1676351611552364469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1676351611552364469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/11/emirados-brasileiros-unidos-sada-o-povo.html' title='Emirados Brasileiros Unidos saúda o povo...'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3006945145731639052</id><published>2007-10-26T12:34:00.000-02:00</published><updated>2007-10-26T12:35:29.494-02:00</updated><title type='text'>O crime do padre Júlio</title><content type='html'>Pelo que se lê em toda parte, parece que a grande ameaça aos católicos são os próprios sacerdotes. Ao menos nos EUA. Indenizações milionárias são pagas a quem foi seviciado e abusado na infância por padres. Algumas dioceses cogitaram pedir falência para escapar da conta.&lt;br /&gt;Ecos desse escândalo demoraram a chegar no Brasil. Dizer que aqui não há padres que gostam de criancinhas é como o Presidente do Irã ter declarado que naquele país não existem homossexuais. Sim, infelizmente, nós temos esse tipo de clérigo.&lt;br /&gt;Se as denúncias se confirmarem, o nosso caso mais notório será o do “padre de passeata” Júlio Lancelotti. Esse religioso, extorquido por um bandido durante três anos, entregou a este R$ 80 mil. A ameaça era não ver exposto um caso de abuso de um adolescente. E o dinheiro pode ter sido tirado da ONG que o padre comanda, que recebe mais de meio milhão de reais da Prefeitura de São Paulo. Escândalo suculento, envolvendo verbas públicas e sexo com menores.&lt;br /&gt;Muitos provérbios populares me vêm à cabeça com esse affair Lancelotti:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde há fumaça há fogo&lt;br /&gt;- Casa de ferreiro, espeto de pau&lt;br /&gt;- Quem não deve não teme&lt;br /&gt;- Diga-me com quem andas e te direi quem és&lt;br /&gt;- Quem com ferro fere com ferro será ferido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria sido melhor que Lancelotti tivesse lido outros Provérbios, os da Bíblia, do livro de mesmo nome: “Meu filho, se os pecadores te atraírem com teus afagos, não condescendas com eles (capítulo 1, versículo 10)”. Ou o versículo 1 do capítulo 6, perfeito para quem aceita dar garantias de crédito a bandidos que compram carros de luxo: “Meu filho, se ficares por fiador do teu amigo, deste por ele a tua mão a um estranho; com as palavras da tua boca te meteste no laço, e ficaste preso pela tua própria linguagem”.&lt;br /&gt; Lógico, não se está falando que o padre Júlio é culpado. Ele é inocente até que se prove o contrário. Acho que o assunto é outro. A mãe da questão é a castração que a Igreja Católica Apostólica Romana impõe aos seus integrantes. O celibato clerical.&lt;br /&gt;Alexandre Herculano, grandeescritor português, já se ocupava da questão no século XIX, em citação clássica (até manjada):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu, por minha parte, fraco argumentador, só tenho pensado no celibato à luz do sentimento e sob a influência da impressão singular que desde verdes anos fez em mim a idéia da irremediável solidão da alma a que a igreja condenou os seus ministros, espécie de amputação espiritual, em que para o sacerdote morre a esperança de completar a sua existência na terra (Euríco, o Presbítero)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Igreja sustenta uma posição anacrônica, e cara. Não entendo esse repúdio ao sexo, coisa tão natural quanto dormir ou respirar. Não há vida sem ele, exceto as unicelulares. E se impõe que padres, freiras e monges vivam como se não tivessem uma parte de seus corpos, sem poder unir suas vidas às de outras pessoas.Ora, a vida sempre encontra um jeito. Os abusos nascem porque a Igreja condena um padre a viver como um eunuco, sem que possa casar e constituir família. Daí os ataques aos jovens de seu rebanho. Daí os abusos. Daí as indenizações milionárias e os escândalos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3006945145731639052?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3006945145731639052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3006945145731639052&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3006945145731639052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3006945145731639052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/10/o-crime-do-padre-jlio.html' title='O crime do padre Júlio'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-975720156853698379</id><published>2007-10-25T12:30:00.000-02:00</published><updated>2007-10-25T12:31:00.256-02:00</updated><title type='text'>A sobrevivência do mais fraco</title><content type='html'>Os não-iniciados pensam que a evolução, tal proposta por Charles Darwin, é algo linear. O mais forte vai superando seus rivais e ficando cada vez mais poderoso e evoluído. Creio que o aperfeiçoamento pode se dar em recuos e avanços, e que a fraqueza por vezes pode ser força. Uma mutação favorável pode surgir de uma condição adversa, e que leve uma espécie a achar um outro nicho e forma de viver. Muito tempo depois, aquela opção pode se mostrar mais benéfica.&lt;br /&gt;Num anti-argumento de autoridade, digo que não pesquisei outro estudo a fim de embasar minhas afirmações. Não sou paleontólogo ou biólogo, apenas palpiteiro.&lt;br /&gt;Pelo que temos de estudos evolutivos até agora, o homem veio mesmo dos primatas, para a fúria dos criacionistas, que acreditam em Adão e Eva e que o planeta Terra surgiu há seis mil anos atrás, apenas com base na Bíblia. Partindo dessa premissa, que o homem é um macaco que hoje assiste TV, vou recontar brevemente o que aconteceu, até chegarmos ao homo sapiens.&lt;br /&gt;Algumas espécies de primatas, como gorilas e macacos, habitam até hoje o topo das árvores. Isso era assim há milhares de anos atrás, na África. Alimentavam-se do que encontravam nas copas folhadas. Mudanças no clima desfolharam as árvores e mataram muitas delas. A área de floresta foi reduzida. Não haveria mais espaço para todos os bichos nos galhos. Alguém teria que ceder, ou melhor, descer.&lt;br /&gt;Os macacos mais fortes ganharam a disputa. Mantiveram seu nicho, e poderiam continuar a se alimentar das folhas e frutos das árvores. Eles ganharam e estão aí até hoje, balançando de galho em galho e fazendo macacadas.&lt;br /&gt;Os macacos mais fracos, os que desceram, se viram num ambiente diferente e hostil. Não havia alimento fácil na savana. Nada mais de sombra sob as árvores. Bichos maiores e mais rápidos, como leões e panteras, matavam os recém-chegados sem dificuldade. Só lhes restou correr para as cavernas.&lt;br /&gt;Resumirei sua evolução restante em poucas linhas, em fatos ocorridos não necessariamente nessa ordem. Perderam pêlos. Passaram a andar em duas patas. Seu cérebro aumentou. Começaram a pensar e a se comunicar. Apanharam pedras e  paus do solo, utilizando-os como instrumento. Dominaram o fogo. Com instrumentos ainda melhores, podiam caçar bichos maiores que eles. Domesticaram outros animais. Aprenderam a plantar e a colher. Espalharam-se pelo planeta. É o homem. Acredita ser a espécie dominante.&lt;br /&gt;De um macaco fraco e escorraçado das árvores, viramos uma espécie que gerou Bach e lança satélites no espaço sideral. Escrevemos poesia e formulamos pensamentos abstratos. Os chimpanzés que ficaram nas árvores tem sua sobrevivência e seu habitat ameaçado justamente por nós, mais fortes que eles. Temos rifles para matá-los e escavadeiras para destruir suas casas.&lt;br /&gt;Mas a crença de que somos a espécie dominante e mais importante da natureza nos cega. A crença das religiões de que somos mais que carne, que há um Céu, que voltaremos em outro corpo, é puro antropocentrismo e wishfull thinking (queremos que assim seja). E nos indulge para nossas malfeitorias. Nos torna divinos sem sermos. Provavelmente não há outra vida e estamos destruindo nossa única casa, com nosso estilo de viver suicida.&lt;br /&gt;Há espécies que jamais abandonaram seus nichos, como os gorilas das árvores. As amebas estão da mesma forma desde as origens da vida. Os peixes nadam nos mares. As aves voam no céu. Assim como as bactérias, microscópicas e letais para nós. Elas só vão se tornando mais resistentes a antibióticos, ameaçando nossa existência no planeta.&lt;br /&gt;Há outro bicho que há milhões de anos tem a mesma forma, está satisfeito em viver na sujeira, e que sobrevive com muito pouco. É a barata. As cucarachas sobreviverão às nossas bombas atômicas e à falta de sol de um inverno nuclear. Caminharão nos escombros de nossas cidades mortas. Rastejarão sobre nossas partituras e teses de doutorado, e a nossa cantada inteligência superior.&lt;br /&gt;Uma lição nos seria útil, e nos levaria a uma outra relação com o planeta e os seres vivos. Fraqueza pode ser força. Ao dar uma chinelada num inseto, recordemos que não somos a espécie dominante. Isso nos faria descer de nossos galhos elevados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-975720156853698379?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/975720156853698379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=975720156853698379&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/975720156853698379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/975720156853698379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/10/sobrevivncia-do-mais-fraco.html' title='A sobrevivência do mais fraco'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3202902422262229836</id><published>2007-10-24T10:43:00.000-02:00</published><updated>2007-10-24T10:49:09.389-02:00</updated><title type='text'>Sua opinião é muito importante para nós...e para sempre</title><content type='html'>Tempos atrás, aluguei um filme numa locadora situada na Avenida Paulista. Quando precisei devolver o filme, por falta de vaga, atravessei o carro na calçada e corri até a loja, esbaforido, com medo que um marronzinho colocasse um doloroso adicional ao preço da locação. No balcão, uma mocinha de azul me olhou com má-vontade enquanto eu fazia minha entrada triunfal. Larguei o filme em suas mãos, me desculpando pela pressa. Enquanto saía pela mesma porta, ouvi ela reclamando que eu devia sair pela porta de saída, do outro lado. Dei de ombros e repeti que estava apressado. Peguei o carro, não havia multa. Mas achei absurdo a atitude dela. Que diferença fazia que porta alguém entra ou sai?&lt;br /&gt;Continuei freguês deles, sem nenhuma lembrança do incidente. Aí, mais recentemente, peguei um DVD riscado na mesma loja. Reclamei ao devolver, não pude ver o final do filme. Dois dias depois, pedi a uma funcionária, outra, que olhasse para mim o resultado da reclamação. Ela digitou meu nome completo e acessou meu cadastro. Para minha surpresa, havia uma espécie de prontuário. Inverto a ordem. A segunda entrada dizia: “Cliente reclamou de risco no DVD. Produto checado. Não foi constatado erro”. Isso só indicava que não veria o final de um filme alugado. Tudo bem.&lt;br /&gt;A primeira entrada era mais pesada: “Cliente quis sair pela porta de entrada”.&lt;br /&gt;Que invasão de privacidade! Então o incidente só estava esquecido para mim? E ficará para sempre nos anais da locadora. Mesmo que todos os que envolvidos naquele fatídico dia de minha pressa não trabalhem mais lá, não sejam mais clientes, ou morram. Mesmo que o aquecimento global, daqui a milhares de anos, engula São Paulo sob as águas do Atlântico (que exagero...). Mesmo que o português se junte ao latim como língua morta, e ninguém entenda o que aquela frase quer dizer. Para todo e sempre constará nos computadores da locadora:  “Cliente quis sair pela porta de entrada”.&lt;br /&gt;Para ficar numa imagem de filme já imaginei o capitão Nascimento, do Tropa de Elite, dizendo para mim, furioso: “Pede para sair, 01. Pede para sair pela entrada”.&lt;br /&gt;Todo esse tempo eu era uma piada ambulante. Cada vez que eu peguei um filme lá, às minhas costas, os funcionários diziam: “Ah, é aquele cara que quis sair pela entrada”. Ou, com raiva: “Esse folgado quis sair pela outra porta”. Talvez algo do gênero: “Ele é o Bizarro, da Liga do Mal. Ele faz tudo ao contrário. Ele entra pela saída e sai pela entrada”.&lt;br /&gt;Formulei uma reclamação, a terceira. Quero que não conste que fiz a primeira reclamação. Se preciso, entrarei com um habeas data para isso, ou outra medida judicial cabível.&lt;br /&gt;Mas seria isso universal? Em toda loja constará um cadastro desses (nove foras o nome no SPC e no SERASA)? Por exemplo, no restaurante há algo no meu nome do gênero: “Pediu carne no ponto e reclamou que estava cru”, de 1999. Ou na loja de sapatos há um “provou modelo por meia hora, achou apertado e não comprou”, fato ocorrido em 2002. No cabelereiro há um “O moço queria deixar as madeixas compridas. Cortei curto de sacanagem”, datado de 1991.&lt;br /&gt;Um dia de mau humor e estacionamento irregular nos custa um registro perpétuo num banco de dados.&lt;br /&gt;Tudo isso é muito estranho. Lembra aquele conto do Borges. Em algum canto da eternidade há um gigantesco quadro-negro para cada pessoa. Ele contém cada palavra do dicionário, e uma contagem. Lá está o número de vezes em que alguém comerá kiwi ou terá relação com essa fruta. A vida avança, e as palavras vão sendo riscadas do quadro. Quando a palavra coração é riscada pela última vez, é seu fim. É a última batida.&lt;br /&gt;Em algum lugar, num computador velho, para toda a eternidade, constará sobre mim: “Cliente quis sair pela porta de entrada”.  Essa não será riscada nunca do quadro-negro da minha vida.&lt;br /&gt;Talvez isto conste da minha lápide, é um bom lema: “Eu saí pela porta de entrada”. Sem trocadilho infame.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3202902422262229836?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3202902422262229836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3202902422262229836&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3202902422262229836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3202902422262229836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/10/sua-opinio-muito-importante-para-nse.html' title='Sua opinião é muito importante para nós...e para sempre'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-8596993384889670515</id><published>2007-10-23T10:27:00.000-02:00</published><updated>2007-10-23T10:28:31.444-02:00</updated><title type='text'>O super-vilão de nossos tempos</title><content type='html'>As crianças de hoje não vão lembrar. Em minha infância existiam outros super-vilões. Super-Homem, Batman, e os Superamigos enfrentavam heróis de sinal trocado, poderosos como eles. Lex Luthor, Brainiac e Bizarro, a Legião do Mal. O Shazam lutava contra o esquerdista, desculpe, sinistro Doutor Silvana, com seu jaleco branco e óculos fundo de garrafa (ele era ruim, mas não tinha idéias marxistas). Os Smurfs se viam às voltas com as maquinações do bruxo Gargamel, doido para colocar os duendes azuis no caldeirão.&lt;br /&gt;Esses vilões da ficção geralmente eram gênios superdotados, tinham planos mirabolantes, mas que sempre davam com os burros n´água. Alguns se contentavam em amarrar donzelas indefesas em trilhos de trem. Outros queriam dominar o mundo. Detalhe é que o bem sempre vencia.&lt;br /&gt;Os tempos mudaram. Convivemos hoje com um super-vilão real, Osama bin Laden, ou Usama, como os gringos o chamam, ou UBL (eles adoram siglas).&lt;br /&gt;Ele tem todas as características de um malvadão de gibi. É milionário, não precisa trabalhar, tem todo o tempo do mundo para planejar suas ações e vinganças malignas, além de  meios para financiar seus capangas, armas, tecnologia sofisticada e fugas. Vive escondido em alguma fortaleza ou caverna inexpugnável que os “heróis”, a nossa polícia do mundo norte-americana (marines, CIA, FBI, etc.) poderiam até saber onde é, mas preferem não procurar.&lt;br /&gt;Osama tem até uniforme, que consiste em traje do deserto completo e rifle. Não sei como ainda não vendem bonecos com sua efígie nas melhores casas do ramo. Ele aparece de vez em quando na TV, como um “poltergeist”, apenas para assombrar todo mundo e dizer que não morreu. Às vezes com a barba pintada. Mas sempre pregando a morte da América e saudando Alá, meu bom Alá.&lt;br /&gt;O que move Osama? Ele poderia ser apenas mais um príncipe saudita extravagante e milionário, com sua Mercedes possante, acendendo charutos com notas de cem dólares. Mas largou tudo e se enfiou no deserto afegão, a fim de lutar contra os invasores soviéticos. Isso não é vilanesco/heróico? É coisa de desenho animado ou história em quadrinhos. Ele viu demais Guerra nas Estrelas quando menor.&lt;br /&gt;Osama tem seguidores fiéis ao redor do mundo, e sua própria Liga da Justiça às avessas, a rede Al-Qaeda, formada de outros grandes e pequenos vilões, com suas próprias bases de treinamento e até uma guerra particular, no Iraque, onde treinam suas malfeitorias explodindo inocentes e soldados inimigos, e às vezes também se explodem, tudo em nome das virgens do paraíso.&lt;br /&gt;Mais eficiente que seus colegas de ficção, o super-vilão bin Laden, o maior psicopata de todos os tempos, já foi bem sucedido em alguns planos. Sem falar do que ocorre no já mencionado fiasco bushista iraquiano, OBL ou UBL, há alguns anos, ordenou a um bando de capangas que se treinasse em simuladores de vôo, seqüestrasse quatro aviões de carreira e os lançasse em alvos pré-escolhidos em solo americano.&lt;br /&gt;(Um parêntese. Diz a lenda que Osama recusou a sugestão de jogar uma das aeronaves numa usina nuclear, o que poderia ter transformado a Costa Leste americana num inútil deserto radiativo pelos próximos milênios. Até ele teria achado isso extremo).&lt;br /&gt;O resultado do seu plano? Um avião caiu na Pensilvânia sem atingir seu objetivo, mas matou todos a bordo. Um outro atingiu o Pentágono. E outros dois derrubaram as Torres Gêmeas em Manhattan, nos maiores ataques terroristas da História. Todos nos aviões e muita gente nos alvos morreu. A data identifica a ação, 11 de Setembro.&lt;br /&gt;Hoje, sempre que algum plano malvado e mirabolante é revelado, lá está o dedo onipresente de Osama. O homem do sapato-bomba. A tentativa de usar explosivos líquidos em aviões, e que vetou nossas perigosas garrafas de água nos embarques. A imaginação fértil de bin Laden parece não ter limites, o homem é pior que o Doutor Silvana. Lex Luthor é ficha perto dele.&lt;br /&gt;Alguns tempo se passou. O Afeganistão foi invadido. A guerra do Iraque prossegue matando gente dia sim e o outro também, nos campos de batalha e em bombas do terror, como as que explodiram em Madri e Londres. O Ocidente teme que a Al-Qaeda (podem chamar também de Legião do Mal) consiga armas nucleares. O risco de um dia New York ser obliterada do mapa é real. E bin Laden ainda está foragido. Ocupa o posto número 1 da lista dos Dez Mais do FBI. O xerife Bush oferece grande recompensa por sua captura.&lt;br /&gt;Super-Homem, onde está você?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-8596993384889670515?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/8596993384889670515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=8596993384889670515&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8596993384889670515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8596993384889670515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/10/o-super-vilo-de-nossos-tempos_23.html' title='O super-vilão de nossos tempos'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4179411178231688368</id><published>2007-10-22T12:16:00.001-02:00</published><updated>2007-10-22T12:16:48.750-02:00</updated><title type='text'>Presidentes e o nosso céu azul</title><content type='html'>Uma atendente de tele-marketing certa vez ligou para meu pai. Gerúndio por conta e risco dela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor teria interesse em estar assinando a Veja novamente?&lt;br /&gt;- Não, a revista só fala do Renan Calheiros. Há outros assuntos. Cansei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que este senhor, típico representante da classe média brasileira, está indignado com a pobre da revista Veja, que apenas expôs as malfeitorias daquele ainda senador, em sua missão institucional? Por sentir que as maquinações de Brasília, muito distantes de sua vida em Santos, não lhe interessam.&lt;br /&gt;Parece não fazer diferença para nós quem dentre Renan, Sarney, Tião, Lula, Arlindo, ou quaisquer desses senhores irá ocupar presidências Brasil afora.&lt;br /&gt;Lembro de um filme, Céu Azul. Um oficial e cientista da Aeronáutica americana (Tommy Lee Jones) muda com sua família para o deserto, no meio do nada. Ele é um dos responsáveis pelos testes das bombas nucleares americanas. O nome do projeto é, justamente, Céu Azul, pois queria se provar que apesar das armas poderem causar grande destruição o firmamento continuaria da mesma cor, a vida seguiria.&lt;br /&gt;Mas embaixo de seus lençóis, em sua própria casa, Tommy viveria uma revolução de maior impacto e radiação. Sua mulher (Jéssica Lange) mantinha um tórrido affair com um colega de farda de seu marido, e seu oficial superior.&lt;br /&gt;O personagem de Tommy, que em seu trabalho testemunhava o nascimento dos artefatos que iriam modificar a forma dos homens fazerem guerra, sofreria mais em seu cotidiano com a dor de corno causada por sua mulher insatisfeita do que com as bombas de hidrogênio. O chifre é mais poderoso que a espada, ou, no caso, a bomba H.&lt;br /&gt;O sentimento é esse. Mudam os donos do poder. E nos permanecemos. O céu continua azul. Renan caiu. E daí? Acho que só ele e a mulher sentiram diferença, já que tiveram que sair da casa oficial de Presidente do Senado.&lt;br /&gt;Eu poderia lamentar algo na linha: “Nossa! O homem comum está distante da política. Cai o rei de ouros, cai o rei de copas, não fica nada (plagiando a canção) e ele prossegue com sua vida, alheio, desinteressado”. Sim, eu poderia ainda plagiar Bertolt Brecht e dizer algo na linha do “o pior analfabeto é o analfabeto político”, blá, blá, blá...&lt;br /&gt;Mas, querem saber? Isso tudo é ótimo. Já imaginaram se estivéssemos na época em que a queda de um rei impactava as vidas dos súditos? Se arautos a cavalo estivessem vindo nesse momento cortar nossas cabeças e tomar nossas casas? Alguém gostaria de guilhotinas e forcas na praça, e uma multidão irada aos berros?&lt;br /&gt;Se o presidente do Senado cai, outra eleição é feita. Se o presidente da República sofre impeachment, o vice assume. Assim é que deve ser, chato e previsível, sem alterar nossas vidas. E amanhã tem praia e céu azul.&lt;br /&gt;Disse Diogo Mainardi, na orelha de seu volume de crônicas Lula é minha anta: “Acho que os brasileiros, por falta de experiência democrática, atribuem uma importância exagerada ao presidente da República. Um presidente é só um burocrata medíocre que a gente contrata por quatro anos para desempenhar uma tarefa que nenhuma pessoa minimamente sensata estaria disposta a desempenhar. Ele não é nosso chefe: nós é que somos chefes dele."&lt;br /&gt;Acho que é por aí. O ideal será que um dia todas essas presidências e motivos de vaidade e aflição de espírito um dia serem um emprego chato e que ninguém queira fazer. Como no conto de ficção científica Plantão, do americano Philip K. Dick, em que um super-computador é o presidente dos EUA, e o seu substituto humano eventual (em hipótese sequer cogitada) é um sindicalista mal-pago e motivo de piada, apontado para o cargo.&lt;br /&gt;Bom, no nosso caso já temos o nosso sindicalista (bem-pago) na Presidência do Brasil. Só nos falta uma boa dose de espírito cívico e de cobrança para transformarmos o seu emprego agradável, com férias em bases da Marinha no litoral e viagens ilimitadas ao estrangeiro num tormento que ninguém queira. Vamos tentar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4179411178231688368?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4179411178231688368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4179411178231688368&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4179411178231688368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4179411178231688368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/10/presidentes-e-o-nosso-cu-azul.html' title='Presidentes e o nosso céu azul'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-871733327302497729</id><published>2007-10-22T00:49:00.000-02:00</published><updated>2007-10-22T00:56:07.097-02:00</updated><title type='text'>Reaças, nós?</title><content type='html'>Enquete do Aliás (caderno do Estadão) de ontem deu o resultado: 91% dos brasileiros pesquisados acreditam que deve haver a castração química de pedófilos, contra 9% dos que não.&lt;br /&gt; Meus corolários:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-) 102% dos pesquisados não sabem o que é castração química;&lt;br /&gt; 2-) 103% dos pesquisados confundem pedófilo com podólogo;&lt;br /&gt; 3-) É de 104% a chance de que o padre Lancelotti venha a sofrer a "capação" química. E cadeia para esse perigoso podólogo!&lt;br /&gt; 4-) 105% dos pesquisados ficarão extremamente ofendidos se chamados de reacionários ou "reaças";&lt;br /&gt; 5-) 106% dos brasileiros acham que algo pode ser maior que 100%.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-871733327302497729?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/871733327302497729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=871733327302497729&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/871733327302497729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/871733327302497729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/10/reaas-ns.html' title='Reaças, nós?'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4737958641958691906</id><published>2007-10-19T21:14:00.000-02:00</published><updated>2007-10-19T21:20:38.933-02:00</updated><title type='text'>Para não dizer que não postei as flores...</title><content type='html'>Pessoal, calma, não morri nem fui abduzido por aliens. Andei ocupado com a vida real. Aliás, estou em férias e espero postar algumas crônicas em breve.&lt;br /&gt; Achei melhor postar algo, qualquer coisa, antes que vocês me abandonassem de vez, e o blogger cancelasse minha conta.&lt;br /&gt; Se tenho algo legal a dizer? Ah?  Hmmm... Claro, segunda-feira fui no Municipal ver o grande pianista brasileiro, Nelson Freire. Genial!!!&lt;br /&gt; Na semana anterior conheci a Sala São Paulo, lugar lindo e de ótima acústica.&lt;br /&gt; Andei me ocupando bem, não?&lt;br /&gt; Aguardem o meu retorno definitivo e a minha vingança "maligrina"...&lt;br /&gt; P.S - Fui citado no blog do Reinaldo Azevedo. Não eu, mas sim meu alter-ego real, o Clark Kent (o Luiz Augusto é meu nome fantasia, tipo Capitão Nascimento).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4737958641958691906?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4737958641958691906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4737958641958691906&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4737958641958691906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4737958641958691906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/10/para-no-dizer-que-no-postei-as-flores.html' title='Para não dizer que não postei as flores...'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3665178038083610655</id><published>2007-10-11T10:17:00.000-03:00</published><updated>2007-10-11T10:25:22.296-03:00</updated><title type='text'>Brincadeira com livros</title><content type='html'>Recebi uma corrente interessante de meu amigo, o advogado, político e blogueiro Sidney Vida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Recebi do meu amigo &lt;a title="Evandro Ferreira" href="http://agonizando.wordpress.com/"&gt;Evandro Ferreira&lt;/a&gt; as regras para uma brincadeira com livros. Então transcrevo aqui a frase que encontrei:&lt;br /&gt;“Os aliados comprometiam-se a não depor as armas senão em comum acordo e depois da derrubada de Solano López, ficando proibida qualquer iniciativa separada de paz por um dos países aliados”&lt;br /&gt;O livro é &lt;a title="Maldita Guerra" href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3084489" modo="false"&gt;Maldita Guerra&lt;/a&gt;, de Francisco Doratioto.  O livro trata sobre os cinco anos da guerra do Paraguai, que opôs paraguaios e brasileiros, uruguaios e argentinos. O livro desmonta mitos antigos sobre o conflito e faz revelações surpreendentes sobre este marco da nossa história. O autor rejeita a interpretação de que o imperialismo inglês seria o responsável pelo desencadear da luta.&lt;br /&gt;É uma nova história da guerra escrita por um ótimo historiador, e o melhor: sem o viés esquerdista.  &lt;br /&gt;O livro estava bem na minha frente, acima do meu computador, na estante que guarda a maioria dos meus livros, que fazem parte do meu pequeno, porém, robusto acervo. &lt;br /&gt;Segundo as regras devo transmitir o jogo para outros cinco blogs. Escolho, portanto, o &lt;a title="Mauro Haddad" href="http://o-corneteiro.blogspot.com/"&gt;Mauro Haddad&lt;/a&gt;, o &lt;a title="Diogo Chiuso" href="http://www.botequim.org/pesujo/"&gt;Diogo Chiuso&lt;/a&gt;, o &lt;a title="Gutão" href="http://www.lei-seca.blogspot.com/"&gt;Gutão&lt;/a&gt;, o &lt;a title="Eduardo Carvalho" href="http://ecarvalho.typepad.com/"&gt;Eduardo Carvalho&lt;/a&gt; e o Tiago Villarinho (quem sabe assim você toma coragem e monta logo o seu blog, né). Seguem as regras para quem quiser participar da brincadeira:&lt;br /&gt;1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);&lt;br /&gt;2ª) Abra-o na página 161;&lt;br /&gt;3ª) Procurar a 5ª frase completa;&lt;br /&gt;4ª) Postar essa frase em seu blog;&lt;br /&gt;5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;&lt;br /&gt;6ª) Repassar para outros 5 blogs."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;De volta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; Aliás, estou justamente começando a ler o "Maldita Guerra", parece bom.&lt;br /&gt; Tinha começado a ler também o livro de contos "Nada é o que parece ser", da escritora americana Patricia Highsmith (criadora de Ripley, também um herói sem nenhum caráter). Farei com este livro a brincadeira. Aqui vai a 5º frase da página 161:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "No dia anterior, Nicky levara o carro até a cidade do México com seu amigo, o senhor Sigismundo, na direção, já que ambos tinham negócios no hotel para resolver." (do conto O Carro)&lt;br /&gt; Tanto mistério nessa singela frase, não? Parece algo a ver com negociatas misteriosas, fechadas ao som de mariachis, enquanto margaritas são servidas num hotel pé-quebrado ao sul do Rio Grande, e que provavelmente terminará bem mal.&lt;br /&gt; Já, já, eu indicarei os cinco blogs onde a brincadeira, espero, continue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3665178038083610655?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3665178038083610655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3665178038083610655&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3665178038083610655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3665178038083610655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/10/brincadeira-com-livros.html' title='Brincadeira com livros'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4557510713845125509</id><published>2007-10-02T00:01:00.001-03:00</published><updated>2007-10-02T00:01:34.622-03:00</updated><title type='text'>Um passe VIP para o mundo</title><content type='html'>Quero algo que me dê livre acesso às benesses do mundo, uma espécie de passe VIP para a vida. Em tudo eu seria Very Importante Person (ou People). E isso nada tem a ver com dinheiro.&lt;br /&gt;Se eu entrar num avião haverá espaço para as pernas. Bom, isso parece que o dinheiro resolve.&lt;br /&gt;O passe VIP para o mundo é mais. Falarei de coisas que, como na propaganda, não tem preço.&lt;br /&gt;Num restaurante, independente da presença de mulheres, serei servido primeiro, e não preciso esperar ninguém para começar a comer. Machista e rude, não?&lt;br /&gt;Em caso de incêndio no prédio serei o primeiro a ser resgatado. Categoria à parte e mais cotada que crianças.&lt;br /&gt;Um túnel se abrirá apenas para meu carro, para qualquer lugar que eu for, evitando o trânsito e congestionamentos. É melhor que um helicóptero.&lt;br /&gt;As possibilidades são infinitas.&lt;br /&gt;Dormir à vontade. Terei o colchão que quero, na cama que escolherei.&lt;br /&gt;Haverá festas todo dia. Casamentos, formaturas, batizados, despedidas de solteiro e happy hours, tudo dependendo do meu humor.&lt;br /&gt;Se quero ficar em casa lendo ou vendo um filme, choverá.&lt;br /&gt;Quando eu pisar na rua haverá sol, mas sem muito calor. Uma brisa leve me seguirá em toda a parte.&lt;br /&gt;Crianças birrentas e malcriadas serão mudas de nascença.&lt;br /&gt;Algo leve, como jazz, será a trilha sonora do planeta, com ajuste automático de volume, pacificando os espíritos.&lt;br /&gt;Todos os bandidos e escroques serão enviados a uma lua afastada de Júpiter, longe das nossas vistas e do noticiário.&lt;br /&gt;Colegas de trabalho difíceis darão expediente com outras pessoas, nunca comigo. O mesmo, mutatis mutandis, ocorrerá com bêbados chatos (habitarão bares em outra cidade), e aborrescentes darão seus gritinhos e levarão suas tatuagens e gírias para outro lugar. Quiçá para a Papua Nova Guiné.&lt;br /&gt;Talvez com esse passe livre das delícias eu continue na ilusão de que são só os outros, os redundantes estranhos desconhecidos, que tomam guaraná com veneno, andam de moto sem capacete, recebem tiros ou morrem de alcoolismo ou de amor.&lt;br /&gt;Como um bônus pela fidelidade, a entrada VIP do mundo me daria a opção de evitar filas ou os impostos, ou os dois. Com opções de assento na janelinha do trem ou na primeira fila do show.&lt;br /&gt;Ou na última do cinema, devidamente acompanhado de minha garota. Sem nunca aparecer lanterninha ou sentir cheiro de pipoca com manteiga.&lt;br /&gt;Não haverão gorilas de boate ou moças com a lista de convidados na mão me barrando para qualquer coisa que eu resolva fazer.&lt;br /&gt;Enquanto o passe não vem, sigo ranzinza, espremido no metrô, no trânsito, nesse mundo lotado e caduco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4557510713845125509?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4557510713845125509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4557510713845125509&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4557510713845125509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4557510713845125509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/10/um-passe-vip-para-o-mundo.html' title='Um passe VIP para o mundo'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4447183788008577737</id><published>2007-09-24T23:17:00.000-03:00</published><updated>2007-09-24T23:22:06.235-03:00</updated><title type='text'>E priiiiiíncipe da paaaaaaaaaaaz!!!</title><content type='html'>Isso é medonho, a menina pastora. Ela está possuída, e não é o exorcista. A cabeça dela vai começar a girar. Até dízimo ela pede, para o senhor Jesuis, mermão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=KC0on_LpoMM"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=KC0on_LpoMM&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4447183788008577737?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4447183788008577737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4447183788008577737&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4447183788008577737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4447183788008577737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/e-priiiiincipe-da-paaaaaaaaaaaz.html' title='E priiiiiíncipe da paaaaaaaaaaaz!!!'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5331393270128644821</id><published>2007-09-17T23:14:00.000-03:00</published><updated>2007-09-17T23:23:47.815-03:00</updated><title type='text'>Ainda o Niemeyer...</title><content type='html'>Como vinha falando, Oscar Niemeyer não gosta de gente e verde, preferindo o concreto (Brasília e o Memorial da América Latina em SP), e segundo Ruy Goiaba, não gosta de livros (vide último post).&lt;br /&gt;Agora lembrei que ele não gosta de bicho, especialmente pássaros. A sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, projetada por ele, é toda espelhada. Bem, desde a sua inauguração o prédio já matou muitas aves. Elas se confundem com o reflexo do horizonte nos vidros, e trombam para a morte.&lt;br /&gt;(Piada pronta. "Os pássaros também são burros, né? Se eles vêem um outro pássaro vindo na sua direção, por que não desviam?")&lt;br /&gt;A pobre Angola já encomendou uma cidade inteira ao Oscar, a ser erguida ainda. Burrice tipo exportação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5331393270128644821?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5331393270128644821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5331393270128644821&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5331393270128644821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5331393270128644821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/ainda-o-niemeyer.html' title='Ainda o Niemeyer...'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1952189426391146488</id><published>2007-09-17T22:55:00.000-03:00</published><updated>2007-09-17T23:20:59.917-03:00</updated><title type='text'>Ruy Goiaba e Niemeyer</title><content type='html'>Ruy Goiaba tinha pego no pé do Niemeyer, em seu blog, uns dias antes do meu post sobre 0 arquiteto (&lt;a href="http://www.puragoiaba.apostos.com/"&gt;http://www.puragoiaba.apostos.com/&lt;/a&gt;):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Niemeyer prova: Darwin estava errado&lt;br /&gt;Então o grande JÊNHO da arquitetura brasileira projeta um prédio para uma biblioteca, ao custo de R$ 42 milhões para os "cofres públicos" (also known as meu bolso e o seu, leitor otário, mon semblable, mon frère), que simplesmente NÃO PODE ser usado porque é envidraçado -a luz do sol esturricaria coleções inteiras. E eu, que pensava que o Niemeyer só não gostasse de gente habitando as obras dele, vejo que nosso fóssil stalinista também curte brincar de &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0060390/" target="_blank"&gt;"Fahrenheit 451"&lt;/a&gt; com os livros dos outros.&lt;br /&gt;Eis o exemplo vivo de que aquele papo de "sobrevivência dos mais aptos" é totalmente furado, exceto se "mais aptos" = "mais burros". Gente muito inteligente, às vezes, não segura a barra e se mata; os imbecis não só vivem mais como procriam e projetam. And the jerks shall inherit the Earth."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1952189426391146488?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1952189426391146488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1952189426391146488&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1952189426391146488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1952189426391146488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/ruy-goiaba-e-niemeyer.html' title='Ruy Goiaba e Niemeyer'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5993670633650469315</id><published>2007-09-16T23:12:00.000-03:00</published><updated>2007-09-16T23:17:11.017-03:00</updated><title type='text'>Aniversário do Lei Seca</title><content type='html'>Em tempo, passou batido o aniversário deste blog, dia 14 último.&lt;br /&gt;Um obrigado a aqueles que tem a paciência de ler estas mal traçadas de livre e espontânea vontade, e que não caem neste site por acaso com buscas no Google.&lt;br /&gt;Um ano produzindo informação inútil na Internet. Não é trabalho fácil.&lt;br /&gt;Parabéns para mim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5993670633650469315?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5993670633650469315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5993670633650469315&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5993670633650469315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5993670633650469315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/aniversrio-do-lei-seca.html' title='Aniversário do Lei Seca'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3614033683217009880</id><published>2007-09-14T19:33:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T19:41:11.412-03:00</updated><title type='text'>Uma declaração infeliz de Niemeyer</title><content type='html'>Oscar Niemeyer, o homem com cimento na cabeça, disse o seguinte, segundo o Estadão, sobre a absolvição de Renan Calheiros:&lt;br /&gt; "Tenho dúvidas se a saída do Renan Calheiros se daria por uma questão moral ou política. Eu preferi a absolvição".&lt;br /&gt; Fino, não?&lt;br /&gt; Esse é o homem chamado para assinar manifestos em favor de Cuba, e que transformou Brasília naquela armadilha calorenta de concreto armado, até hoje stalinista.&lt;br /&gt; Aqui em São Paulo ele também encheu de concreto a Barra Funda, bairro já quente e sempre ensolarado, com aquele horrendo forno cinza chamado Memorial da América Latina. Um dia espero ver aquele espaço com gente, verde e árvores, coisa que ele não gosta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3614033683217009880?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3614033683217009880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3614033683217009880&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3614033683217009880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3614033683217009880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/uma-declarao-infeliz-de-niemeyer.html' title='Uma declaração infeliz de Niemeyer'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-2060745156542241873</id><published>2007-09-12T19:28:00.000-03:00</published><updated>2007-09-12T19:35:58.498-03:00</updated><title type='text'>Ré, não?</title><content type='html'>Consta dos anais de um planeta muito, muito distante, há muito tempo atrás, que o Presidente de uma Casa de Leis, acusado por cometer todo tipo de malfeitoria, continuaria Presidente e parlamentar. Foi absolvido por um punhado de extraterrestres que habitam aquele estranho planeta, uma terra quente que foi coberta de cimento por um arquiteto laureado, cimento este transportado via aérea por um dito visionário, JK.&lt;br /&gt; Isso para mim foi como a explosão de uma estrela. Foi muito longe, foi em outra época, e a luz dela só vai chegar aqui daqui a milhões de anos. Ou seja, não influi em nada nossa vida.&lt;br /&gt; Os trens continuarão trombando no trilho da Central do Brasil (salve Jorge). Os professores continuarão ensinando coisas erradas às nossas crianças. Balas perdidas continuarão nos encontrando. Continuaremos de vidro fechados e filmados morrendo de calor nos sinais, assistindo ao show de malabares de crianças exploradas por seus pais.&lt;br /&gt; Cada vez ligaremos menos para o que acontece em Brasília, para nosso prejuízo. Mais cínicos e desesperançosos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-2060745156542241873?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/2060745156542241873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=2060745156542241873&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2060745156542241873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2060745156542241873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/r-no.html' title='Ré, não?'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4999674999433883453</id><published>2007-09-11T22:06:00.000-03:00</published><updated>2007-09-11T22:18:31.175-03:00</updated><title type='text'>Post tirado de uma notícia de jornal: Um estudante de biologia</title><content type='html'>Deu no Estadão. Róber Bachinski, estudante de biologia na UFRGS, causou polêmica ao se manifestar contra a dissecação de animais na sala de aula. Há uma briga judicial entre ele a a faculdade sobre o seu direito de não participar das aulas. Prometeu levar a questão até o Supremo Tribunal Federal.&lt;br /&gt; Não surpreende. No país que segundo Reinaldo Azevedo se abandonou o ensino da gramática, criando uma geração de analfabetos funcionais (vide artigo na última Veja), os biólogos não precisam mesma mais dissecar animais. Os advogados não precisarão mais abrir os códigos. Os médicos não precisarão mais abrir cadáveres. Os engenheiros poderão passar longe dos canteiros de obra, para não sujarem suas roupas. Tudo será feito na base das melhores intenções.&lt;br /&gt; Róber ainda diz na reportagem que quer encontrar um meio de pesquisa que não use animais, e que até Darwin foi pioneiro. Ora, bolas, se existisse um método de pesquisa biológica que dispensasse as cobaias ele já teria sido achado há algum tempo, não? Sem as cobaias estaríamos ainda na década de 1930, morrendo com doenças erradicadas antes de Róber nascer.&lt;br /&gt; Para mim, esse estudante não passa de um sujeito que sequer consegue abrir uma rã morta. Cresça e apareça, Róber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4999674999433883453?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4999674999433883453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4999674999433883453&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4999674999433883453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4999674999433883453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/post-tirado-de-uma-notcia-de-jornal-um.html' title='Post tirado de uma notícia de jornal: Um estudante de biologia'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-342494390496515438</id><published>2007-09-09T22:46:00.000-03:00</published><updated>2007-09-09T22:51:05.145-03:00</updated><title type='text'>O Rio de Janeiro continua lindo...</title><content type='html'>Olá leitores, estou de volta. &lt;div&gt;Mas ainda não farei hoje um post mais elaborado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Colocarei apenas uma foto do Rio para vocês curtirem (a lagoa Rodrigo de Freitas):&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5108386752769194402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RuSir64eeaI/AAAAAAAAAM4/8SA-BXlOlLw/s320/P4060021.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-342494390496515438?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/342494390496515438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=342494390496515438&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/342494390496515438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/342494390496515438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/o-rio-de-janeiro-continua-lindo.html' title='O Rio de Janeiro continua lindo...'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RuSir64eeaI/AAAAAAAAAM4/8SA-BXlOlLw/s72-c/P4060021.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4464072512965757753</id><published>2007-09-03T21:35:00.001-03:00</published><updated>2007-09-03T21:49:59.349-03:00</updated><title type='text'>Bruges</title><content type='html'>Olhe aqui para as imagens da lente da verdade (ho ho ho)! Vi outra cidade na Bélgica, Bruges, preservada vila medieval. Aqui, a torre Belfort, erguida no século XIII:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106141777658542434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rtyo5K4eeWI/AAAAAAAAAMY/VsVNm6ecvIQ/s320/P5140333.JPG" border="0" /&gt; De lá, se via toda a cidade:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106142507802982770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rtypjq4eeXI/AAAAAAAAAMg/bEKLiN4DBzA/s320/P5140336.JPG" border="0" /&gt; Casas de Lego no fundo da praça:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106143147753109890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RtyqI64eeYI/AAAAAAAAAMo/OGSfFPnAGys/s320/P5140335.JPG" border="0" /&gt; E pessoas num clima meio holandês, andando de magrela:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106144011041536402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rtyq7K4eeZI/AAAAAAAAAMw/KsKxrbqYySw/s320/P5140345.JPG" border="0" /&gt; Em breve, a Holanda. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; Obs: Paciência aos leitores, ficarei um tempo sem postar. Eu vooou...ao Rio.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4464072512965757753?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4464072512965757753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4464072512965757753&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4464072512965757753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4464072512965757753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/bruges.html' title='Bruges'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rtyo5K4eeWI/AAAAAAAAAMY/VsVNm6ecvIQ/s72-c/P5140333.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3219357590946236802</id><published>2007-09-02T22:07:00.000-03:00</published><updated>2007-09-02T22:19:57.672-03:00</updated><title type='text'>Táticas de gangster</title><content type='html'>A polícia sabe. É duro pegar um mega-traficante ou chefe de uma trama delituosa, como o Sr. Ramirez Abadia, recentemente preso em São Paulo. Um esquema criminoso bem organizado se vale de uma numerosa rede de "fusíveis", uma hierarquia composta de diversos níveis, onde o chefão-mor organiza a trama de um alto escalão inatingível, passando suas ordens a poucos escolhidos, que repassam suas ordens a outro, e a outro... Caso algúem seja preso ou impedido de cumprir a ordem, o chefe estará resguardado, pois o fio da meada acaba num escalão intermediário, numa peça descartável (o que chamei de "fusível"), um boi de piranha ou bode expiatório.&lt;br /&gt; Vejam a organização do PCC, em São Paulo, toda escalonada, sempre protegendo a cúpula. Leiam "O Poderoso Chefão", e percebam como Dom Corleone tem uma hierarquia que o protege. Assistam ao seríado "Os Sopranos" e vejam como Tony Soprano, o chefe mafioso, evita dar ordens diretamente e tratar de crimes no celular, sempre se resguardando atrás dos seus subordinados.&lt;br /&gt; Agora, vou mudar completamente de assunto. Esqueçam o que escrevi acima. Há um país, vou chamá-lo pelo nome fictício de Papua Velha Guiné, em que o seu governante supremo, o rei Polvo II, insiste em falar que nada tem a ver com um esquema ficcional, chamado pela imprensa de Anualão. Ele não sabia de nada. Tudo era culpa de seu primeiro-ministro e mordomo, o Zé Viseu.&lt;br /&gt;É ou não é uma tática de gangster, criada apenas para isentá-lo de culpa?&lt;br /&gt; Irrita esse tratamento de idiotas que recebemos. Esse cordão sanitário em torno da figura do rei Polvo II. Um cordão para deixar os excrementos de fora, preservando a sua imagem. Revoltante!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3219357590946236802?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3219357590946236802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3219357590946236802&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3219357590946236802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3219357590946236802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/09/tticas-de-gangster.html' title='Táticas de gangster'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-8648088650319204306</id><published>2007-08-30T19:57:00.000-03:00</published><updated>2007-08-30T20:01:31.814-03:00</updated><title type='text'>Há metalinguística o bastante para não pensar em nada...</title><content type='html'>Parafraseio Fernando Pessoa para agradecer a todos os alunos que no momento estão fazendo um trabalho escolar sobre a Lei Seca americana, ou sobre a proibição do álcool como forma de reduzir a violência e em muito aumentaram a audiência deste blog nesta semana.&lt;br /&gt; Sem ilusões de estar sendo lido pelas massas, continuarei a escrever para quem interessa, os poucos amigos e amigas que visitam este site sem digitar "Lei Seca" no Google.&lt;br /&gt; De volta à programação normal...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-8648088650319204306?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/8648088650319204306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=8648088650319204306&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8648088650319204306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8648088650319204306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/h-metalingustica-o-bastante-para-no.html' title='Há metalinguística o bastante para não pensar em nada...'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4985705929648855937</id><published>2007-08-28T21:28:00.000-03:00</published><updated>2007-08-28T21:49:19.815-03:00</updated><title type='text'>I´ve Brussels</title><content type='html'>&lt;div&gt;(A viagem segue)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desembarquei do trem Eurostar em Bruxelas, capital da União Européia e caldeirão de culturas. Cidade que não sabe se é francesa ou holandesa. Assustei à primeira vista. Larguei as malas no hotel, sai andando para o lado errado e me perdi num bairro árabe, morto de fome. Não arrisquei nos kebabs. Após tomar o rumo da roça e me nutrir, visitei um museu sobre histórias em quadrinhos (armadilha para turista) e passei a tirar fotos da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esse é o Hôtel de Ville, prefeitura, lindo prédio adornado com dezenas de estátuas diferentes:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103914373259098370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RtS_FK4eeQI/AAAAAAAAALo/IC58VMLV-4c/s320/P5130324.JPG" border="0" /&gt; Já recuperado do susto com os árabes, andei com mais calma. Vi o Manequinho e tomei uma cerveja. Certa hora localizei esta bela praça:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103914923014912274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RtS_lK4eeRI/AAAAAAAAALw/wENOiAFkWKY/s320/P5130330.JPG" border="0" /&gt; Outra foto, outro lugar:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103915421231118626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RtTACK4eeSI/AAAAAAAAAL4/3FMwd-QMwpI/s320/P5130331.JPG" border="0" /&gt; No dia seguinte eu fui para Bruges (conto em outro post). Mas ainda fiquei outro dia em Bruxelas, antes de ir para Amsterdam. No meu segundo dia em Bruxelas eu fui para outro canto da cidade, para os arredores do Parc du Cinquantenaire:&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103916258749741362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RtTAy64eeTI/AAAAAAAAAMA/-k4U3sFlRgo/s320/P5150348.JPG" border="0" /&gt; Lá vi um dos museus mais interessantes da viagem, o Museu do Exército. Algumas das peças mais bacanas eram um Mig-23, jato soviético, e um grande barco de guerra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103916774145816898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RtTBQ64eeUI/AAAAAAAAAMI/AyV_yAXkN4o/s320/P5150359.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103917212232481106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RtTBqa4eeVI/AAAAAAAAAMQ/CfmTe7dxH-s/s320/P5150358.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;Terminei a manhã espionando o Parlamento Europeu e almoçando na sua vizinhança. Depois eu pegaria o trem para Amsterdam.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(Para não perdemos a ordem, num próximo post falarei de Bruges, ainda na Bélgica)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4985705929648855937?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4985705929648855937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4985705929648855937&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4985705929648855937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4985705929648855937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/ive-brussels.html' title='I´ve Brussels'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RtS_FK4eeQI/AAAAAAAAALo/IC58VMLV-4c/s72-c/P5130324.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-7545283253974084402</id><published>2007-08-23T23:06:00.000-03:00</published><updated>2007-08-25T00:28:19.648-03:00</updated><title type='text'>O caso dos exploradores de marquise</title><content type='html'>“Todo tiempo pasado fue mejor”, provérbio argentino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acoste-se ao lado do fogo que crepita, viajante, e sirva-se de um naco de carne quente. Contarei uma história que se passou antes das águas do Atlântico cobrirem o que chamavam de Nova York, numa cidade também já engolida pelos mares, Santos.&lt;br /&gt;É uma noite na vida de um menino cabeçudinho, magricelo e que gostava de correr em espaços abertos, chamado Guto...&lt;br /&gt;Tá bom, parei, vou contar de maneira informal.&lt;br /&gt;É sobre minha infância, em Santos. Morava num prédio no bairro do Boqueirão, e meus amigos eram Fábio, Eduardo e Paulo. Creio que foi perto do meu aniversário ou do dia das Crianças, pois eu tinha ganho um boneco dos Comandos em Ação, e que vinha com uma pintura de guerra, em cores de camuflagem do exército. Chocante, como diziam.&lt;br /&gt;Aquela tinta nos excitou como índios e fez renascer o nosso instinto explorador. Já havíamos exaurido o bairro e o Canal 4, que era nosso limite natural (o Canal 1, a meros três quilômetros, era considerado um fim de mundo). Já havíamos pulado os muros do colégio para apanhar as bolas de futebol de volta e entrado num casarão velho dos arredores. Não faltava nada.&lt;br /&gt;Exceto a marquise do prédio.&lt;br /&gt;Vizinha ao primeiro andar, ela era a última fronteira, onde nenhum morador do Gold Star, exceto o zelador, já havia ido antes. Guardada por afiados cacos de vidro colorido, parecia uma fortaleza inexpugnável. Tínhamos que conquistá-la.&lt;br /&gt;Mas precisávamos criar coragem antes. Um dos amigos propôs, numa noite, que cumpríssemos uma tarefa mais simples, antes da marquise. Havia uma empresa de transporte, Benfica, que costumava deixar uns cinco ônibus estacionados na nossa rua, em frente ao colégio. Os motoristas dormiam no bagageiro. Resolvemos que iríamos nos arrastar por baixo dos ônibus, até o outro lado, depois do último.&lt;br /&gt;Corri ao meu quarto e peguei a pintura de guerra. Com o rosto devidamente camuflado, reunimos a tropa na frente do primeiro ônibus.&lt;br /&gt;Deitamos no chão e começamos a nos arrastar. O chão era de paralelepípedos, e oferecia resistência. A rua era suja. Mas não era difícil imitar cobras, ríamos. Um, dois, cinco ônibus, rastejamos muito. Após a escuridão dos subterrâneos, estávamos de volta à luz. Saímos do chão como quem nasce. Todos estavam negros de graxa e poeira. Vitória.&lt;br /&gt;Na euforia, alguém sugere:&lt;br /&gt;- Vamos subir na marquise. Hoje!&lt;br /&gt;Nada podia nos deter, vamos lá. Subimos até a garagem do prédio e encostamos a frágil escada de madeira suja de tinta branca na beirada da marquise. Largamos os chinelos no chão. Um a um todos escalaram. Com um lance de pé evitamos os cacos de vidro. Estávamos no espaço.&lt;br /&gt;Avistamos as luzes da cidade. As estrelas. Era um novo ângulo do mundo. Janelas fechadas e abertas. Vizinhos dormiam, alguns viam TV. Pena, não havia nenhuma moça trocando de roupa. Andamos de um lado a outro. Ninguém notou. Corremos. Rimos. Tiramos sarro do zelador. Cantamos músicas do Trio Esperança (de um disco já velho naquela época que ouvíamos...).&lt;br /&gt;Devíamos descer antes que o guarda-noturno acordasse. Fui primeiro. Dei um golpe de pé esquerdo e ultrapassei a amurada e os cacos, alcançando a escada. Firme no apoio, puxei o outro pé, mas senti ele batendo em algo. Desci os degraus preocupado.&lt;br /&gt;No chão, olhei devagar para baixo, receoso do que encontraria. Havia um corte no pé direito, um pouco abaixo do tornozelo, e sangue jorrava. Sentei e tentei apertar a ferida, só empapando minha mão de vermelho.&lt;br /&gt;Os outros desceram rápido. Fábio já correu para chamar minha mãe. Gritei para que ele não fizesse isso. Tinha medo da bronca. Fiquei derrotado no chão, sem me mexer.&lt;br /&gt;Ela chegou, já trazendo uma toalha, enrolando tudo sem olhar, e o diagnóstico:&lt;br /&gt;- Ai, Guto, vai ter que dar ponto.&lt;br /&gt;Fomos ao pronto-socorro eu, ela, e meu pai dirigindo. Eu ainda tinha a cara cheia de tinta de guerra, mas não ganharia uma Estrela Púrpura, uma Cruz de Ferro ou outra medalha por ter me ferido. Talvez um castigo. Aprendi o que são pontos, sendo costurado.&lt;br /&gt;A missão da marquise acabou em fracasso, com feridos e um banho de sangue.&lt;br /&gt;Foi assim que ganhei a minha primeira cicatriz, a pioneira de uma série de dentes quebrados, marcas no corpo e corações partidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-7545283253974084402?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/7545283253974084402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=7545283253974084402&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7545283253974084402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7545283253974084402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/o-caso-dos-exploradores-de-marquise.html' title='O caso dos exploradores de marquise'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-7445991235087576027</id><published>2007-08-22T22:27:00.000-03:00</published><updated>2007-08-22T22:34:11.132-03:00</updated><title type='text'>Quem avisa amigo é...</title><content type='html'>Diálogo de um conspirador e seu pai:&lt;br /&gt;- Mas meu filho, você fica aí participando desses "Cansei", "Grande Vaia"! Eles vão te perseguir. Saiu sua foto no jornal. A hora que isso aqui virar uma ditadura você está danado...&lt;br /&gt; - Não se preocupe, meu pai. Se um dia isso acontecer eu me exilo no exterior. Aí um dia eu volto, falo que estava combatendo o estado autoritário e peço uma pensão vitalícia pelo meu esforço, que nem o Cony. Ou viro ministro, que nem a Dilma. Ou lobista, como o Dirceu. Talvez deputado, no exemplo do Genoino.&lt;br /&gt; Silêncio. O velho matuta, e conclui:&lt;br /&gt; - Posso ir na próxima reunião do Cansei?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-7445991235087576027?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/7445991235087576027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=7445991235087576027&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7445991235087576027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7445991235087576027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/quem-avisa-amigo.html' title='Quem avisa amigo é...'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1650742819726183130</id><published>2007-08-21T18:52:00.001-03:00</published><updated>2007-08-21T19:04:47.595-03:00</updated><title type='text'>Um vídeo bizarro da Presidência - Quase-furo do Lei Seca</title><content type='html'>Fui atrás desse vídeo por causa de uma dica quente, achando que teria um furo sobre o Lula, mas não havia nada demais. Demora-se na banda larga uma meia hora para baixar.&lt;br /&gt; É um evento da Advocacia-Geral da União, com as Ilmas. presenças do presidente, ministros dos STF, o Sarney, demais autoridades presentes, etc.&lt;br /&gt; Filma-se por um tempão cadeiras vazias, nada acontece, testa-se a filmagem. Aí chamam um grupo de velhinhos, que muito desafinadamente torturam a audiência com uma música de Fábio Jr.. Hilário. Deve ser lá pelos 20min.&lt;br /&gt; Lá pelas 2h46 min (adiantem, não tentem assistir tudo) o Ouvidor-Geral da AGU, que está tomando posse, agradece à sua família e a seu companheiro de muito tempo pelo apoio (hã? - estaria ele saindo do armário? - ...e não que haja algum problema com isso). Tenho certeza que ele é petista (tem a língua presa e come o "s" na(s) palavra(s).&lt;br /&gt; Bom, o quase-furo é que tinham me dito que logo após o Ouvidor-Geral agradecer seu companheiro o vídeo focalizaria o Lula e o Tarso Genro surpresos, cochichando sobre a opção sexual do moço. Mentira, isso não aparece no vídeo. Não é dessa vez que derrubarei a República. Continuarei indo no Cansei e no Grande Vaia.&lt;br /&gt; O link, aqui: &lt;a href="http://www.veredasonline.com/evento-on/agu1/"&gt;http://www.veredasonline.com/evento-on/agu1/&lt;/a&gt; - Acessem embaixo: Cerimônia de abertura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1650742819726183130?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1650742819726183130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1650742819726183130&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1650742819726183130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1650742819726183130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/um-vdeo-bizarro-da-presidncia-quase.html' title='Um vídeo bizarro da Presidência - Quase-furo do Lei Seca'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3596124191259811745</id><published>2007-08-20T22:10:00.000-03:00</published><updated>2007-08-20T22:12:19.975-03:00</updated><title type='text'>O Homem Que Matou o Facínora</title><content type='html'>Vou falar um pouco de um filme já antigo, de 1962. O Homem Que Matou o Facínora (no original The Man Who Shot Liberty Valance), dirigido por John Ford e estrelado por John Wayne, James Stewart, Lee Marvin e Vera Miles. Creio que ele permite algumas discussões interessantes sobre direito e política, e algumas conclusões com certa conexão.&lt;br /&gt;Nesse faroeste, um respeitado senador, Ranse Stoddard, vivido por James Stewart, retorna de trem com sua mulher (Vera Miles) à cidade de Shinbone, no Oeste Selvagem. Ele está a pretexto do funeral de um velho amigo, Tom Doniphon (John Wayne), um desconhecido vaqueiro. Indagado pelo dono do jornal local acerca das razões da distante e cansativa viagem (dois dias de trem, naquela época) apenas para o enterro de um pobre-diabo, o senador passa a contar sua história.&lt;br /&gt;Muitos anos antes Ranse era apenas um advogado recém-formado vindo da Costa Leste dos EUA, que deixara o conforto da civiização a fim de desbravar a fronteira ainda pouco habitada do Oeste selvagem. Os trens ainda não haviam chegado lá, e ele vem de diligência. Não tem dinheiro, não tem arma, e carrega apenas seus livros de Direito.&lt;br /&gt;Perto de Shinbone seu transporte é atacado pelo bando do Liberty Valance do título (Lee Marvin), um bandidão mascarado. Ao tentar defender uma passageira, Ranse toma uma surra de chicote de Liberty, que o deixa quase morto.&lt;br /&gt;Ele é resgatado e fica na pousada onde trabalha Hallie, que será sua futura esposa. Sua chegada causa muita atenção na cidade, lugar sem lei e onde as questões são resolvidas à bala. Ranse é idealista e acredita que pode trazer um pouco de ordem ao lugar. Ele quer que Liberty seja preso por seus crimes. Ele conhece o caubói Tom Doniphon, homem realista e que logo mostra a ele o modo de vida do lugar, e que a felicidade lá é uma arma quente.&lt;br /&gt;Ranse vai aos poucos se integrando à comunidade. Monta sua banca de advocacia, trabalha no jornal local, começa a dar aulas de alfabetização e cidadania. Ele tem sua atenção chamada para a política local. A grande questão é se o território deve se tornar um Estado, o que favoreceria o homem pequeno. O status quo, uma terra sem lei, interessa apenas aos grandes barões do gado.&lt;br /&gt;Mas a missão de Ranse incomoda esses barões, e seu caminho cruza uma vez mais com o de Liberty e seu bando, que são capangas dos grandes fazendeiros. Há um crescendo de conflito, que vai chegando ao seu ápice com a proximidade das eleições para o envio de dois representantes locais à capital Washington. Os escolhidos são Ranse e o dono do jornal Shinbone Star.&lt;br /&gt;O publisher do jornal é cruelmente espancado por Liberty, e sua propriedade é empastelada.&lt;br /&gt;Shinbone é pequena demais para Ranse e Liberty. O advogado bem que tentou divulgar por lá os benefícios da lei e da ordem, mas ele chegou numa encruzilhada em que só as armas resolverão o conflito.&lt;br /&gt;Ele chama Liberty para o duelo final dos dois. No feroz tiroteio Ranse mata Liberty. A cidade está livre de seu carrasco.&lt;br /&gt;A fama de Ranse se espalha por todo o território. Na convenção para a escolha do representante em Washington ele é aclamado pelo povo, mas não sem antes os barões ressaltarem que ele é apenas mais um pistoleiro com sangue nas mãos. Desnorteado, ele sai do salão, disposto a voltar para o Leste. Ele se tornara aquilo que ele sempre combatera. Era um homem de leis, mas seria sempre conhecido como um justiceiro, alguém que resolvia suas questões pela força.&lt;br /&gt;Ele é dissuadido por Tom Doniphon, que lhe revela a verdade. Foi Tom quem na verdade atirou em Liberty, e salvou Ranse mais uma vez, como muitas vezes fizera. Mas a verdade que apareceu é que foi Ranse o atirador. E já que se criou fama, que se deite na cama. Agora Ranse deveria aproveitar a notoriedade súbita para se eleger e criar o Estado, e ter poder para aplicar suas idéias. Um mal menor para um bem maior.&lt;br /&gt;E assim ocorre. Ranse vai à Washington, cria o Estado, governa-o por várias vezes, vira Senador, embaixador em Londres, tem uma carreira de sucesso, pode ser Vice-Presidente, se quiser. É o homem que atirou em Liberty Valance. O verdadeiro herói, Tom, não tem interesse nessas glórias, e morre pobre como sempre viveu.&lt;br /&gt;Ao fim da narração da verdadeira história de Ranse, o dono do jornal rasga suas notas, não publicará o furo que tem nas mãos. É conclusivo: “Quando a lenda torna-se fato, publique-se a lenda”.&lt;br /&gt;Apesar de tudo, por mais vitoriosa que tenha sido sua trajetória, à Ranse nunca agradou esse começo. Pensava em impor-se pela lei, queria a ordem pelos livros de Direito, mas sempre seria conhecido como “O Homem que matou Liberty Valance”. Foi  levado pela força das circunstâncias.&lt;br /&gt; Na política por vezes nem tudo é o que parece. Às vezes um grande começo é o que basta. Creio que a primeira pessoa que foi esta espécie de político foi Davi, rei de Israel. Era mero pastor quando se armou e derrotou um verdadeiro gigante, Golias. Foi o que bastou para que fosse ungido rei e patriarca de uma linhagem de soberanos.&lt;br /&gt;Por vezes um agente na esfera política precisa matar um Golias, fazer algo que lhe dará destaque, e que pelo menos no começo será a fonte de seu poder.&lt;br /&gt;A história desse filme é a saga clássica de um Davi, um homem menor que derrota um maior. Mas Ranse, ético, era muito maior que o imoral Liberty. Mas essa grandeza moral e seu conhecimento das leis não seriam o bastante contra a força bruta. Por vezes é preciso saber usar de outras armas. Saber deixar a folha dobrada, enquanto se vai morrer.&lt;br /&gt;Filme belíssimo, digno de estar em companhia de outros grandes faroestes. Incrível como um determinado período da História, de uma parte de um país, o que pareceria limitado, serve de base para um dos maiores gêneros do cinema, e como pano de fundo de grandes histórias (se estou errado assistam Era Uma Vez no Oeste). Algumas das mais importantes metáforas narrativas, como o duelo, o homem sozinho contra todos, o surgimento da ordem em meio ao caos, se encaixam perfeitamente a esse gênero.&lt;br /&gt;E O Homem Que Matou o Facínora tem tudo isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3596124191259811745?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3596124191259811745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3596124191259811745&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3596124191259811745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3596124191259811745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/o-homem-que-matou-o-facnora.html' title='O Homem Que Matou o Facínora'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3890136499770764510</id><published>2007-08-17T17:24:00.000-03:00</published><updated>2007-08-17T17:40:01.426-03:00</updated><title type='text'>Cansei - As imagens</title><content type='html'>Fui hoje no Cansei, movimento liderado pela OAB-SP e que reuniu 4.000 pessoas na Praça da Sé. Fomos barrados no Catedral, como os pagadores de promessa de Dias Gomes, mas estávamos lá. A praça é do povo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Legal é que quanto mais se protesta, mais eles passam recibo de que não estão gostando (vide o papelzinho ridículo a que se prestaram o governador do Rio e o presidente diante de uns garotos com narizes de palhaço contrabandeados nas partes baixas que ousaram protestar ontem).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ressalve-se que esse movimento é diverso do A Grande Vaia. Senti que os organizadores do Cansei estão meio verdes, quase pediram desculpas por protestar. Será que tenho que lembrar a todos que isso é uma democracia, e que temos que defender até o fim o nosso direito de crítica e protesto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui, as imagens:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1-) Manifestantes com cartazes:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5099769536544929986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RsYFX64eeMI/AAAAAAAAALI/TMmoUVChiBU/s320/P3150002.JPG" border="0" /&gt; 2-) Hebe, Osmar Santos e o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio D´Urso:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5099770146430286034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RsYF7a4eeNI/AAAAAAAAALQ/Ac72Cvn9CUw/s320/P3150014.JPG" border="0" /&gt; 3-) Ivete Sangalo, a musa do movimento:&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5099770593106884834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RsYGVa4eeOI/AAAAAAAAALY/GEY-7pyS-VQ/s320/P3150016.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;4-) Essa foto é do UOL, mas como eu apareço, escondido na multidão, considero que meus direitos de imagem pagam os direitos deles de reprodução:&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5099771160042567922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RsYG2a4eePI/AAAAAAAAALg/mgXVxUKgaWk/s320/cansei_f_003.jpg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3890136499770764510?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3890136499770764510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3890136499770764510&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3890136499770764510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3890136499770764510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/cansei_17.html' title='Cansei - As imagens'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RsYFX64eeMI/AAAAAAAAALI/TMmoUVChiBU/s72-c/P3150002.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-3121287051399716255</id><published>2007-08-16T09:39:00.000-03:00</published><updated>2007-08-16T09:42:16.935-03:00</updated><title type='text'>A Máquina do Mundo</title><content type='html'>Um link interessanste &lt;a href="http://www.poodwaddle.com/worldclock.swf"&gt;http://www.poodwaddle.com/worldclock.swf&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Uma contagem em tempo real dos nascimentos, mortes e outros dados estatísticos do planeta.&lt;br /&gt; Os números assombram e deixam qualquer um com uma sensação de insignificância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-3121287051399716255?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/3121287051399716255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=3121287051399716255&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3121287051399716255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/3121287051399716255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/mquina-do-mundo.html' title='A Máquina do Mundo'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1179600660531062111</id><published>2007-08-13T09:54:00.000-03:00</published><updated>2007-08-13T09:58:45.000-03:00</updated><title type='text'>Meninos nada sabem de guerra</title><content type='html'>Em minha infância costumava passar as férias na cidade de meus avós, Cerquilho, no interior de São Paulo. Lugarejo calmo e pacífico. Creio que fui da última geração que ainda podia brincar na rua sem medo de violência ou de pedófilos, e sem estar trancado num condomínio fechado.&lt;br /&gt;Cerquilho era uma espécie de território livre. Ficava solto nas ruas, correndo e andando de bicicleta até os limites em que a cidade se encontrava com a zona rural. Subia nas árvores e invadia as construções. Quase tudo podia acontecer. Até mesmo uma guerra.&lt;br /&gt;Meu companheiro de aventuras era meu primo Everton. Ele tinha um bom coração, mas não era o tipo intelectual. Era forte e parrudo, e andando com ele eu sabia que ninguém iria mexer comigo, eu que era visto como uma espécie de matuto da cidade grande.&lt;br /&gt;Certa feita, numa dessas temporadas lá, Everton cismou com um vizinho seu, um outro menino chamado Robledo. Para meu primo, Robledo era culpado de tudo, apesar de ser apenas um e bem menor que ele. Ele era acusado de jogar terra na casa e furar os pneus do carro de seu pai. De roubar as goiabas do pé e de mover a cerca mais para seu lado. Só não foi acusado de engravidar as mulheres de sua família. Éramos meninos.&lt;br /&gt;Everton começou sua batalha contra Robledo. Como meu aliado e parente, não podia deixar de ajudá-lo. Atacávamos ele com água e terra. Ele revidava. Colocávamos bombas de “mil” (cruzados, a moeda da época) na frente de sua casa, puro terrorismo anarquista. Ele colocava bombas de “cinco mil”, as mães de todas as bombas, na casa de Everton e na da minha avó. A rua se sacudiu com o confronto. Os cachorros latiam e uivavam. Os cavalos relincharam. A orelha de Everton ardeu com os puxões de sua mãe. Nossos gritos ecoavam de um lado a outro:&lt;br /&gt;- Morfético!&lt;br /&gt;- Lazarentos!&lt;br /&gt;- Tísico!&lt;br /&gt;Apesar de nossos esforços, cada dia Robledo ressurgia mais sujo e agressivo. Everton, sem os dotes de Cícero, proferia furiosas catilinárias contra seu nêmesis. “Até quando vais abusar da nossa paciência, ó Robledo?” Meu primo partiu para as vias de fato, desferindo uns bons cascudos no seu inimigo. Mas isso só o enfureceu ainda mais, que continuou a nos fustigar com suas bombas e bexigas de água, chamadas de “bombuchas”.&lt;br /&gt;As batalhas prosseguiram por um tempo, atingindo um impasse. Até que um dia meu primo, num rompante de aparente lucidez, me disse:&lt;br /&gt;- Vamos fazer a paz com ele. Passe essa tarde no quintal que vamos nos preparar.&lt;br /&gt;Após o almoço voltei à casa de Everton. Ele estava no quintal, e me levou até o galinheiro. No pequeno galpão ele me mostrou os seus termos de paz, as suas condições. Inúmeras “bombuchas” prontas e amarradas, cheias até a borda, úmidas. Algumas vazavam, escorrendo água no chão. Ele me anunciou seu plano:&lt;br /&gt;- Vá até a casa daquele caipora e fale que queremos fazer a paz. Que amanhã vamos visitar ele e ficar amigos. Na hora que estivermos lá dentro ele vai receber toda essa água na cabeça.&lt;br /&gt;Dito e feito. Eu podia chegar perto da casa de Robledo sem receber um petardo, ao contrário de meu primo. Toquei a campainha, ele atendeu meio desconfiado, e eu me fiz de arauto da paz. Robledo concordou, amanhã estaríamos lá.&lt;br /&gt;No dia seguinte, no horário combinado, fomos até a fortaleza inimiga. Era uma missão suicida. Mas se fosse vitoriosa, estaríamos livres dele. Levávamos as “bombuchas” nos bolsos.&lt;br /&gt;Ele nos recebeu até aliviado. Creio que ele queria mesmo a paz. Fomos até os fundos, onde uma mesa estava posta com bolachas e limonada. As mulheres de sua casa, mãe e irmã, nos sorriam. Ele sentou e conversamos um pouco.&lt;br /&gt;Confesso que fiquei com pena. A mesa posta, as bolachas, a limonada, o inimigo desarmado e confiante. Haveria tempo para resolver tudo da melhor maneira? Não houve. Um minuto depois Everton se levantou com um grito, arremessando uma “bombucha” bem na face de seu rival:&lt;br /&gt;- Já!&lt;br /&gt;Hesitei um pouco, mas não havia mais o que fazer. Robledo já urrava de raiva, quando eu o acertei na cabeça também. Cada um dos atiradores ainda conseguiu jogar mais uma “bombucha” antes de fugir da casa, com Robledo furioso em nosso encalço. De relance pude notar a mãe de Robledo dando risada. Creio que ela devia estar pensado: “Esses meninos...”&lt;br /&gt;Corremos, deixando a cena do crime para trás. Algumas quadras depois paramos a fim de recuperar o fôlego. Nem sinal de Robledo.&lt;br /&gt;Everton estava eufórico. Havíamos vencido. Ele nunca mais nos incomodou, perdeu face, estava desmoralizado demais perante a rua para revidar. Ficou com fama de bobo, por ter sido alvo de tamanho golpe em sua própria casa.&lt;br /&gt;Ganhamos, sim. Mas creio que perdemos um possível amigo.&lt;br /&gt;Meu primo ainda mora por lá. De Robledo nunca mais ouvi falar, creio que mudou de cidade (não por causa disso, espero...). Eu ganhei e perdi outras batalhas por aí.&lt;br /&gt;E pensar que até aquele momento nunca tínhamos ouvido falar do cavalo de Tróia. Jamais abrimos compêndio algum de Grotius, Clausewitz ou Maquiavel. Não sabíamos quem era Hobbes, que o homem era o lobo do homem, ou tínhamos ouvido as lições do Cardeal Mazarin. Ninguém nos explicou o que era trégua, armistício, termos de rendição. Devíamos ter feito a paz. Mas meninos nada sabem de guerra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1179600660531062111?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1179600660531062111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1179600660531062111&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1179600660531062111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1179600660531062111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/meninos-nada-sabem-de-guerra.html' title='Meninos nada sabem de guerra'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-1532973731084233915</id><published>2007-08-12T02:30:00.000-03:00</published><updated>2007-08-12T17:15:28.454-03:00</updated><title type='text'>Dias de Glória</title><content type='html'>Nesses tempos de Pan, em que o país fica numa euforia ufanística, lembro de um fato. Nunca fui bom em esportes. Vá lá, não faço feio no vôlei. Mas nunca fui primeiro lugar em coisa alguma. Como Fernando Pessoa, sempre fui farto de semi-deuses, e meus conhecidos eram campeões em tudo. Não tenho em casa medalhas de honra ao mérito, placas, flâmulas ou troféus de vencedor.&lt;br /&gt;A altura nunca me serviu para nada, seja basquete ou mesmo o vôlei, que me agradava mais e era um pretexto para não jogar futebol. Era apenas desengonçado. O Pateta nas Olimpíadas.&lt;br /&gt;Em resumo, e todos entenderão, eu era sempre o último escolhido para o time.&lt;br /&gt;Mas tive meu momento. Aquele que até mesmo Pelé deve ter. A minha hora e vez no esporte. O meu dia de glória.&lt;br /&gt;Havia um professor na escola que gostava de subverter alguns esportes. Um revolucionário das quadras. Misturava corrida com beisebol, peteca com queimada, etc. Um dia ele chamou a classe toda e apresentou uma modalidade nova, uma espécie de futebol com handebol, um vale-tudo em que mãos e pés eram usados para fazer gols.&lt;br /&gt;Não lembro nada do jogo, ou das regras. Só recordo que eu era uma espécie de queridinho do professor, um júnior, um café-com-leite que tinha que ser protegido, de tão ruim e sofrível que era meu jogo. Acho que ele interferia até na escalação dos times, como um típico cartola. Eu estava sempre para ficar por último na seleção, aí ele dizia: “Escolhe o Luiz. Bota o Luiz no time...” (“bote mais um zero”, diz quem aponta a arma ao emissor do cheque...)&lt;br /&gt;O jogo começa, a bola vai e vem. Gols. Uma bagunça total, braços e pernas livres para jogar. Faltam-me os detalhes. Uma hora, um pênalti é marcado. O professor, acusador, juiz e carrasco, sentencia: “O Luiz vai cobrar”.&lt;br /&gt;Silêncio na quadra. Todos os meus colegas de classe em muda antecipação. Seria um desastre, eu não devia ter sido escolhido. Fico na linha da penalidade máxima. Era um arremesso livre com uma das mãos em direção ao gol, sem barreira ou goleiro. Era moleza. Será? Não para mim.&lt;br /&gt;Como se diz por aí, até uma mulher grávida faria aquele gol. Mas eu suava, tremia nas bases. Era muita responsabilidade.&lt;br /&gt;Nunca tinha tido tamanha atenção na vida. Por que eu deveria ser o centro de algo, o salvador, a grande esperança branca o meu time? Que fardo...&lt;br /&gt;Lembro do arremesso. A bola sai central e reta em direção ao gol, mas lenta. Certeira, mas lenta. Perfeita, mas...lenta. Havia o perigo que ela cessasse seu movimento retilínio uniforme (para usar expressão das aulas de Física) antes da linha fatal, sem se converter em gol e frustrando seu fado inevitável. Vai, vai, vai, ansiosa expectativa nas laterais do campo.&lt;br /&gt;A bola passa da linha. É gol!!! Júbilo na torcida. O campo é invadido. Gritam meu nome. Sou abraçado, fazem festinha em meu cabelo, alguém me ergue. Apoteose total. O professor sorri.&lt;br /&gt;Não recordo se ganhamos a partida. Não era campeonato de nada. Aquele esporte nem existe, exceto na mente do mestre de Educação Física. Mas, naquele momento, eu era e fui um campeão. Jamais tive tamanha sensação de vitória.&lt;br /&gt;E temo que jamais terei. Como naquele jogo de nada, naquela manhã que já foi.&lt;br /&gt;Canta Bruce Springsteen, em Glory Days (Dias de Glória):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Yeah, just sitting back trying to recapture&lt;br /&gt;A little of the glory of, well time slips away&lt;br /&gt;And leaves you with nothing mister but&lt;br /&gt;Boring stories of glory days“&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“Sim, apenas lembrando, tentando recapturar&lt;br /&gt;Um pouco da glória do, bem, o tempo escapa&lt;br /&gt;E deixa você com nada, senhor, mas&lt;br /&gt;Histórias chatas de dias de glória”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(em minha livre tradução e adaptação)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-1532973731084233915?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/1532973731084233915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=1532973731084233915&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1532973731084233915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/1532973731084233915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/dias-de-glria.html' title='Dias de Glória'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-7718707174125872137</id><published>2007-08-10T20:16:00.000-03:00</published><updated>2007-08-10T20:34:55.137-03:00</updated><title type='text'>O último dia em Londres</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;A epopéia segue (calma, eu juro que está acabando. Mais uns 4 posts...)&lt;br /&gt;Não há nada eterno, e um dia teria que deixar Londres. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;No meu último dia resolvi conhecer um lugar chamado Notting Hill. Lá fica Portobello Road, uma rua cheia de antiquários. O metrô estava em reformas, portanto tive que descer algumas estações antes e andar de novo num &lt;em&gt;double-decker&lt;/em&gt;, aquele ônibus vermelho de dois andares.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Creio que essa é a loja mais característica de lá:&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097216013977512498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rrzy9WCP6jI/AAAAAAAAAKg/gz2_BOsPvno/s320/P5050181.JPG" border="0" /&gt; Muitos aromas e sabores no ar. Lojas com muita coisa interessante.&lt;br /&gt;Uma velha senhora vendia animais, e atraia a curiosidade das crianças:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097216752711887426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RrzzoWCP6kI/AAAAAAAAAKo/b8V65zUEvaA/s320/P5050182.JPG" border="0" /&gt; Um outro &lt;em&gt;stand &lt;/em&gt;vendia plaquetas. Reparem na que está no canto superior esquerdo, &lt;em&gt;The Honest Lawyer&lt;/em&gt; (O advogado honesto), fantasmagórico ser sem cabeça. Deve ser uma metáfora inglesa para algo que não existe? Que má fama nós causídicos temos, é mundial:&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097217564460706386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rrz0XmCP6lI/AAAAAAAAAKw/9kpyBJKFV2E/s320/P5050183.JPG" border="0" /&gt;Outras plaquetas:&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097218006842337890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rrz0xWCP6mI/AAAAAAAAAK4/kRuZqoSnfZM/s320/P5050184.JPG" border="0" /&gt; Após esse curto passeio, voltei ao hotel e peguei minha mala. Iria para a Escócia. Contei a correria que foi embarcar, e essa parte na viagem em três posts anteriores (O último trem para a Escócia). Antes de chegar em Edimburgo vi a cidade inglesa de Newcastle da janela do trem:&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097218578072988274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rrz1SmCP6nI/AAAAAAAAALA/oUXFWwUe_Ho/s320/P5050187.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Depois da Escócia eu peguei o trem Eurostar, atravessando uma alfândega franco-inglesa, o túnel do Canal da Mancha (não se vê nada, tudo escuros...) e algumas horas depois eu estava em Bruxelas, capital da Bélgica. Teria uma etapa continental da viagem, com Bélgica e Holanda.Nos próximos posts falarei sobre a Bélgica. Inté!&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-7718707174125872137?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/7718707174125872137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=7718707174125872137&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7718707174125872137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/7718707174125872137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/o-ltimo-dia-em-londres.html' title='O último dia em Londres'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rrzy9WCP6jI/AAAAAAAAAKg/gz2_BOsPvno/s72-c/P5050181.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-5931545868940175702</id><published>2007-08-08T22:46:00.001-03:00</published><updated>2007-08-08T22:54:01.320-03:00</updated><title type='text'>Os 2.000 de Esparta</title><content type='html'>Passei hoje na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a velha e sempre nova Academia. Nessa semana ela comemora 180 anos de vida. Tive a honra de lá estudar.&lt;br /&gt;O evento era o lançamento de um livro sobre os 30 anos da leitura da Carta aos Brasileiros, corajosamente feita pelo Prof. Goffredo da Silva Telles no pátio das Arcadas, em meio às trevas do período ditatorial. A Carta pedia a volta do Estado de Direito ao país.&lt;br /&gt; Duas mil pessoas estavam presentes à leitura da Carta.&lt;br /&gt; Duas mil pessoas estavam presentes à passeata sábado passado vaiando o presidente Lula.&lt;br /&gt; Tanto as duas mil de 30 anos atrás, como as duas mil de 4 dias atrás não faziam idéia do que faziam naquele momento. O tempo, para as que estavam na leitura da Carta, mostrou que elas estavam do lado do bem. Espero que não seja preciso tanto tempo para que o povo brasileiro perceba que confiou seu destino nas mãos de um grupo mal-intencionado, que só quer o poder pelo poder.&lt;br /&gt;Daqui a trinta anos eu direi: estive lá.&lt;br /&gt;Espero ser vencedor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-5931545868940175702?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/5931545868940175702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=5931545868940175702&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5931545868940175702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/5931545868940175702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/os-2000-de-esparta.html' title='Os 2.000 de Esparta'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-8448812462737793508</id><published>2007-08-04T18:35:00.000-03:00</published><updated>2007-08-04T19:06:01.601-03:00</updated><title type='text'>Vaias ao Presidente</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Fui à passeata Fora Lula este sábado em São Paulo. À pé, perto de casa.&lt;br /&gt;Achava que só ia ter eu e uns gatos-pingados.&lt;br /&gt;Segundo o Estado de São Paulo, eram de 10 a 12 mil gatos-pingados. Segundo O Globo, 10 mil. Gente de bem, brasileira, cansada, revoltada, trabalhadora. Não vi uma faixa de sindicato, do MST, da Cut, ou bandeira de Cuba. Gente que apareceu sozinha, como eu. Que levou os filhos. Que chamou os amigos. Aliás, encontrei lá amigos e conhecidos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vai ter uma guerra de números. Posso atestar, vi muita, muita gente. Vejam:&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094963256386120130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RrTyFmCP6cI/AAAAAAAAAJo/f8WY7G-BMAw/s320/P3030013.JPG" border="0" /&gt; Atrás de mim, enquanto eu tirava esta foto, tinha o carro de som e muito mais gente. Cartazes dos mais variados e muito barulho e vaia, do jeito que Lulla gosta:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;1-)&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094965438229506514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RrT0EmCP6dI/AAAAAAAAAJw/hpl6aB82juc/s320/P3030003.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;2-) &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094966000870222306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RrT0lWCP6eI/AAAAAAAAAJ4/MVRir4RtEjc/s320/P3030006.JPG" border="0" /&gt; 3-)&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094966503381395954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RrT1CmCP6fI/AAAAAAAAAKA/S-IV6BE9p50/s320/P3030009.JPG" border="0" /&gt; 4-)&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094967031662373378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RrT1hWCP6gI/AAAAAAAAAKI/n8-LJJ7vV2U/s320/P3030015.JPG" border="0" /&gt; Caminhamos até o Obelisco do Ibirapuera. Eu e meus irmãos e irmãs, meus compatriotas, meus conterrâneos, entoando o Hino Nacional. Cansamos de desgoverno e de desrespeito.&lt;br /&gt;No caminho encontrei firme e forte a Dona Darcy, exemplo de vida:&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094968062454524434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RrT2dWCP6hI/AAAAAAAAAKQ/0XuMTSM4zVw/s320/P3030016.JPG" border="0" /&gt; Tivemos a cara pintada. Marchamos no sol, num sábado. É o começo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E terminamos abraçando o Obelisco, símbolo do paulista, povo que não hesitou em brigar e morrer para ver respeitada a legalidade em 1932:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094968852728506914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RrT3LWCP6iI/AAAAAAAAAKY/FyX1LrSvu_c/s320/P3030019.JPG" border="0" /&gt; O próximo ato será em 7 de setembro.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-8448812462737793508?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/8448812462737793508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=8448812462737793508&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8448812462737793508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/8448812462737793508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/vaias-ao-presidente.html' title='Vaias ao Presidente'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/RrTyFmCP6cI/AAAAAAAAAJo/f8WY7G-BMAw/s72-c/P3030013.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-629251452904417227</id><published>2007-08-04T08:35:00.000-03:00</published><updated>2007-08-04T08:36:57.668-03:00</updated><title type='text'>Refugiados cubanos</title><content type='html'>Que governo é esse? Fica inerte diante da delegação cubana no Pan levada às pressas de volta ao aeroporto, sem averiguar se os atletas estavam sendo mantidos em cárcere privado e se havia alguém com interesse em pedir asilo. Aí, alguns dias depois, fazendo o papel digno de capangas de Fidel Castro, têm pressa em querer deportar os dois boxeadores que preferiram escapar da Ilha da Fantasia, mesmo sabendo o risco à integridade física destes (já tiveram seus bens confiscados por lá).&lt;br /&gt;Quando foi para conceder asilo ao Cura Camilo (o padre Olivério Medina), porta-voz dos assassinos, sequestradores, terroristas e traficantes da Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), eles foram rápidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-629251452904417227?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/629251452904417227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=629251452904417227&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/629251452904417227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/629251452904417227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/refugiados-cubanos.html' title='Refugiados cubanos'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-2766089525525080279</id><published>2007-08-02T23:46:00.001-03:00</published><updated>2007-08-02T23:48:04.650-03:00</updated><title type='text'>Cansei!</title><content type='html'>Esse é o post de hoje, e minha adesão ao movimento. Boa noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-2766089525525080279?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/2766089525525080279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=2766089525525080279&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2766089525525080279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/2766089525525080279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/cansei.html' title='Cansei!'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-4401550797791407523</id><published>2007-08-01T09:32:00.000-03:00</published><updated>2007-08-01T09:41:02.232-03:00</updated><title type='text'>Grandes momentos em discursos presidenciais</title><content type='html'>Juscelino Kubitschek: “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu País e antevejo esta alvorada, com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lula, em Cuiabá, um dos lugares em que ele pode ir sem ser vaiado, se a polícia impedir manifestantes de chegar perto: "Deus fez o homem perfeito, com duas orelhas, uma para ouvir as vaias e a outra pra ouvir aplausos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Comentário: Além de medroso, ele é adepto do criacionismo, nunca ouviu falar de Charles Darwin.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-4401550797791407523?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/4401550797791407523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=4401550797791407523&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4401550797791407523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/4401550797791407523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/08/grandes-momentos-em-discursos.html' title='Grandes momentos em discursos presidenciais'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34372427.post-9139755368176517641</id><published>2007-07-30T22:33:00.000-03:00</published><updated>2007-07-30T22:47:41.557-03:00</updated><title type='text'>No Museu Britânico - Parte 2</title><content type='html'>Jogo rápido, o post final sobre o Museu. &lt;div&gt;&lt;div&gt;Para começar bem, um grande e compassivo Buda gigante, entre um andar e outro:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093168831934753138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rq6SEWCP6XI/AAAAAAAAAJA/Alh2b6msTXc/s320/P5040173.JPG" border="0" /&gt; Uma estátua de cavalo, supostamente vinda, se bem me lembro, do Templo de Halicarnasso. Seria isto possível? Devo ter lido errado. Aqui:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093169493359716738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rq6Sq2CP6YI/AAAAAAAAAJI/gnp5ohWfHq4/s320/P5040169.JPG" border="0" /&gt; Uma múmia, imagem forte e evitável na hora da janta. Reparem que seus pertences estão dispostas na tumba. É a conta menor que ela tirou da vida (lembrando João Cabral de Melo Neto): &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093169970101086610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rq6TGmCP6ZI/AAAAAAAAAJQ/nL72QoaiekY/s320/P5040170.JPG" border="0" /&gt; Um valente caçador em meio aos bichos. Reparem no escorpião, na cobra e no cão aos pés da obra:&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093170764670036386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rq6T02CP6aI/AAAAAAAAAJY/DLM67NHKRoE/s320/P5040171.JPG" border="0" /&gt; E uma modernice africana, um guerreiro estilizado:&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093171121152321970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rq6UJmCP6bI/AAAAAAAAAJg/WUtgxG8rs8g/s320/P5040172.JPG" border="0" /&gt;Em breve, o último dia em Londres.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34372427-9139755368176517641?l=lei-seca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lei-seca.blogspot.com/feeds/9139755368176517641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34372427&amp;postID=9139755368176517641&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9139755368176517641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34372427/posts/default/9139755368176517641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lei-seca.blogspot.com/2007/07/no-museu-britnico-parte-2.html' title='No Museu Britânico - Parte 2'/><author><name>Luiz Augusto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02621993067584942877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_we5dVmPYuMg/Rq6SEWCP6XI/AAAAAAAAAJA/Alh2b6msTXc/s72-c/P5040173.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
